Este fim-de-semana, 19 e 20 de novembro, o Cine-teatro São Pedro, em Alcanena, está a celebrar os seus 62 anos, com a peça “Chegou a Nau da Índia: Auto da Índia e Outras Histórias”. Uma encenação de Vicente Batalha que reúne 52 elementos, entre figurantes e atores amadores do grupo de teatro “Alcanena em Cena”. O elenco conta ainda com a participação dos vereadores Hugo Santarém e Luís Pires. Na sexta-feira, 18 de novembro, foi a grande estreia.

A nau está a regressar da Índia. Mercadores, pedintes, arruaceiros, nobreza e povo concentram-se no Restelo. Em breve, lembra-se, nascerá um grande poeta que eternizará em versos os feitos portugueses. Há três anos que as esposas desgostosas não vêem os seus maridos e anseiam pelo regresso das naus, apesar de terem preservado muito pouca castidade na ausência. A Rainha pede a Gil Vicente uma nova peça, mas alerta-o para os perigos dos seus textos, pejados de crítica social. Sobe a palco assim o “Auto da Índia”, a fazer lembrar que o mundo não terá mudado assim tanto…

Vicente Batalha quis trazer Alcanena a palco, em mais um aniversário do Cine-teatro. Apesar de noutros anos se ter apostado no teatro mais profissional, vindo de fora, o encenador entendeu que era tempo de experimentar outras abordagens para o Cine-teatro São Pedro, explicou ao público, que depois de anos de grandes atuações passou por uma época de decadência. Daí ter escolhido Gil Vicente. Uma peça simples, conforme recordou, “mas muito difícil. É uma prova de teatro” como só se faz nos conservatórios. “Falar dos descobrimentos, da história de Portugal, do Camões…está aqui trabalho de 29 ensaios”, salientou.

Já a presidente da Câmara de Alcanena, Fernanda Asseiceira, explicou que os Parabéns ao teatro só serão cantados no domingo, dia 20. Lembrou ainda que neste sábado, dia 19, o bilhete será pago, com os lucros a reverterem para a pequena Lara, uma jovem do concelho com paralisia cerebral que precisa urgentemente de tratamentos para melhor a sua qualidade de vida.
Considerando Vicente Batalha “o pai” atual do teatro de Alcanena, teceu largos elogios ao trabalho desenvolvido pela equipa em palco, que em dois anos e meio “tem crescido em número de elementos e de desempenho”. “É este tipo de espetáculo que eu acho que faz sentido neste aniversário do Cine-teatro”, frisou, lembrando também o historial do espaço e o seu renascimento.

Como havia falta de atores masculinhos, o executivo “emprestou” os vereadores Hugo Santarém e Luís Pires ao teatro. “Eles agora não querem outra coisa”, comentou entre risos a presidente, enaltecendo o trabalho desenvolvido por ambos os vereadores para o grupo. “Eu prefiro estes espetáculos feitos pela nossa população”, tornou a frisar.
Já Hugo Santarém e Luís Pires elogiaram ao mediotejo.net o trabalho de Vicente Batalha, que tem sido o grande dinamizador do teatro amador em Alcanena.

