“Não se compreende como é que um executivo decide inaugurar um espaço quando sabe, de antemão, que não tem capacidade ou que não reúne as condições mínimas para poder abrir ao público, neste caso aos peregrinos”, disse o vereador da oposição, relativamente à ação da maioria socialista que gere o município, tendo feito notar que “o albergue foi inaugurado 13 de junho e que, à data de hoje, continua fechado”, facto que a autarquia confirmou.
ÁUDIO | HUGO AZEVEDO, VEREADOR PSD CM FERREIRA DO ZÊZERE:
Em declarações à Lusa, o presidente do município, Bruno Gomes (PS), disse que houve dificuldades na concessão de exploração do espaço a associações e que “nem sempre as coisas decorrem nos prazos” desejados.
Contudo, defendeu que “o mais difícil já está, que era conseguir concretizar a obra”, e que o procedimento de hasta pública do albergue vai à reunião de câmara na próxima sexta-feira para uma possível concessão a privados.
“Avançámos com a inauguração no sentido em que era o dia do concelho, queríamos dar a conhecer [o albergue] às pessoas, mas também às entidades ligadas à área, e achávamos ter uma facilidade maior naquilo que era a alocação de alguém que o pudesse explorar”, declarou, tendo feito notar o albergue era um projeto que estava na gaveta dos executivos PSD.
(…)“Era um projeto que estava na gaveta, mesmo enquanto o senhor vereador da oposição era presidente de Junta de Freguesia. Teve anos e anos para poder concretizar a obra, conjuntamente com o executivo que era da sua cor política, e não o fez. E então, aquilo que eu quero dar conta é de que nós achámos que era pertinente aquele investimento e avançámos com ele, de corpo e alma, no sentido em que é um valor que é totalmente alocado ao orçamento do município. Não há cá fundos comunitários, foi um investimento que nós entendemos, desde o início, ser importante e avançámos com ele”, afirmou Bruno Gomes.
ÁUDIO | BRUNO GOMES, PRESIDENTE CM FERREIRA DO ZÊZERE:
A Câmara de Ferreira do Zêzere inaugurou no dia 13 de junho, na localidade de Areias, na presença da vice-presidente da Turismo do Centro, Anabela Freitas, um albergue que pode alojar até seis peregrinos e que, apesar de estar focado nos do caminho de Santiago de Compostela, também está “ao dispor” de outros.

“Era uma necessidade que sentíamos, a de criar uma estrutura de apoio a quem faz os Caminhos de Santiago (em Espanha), mas também os de Fátima ou os visitantes da Rota dos Templários, através do aproveitamento de uma antiga escola, que entendemos recuperar, e que vai permitir acolher os peregrinos que aqui queiram pernoitar”, disse, na ocasião, à Lusa, o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere.
A antiga escola primária de Areias foi requalificada e transformada em Albergue de Peregrinos, tendo a obra representado um investimento na ordem dos 120 mil euros, estando o equipamento dotado de casas de banho, chuveiros e cozinha, entre outras comodidades.
Num comunicado, a autarquia especificou que o albergue disponibiliza seis camas/beliches num dormitório, casas de banho, duches, espaço de lavandaria, espaço de convívio e cozinha comunitária onde o peregrino pode preparar as suas refeições.
“O albergue, a partir do momento que é inaugurado, passou a constar do roteiro dos Caminhos de Santiago e, infelizmente, eu já presenciei isso, os peregrinos sabem que há ali um albergue, não sabem que está fechado e, portanto, para muitos peregrinos, ou para alguns, é um sítio de paragem onde até podem equacionar dormir. Chegam ali, veem um albergue fechado e têm que alterar todo o seu percurso”, criticou Hugo Azevedo.
Segundo notou o vereador, a atual situação “não é um bom motivo para promover o turismo, neste caso religioso, em Ferreira do Zêzere. Fica a Câmara mal, fica o concelho mal, penso que ficamos todos mal”, vincou.

O presidente da câmara disse à Lusa que o município nunca publicitou o albergue “como estando a ser utilizado”, e que, como tal, “não lhe pode a ele ser dada essa responsabilidade”, tendo assegurado que “a hasta pública ainda será feita este ano” e esperar que “em janeiro possa funcionar” devidamente.
“Ele está de facto com muita qualidade, vai servir a comunidade, vai servir os peregrinos, e vai ser mais um instrumento que funcionará para trazer turismo a Ferreira do Zêzere. Basicamente é isto e, como eu digo, sejam estes os maiores problemas do concelho porque estaríamos bem se assim fosse”, concluiu.

Em abono da verdade e da transparência, prestam-se os seguintes esclarecimentos:
1. O Presidente, Bruno Gomes ao referir que o projeto do Albergue estava na gaveta dos executivos PSD, não está a falar verdade, já que o projeto foi aprovado em Reunião de Câmara, em dezembro de 2020, onde o mesmo era Vereador. Seguiu-se a revisão do projeto no primeiro trimestre de 2021, e só não seguiu para a abertura de procedimento concursal devido às restrições a que o Executivo ficou sujeito, devido ao período eleitoral, ou seja, ficou impossibilitado de avançar;
2. Quanto ao facto de o Presidente, Bruno Gomes referir-se ao Vereador da Oposição, enquanto Presidente de Junta, acusando-o de ter tido anos e anos para concretizar a obra sem o fazer, também não está a falar verdade.
É bom relembrar o Sr. º Presidente que esta obra não é, nem nunca foi da competência da Junta de Freguesia, até porque o edifício sempre foi da propriedade da Câmara Municipal.
Convém também recordar o Sr. º Presidente que, este Albergue surgiu na sequência de uma proposta da União Das Freguesias de Areias e Pias à Associação Via Lusitana, no ano de 2018, que passava por definir um percurso alternativo com uma distância adicional de 1000 metros, com o objetivo de “desviar” os Peregrinos da floresta, por forma a passarem no centro da localidade de Areias, visitando a Igreja Matriz de Areias e contribuindo para o comércio local.
Após o trajeto definido e respetivo levantamento de todas as placas e sinalização necessária, a UFAP remeteu essa informação para o Município de Ferreira do Zêzere que, prontamente, disse sim, avançando para a adjudicação das placas e azulejos e respetivo inicio do projeto do Albergue.
Ao atual Executivo, eleito pelo PS, coube fazer o mais fácil, elaborar o procedimento concursal e esperar pela sua construção.
Com os melhores cumprimentos
O Vereador, Hugo Azevedo
Tanta intriguisse politica que parte já de um erro crasso realizado pela administração local.
Areias nunca foi ponto de passagem de peregrinos a Santiago e como tal não está no Caminho Central de Santiago. Inventaram (ou seria melhor dizer, compraram) um desviu por puro interesse econômico sem qualquer fundamentação histórica.
O facto de não estar exatamente no Caminho Central não quer dizer que não possa funcionar como tal.
Boa sorte e wue se resolva o seu fumcionamento a bem dos peregrinos que decidam ir a Areias.