O Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) alertava para uma “vertiginosa influência de uma nova depressão atlântica em Portugal continental que iria provocar um episódio de chuva torrencial nalguns distritos do nosso país”, tendo mesmo ativado o alerta laranja para precipitação forte e trovoada.
Perante este cenário, a anulação do evento esteve em cima da mesa mas S. Pedro achou por bem ouvir as súplicas da Senhora do Ar, padroeira da aviação, e uma janela de tempo razoável a partir do meio dia viabilizou o aguardado Air Show.

Pouco passava das 12 horas e nos céus já evoluíam os seis monomotores da Patrulha Raven. Curiosamente, o nome da equipa acrobática deriva do nome das aeronaves utilizadas: Vans RV-8 um bi-lugar construído em alumínio, locomovido por um motor Lycoming, a debitar 180hp e capaz de impelir os leves aparelhos para as 220mph (354 km/h).
A solo e em formação, a patrulha britânica, usando fumo branco, deixou marcas no céu da sua performance. Sendo presença habitual em Ponte de Sor esta simpática equipa granjeia enorme número de fãs.

Seguiu-se o momento reservado às Forças Armadas. Vindo de sudoeste apresentou-se a mais recente aquisição da Força Aérea Portuguesa (FAP). O segundo Embraer KC390 Millenium, com o número de cauda 26902, a guarnecer a Esquadra 506 “Rinocerontes” vem já completamente equipado segundo os padrões NATO, como nos dizia o Comandante da Esquadra, o Major PilAv Miguel Pousa, de modo a cumprir as missões de de transporte militar multifacetado, para uso tático e logístico, reabastecimento em voo e combate a incêndios florestais.
A aeronave permite também a realização de operações de busca e salvamento, evacuações médicas e missões de ajuda humanitária. Após a aterragem esteve aberto a visitas do público.

A escolta era composta por dois Lockheed Martin F-16 AM que equipam as Esquadras 201 (Falcões) e 301 (Jaguares), ambas sedeadas na Base Aérea nº5 em Monte Real.
A forma graciosa como retiraram para permitir o pouso do KC390 e a dinâmica das suas passagens em configuração de aterragem e a alta velocidade é sempre do agrado dos amantes destas máquinas.

Entretanto outra “personagem” entrava graciosamente em pista a baixa altitude e velocidade. O Westland Lynx Mk95 da Marinha de Guerra demonstrava as suas capacidades perante o numeroso número de aficionados das máquinas voadoras.
A componente aérea da Marinha realiza missões de luta anti-submarina, luta anti-superfície e interdição de área. Desenvolve ainda missões de caráter secundário como transporte de carga e pessoal, reconhecimento e missões de busca e salvamento.
Atualmente, a Marinha opera uma frota de 5 helicópteros Westland Lynx Mk95 a partir das fragatas das classes Vasco da Gama e Bartolomeu Dias.

Encerrado o capítulo das aeronaves de guerra subiram aos céus as máquinas de acrobacia aérea, sempre do agrado do público.
José Lickfold num bonito PITTS S-2A, agora decorado em tons amarelo e preto deixou toda a gente de queixo no ar. O veterano Luís Garção, aos comandos dum veloz EXTRA 330LT, deu show, e o espanhol Sérgio Pla não deixou os créditos por mãos alheias.
As manobras, desafiando as leis da Física, parecendo ignorar a gravidade, são de uma beleza indescritível e do agrado de todos.

A adrenalina estava em crescendo já que a subida dos pórticos verticais de 25 metros antecipavam a entrada das máquinas mais potentes e os pilotos que já militaram na Red Bull Air Race e que preparam um Campeonato do Mundo já para 2025.
Os checos Petr Kopfstein e Martin Sonka , o espanhol Juan Velarde e os franceses Nicolas Ivanoff e Mikael Brageot, todos em EDGE 540, exceto o último, que pilotou um MXS, fizeram suspirar os que tiveram o prazer de assistir às corridas da Red Bull.
As manobras entre pórticos, as famosas “facas” e “meia oito cubana”, realizadas a alta velocidade obrigando os pilotos a suportarem G,s no limite da capacidade humana, foram ponto alto no programa.

Com as nuvens a tornarem-se ameaçadoras enquanto o sol baixava no horizonte, já havia pouca luz quando o KC390 se despediu de Ponte de Sor para abrir espaço para outra “celebridade”.
A transportadora aérea nacional, TAP Air Portugal, que colabora com a organização desde o primeiro minuto, trouxe este ano ao evento o bonito A321Neo, com a matrícula CS-TJR, que ostenta a bonita “retro livery”, a antiga pintura dos aviões nacionais.
Numa equipa de pilotos veteranos sobressaia a presença de Fernando Marinho Pereira, já vencedor de provas do Air Race Championship (ARC) neste mesmo local ao comandos do seu Yakovlev Yak 52.

Já o sol poente pintava de laranja o horizonte quando os FLY4PASSION, equipa de para motor, subiram para a sua performance de luz e cor dividindo as atenções com Pedro Precioso e Hélder Madaíl com os seus magníficos modelos à escala com motorizações de respeito.

Uma tempestade, vinda de oeste, aconselhou o fim prematuro do espetáculo, debandando o público e enchendo-se a tenda dos convidados.
Entretanto do céu caiam milhões de litros de água com o ribombar dos trovões a competirem com o fulgor dos relâmpagos a riscarem os céus. O espetáculo estava terminado. Ou não…

Já passava das 22 horas quando os céus concederam uma trégua e abriram passagem para o fecho com “chave de ouro”. Subiram os Aerosparx, com o seu Night Display, performance de neons e pirotecnia, aliada a arrojadas manobras a solo e sincronizadas.
Um verdadeiro final feliz…

C/ DAVID PEREIRA (fotos)
FOTOGALERIA:































Excelente reportagem.
Bem escrita e que descreveu com precisão e profissionalismo os eventos que marcaram o sábado aeronáutico do Portugal Air Summit 2024 no Aeródromo de Ponte de Sor.
Artigo preciso e muito bem elaborado
Parabéns ao jornalista pelo registo!!!