Por estes dias comemoramos os 50 anos do 25 de Abril de 1974. Uma data histórica assinalada no parlamento, nas autarquias e na rua, de uma forma massiva. Na intervenção que fiz, enquanto Presidente da Assembleia Municipal de Tomar, evoquei que ao comemoramos os 50 anos do 25 de Abril de 1974 – a madrugada eternizada no poema de Sophia – onde um grupo de jovens militares terminou com o estado a que tínhamos chegado, 50 anos depois essa coragem não pode ser esquecida.
Sou o primeiro Presidente desta Assembleia Municipal nascido em liberdade, assim como muitos membros que integram este órgão, entre os quais o próprio presidente da Câmara de Tomar e a maioria dos atuais vereadores. Nascemos e crescemos em democracia e liberdade e assim vamos continuar.
Numa recente sondagem, a data foi considerada a mais importante da História do nosso país por 65% dos portugueses, e 81 % consideram que a transição foi muito positiva. No entanto, é preciso lembrar que a democracia, a liberdade e o 25 de abril estão sempre em construção.
Nada está adquirido, e em democracia o voto é a arma do povo. Seja no contexto europeu, nacional ou local. O poder local democrático é uma conquista de Abril que hoje também relembramos enquanto eleitos.
A História não pode ser esquecida. Eram tempos duros. A Guerra Colonial, a pobreza, e a miséria eram o desígnio de um país fechado e triste. Um país sem acesso à saúde, sem prestações sociais e fechado ao mundo. Era o país de 24 de abril de 1974.
Para aqueles que sonham com 24 de abril, alguns simples dados. A taxa de analfabetismo passou de 25% para 3% e o número de alunos no ensino superior evoluiu de cerca de 50 mil para 500 mil. O serviço nacional de saúde é, certamente, uma das maiores conquistas de abril. E alguns dados são indesmentíveis como o aumento da esperança de vida dos 68 anos para os 81, sendo que também a taxa de mortalidade infantil, a nossa vergonha na Europa, diminuiu dos 37,9 por mil para os 2,6 por mil.
Este número da vergonha de não protegermos as nossas crianças, seria por si suficiente para justificar o 25 de abril. Enquanto agentes políticos, salientei na minha intervenção que temos de combater as desilusões e a insatisfação. Os 50 anos de Abril têm definitivamente um saldo muito positivo e temos de continuar a encontrar respostas adequadas a todos os cidadãos.
Relembro que nos 25 anos do 25 de abril, como aluno da Escola Secundária Jácome Ratton, participei num debate da Assembleia Municipal. E foi devido a esta memória que sempre defendi que os 50 anos da Revolução fossem celebrados em conjunto com as escolas dos agrupamentos escolares. Abril é igualdade.
Como pai de uma menina com um ano, quero que ela possa ser tudo o que quiser. Não quero que a Joana, apenas por ser mulher, esteja condenada a não ter oportunidades, ou para coisas tão simples como necessitar da autorização do marido ou do pai, para se ausentar do país. Que nunca esqueçamos o caminho que ainda tenhamos de trilhar. Viva o 25 de abril.
