Este ano tem ameaçado com o fenómeno da seca, tão pouca tem sido a pluviosidade registada no Outono e Inverno e também no arranque desta Primavera.
Os efeitos das alterações climáticas estão aí para contrariar o “efeito de negação” promovido por alguns céticos.
A falta de pluviosidade e as médias das temperaturas registadas antecipam a época de verão proporcionando gozo de férias antecipado, mas trazendo também preocupações muito graves relativamente ao recurso água e à sua disponibilidade sustentável, o que merece uma reflexão.
Apesar da maioria da superfície terrestre ser ocupada por água, cerca de 70%, apenas 0,65% deste recurso pode ser utilizado, na sua maioria, águas subterrâneas. Acresce a esse facto a distribuição das reservas de água doce existentes ocorrer de forma desigual no planeta sendo as situações mais graves de escassez localizadas nas regiões Norte e subsariana de África, assim como no sudoeste da Ásia.
Para além da sua quantidade, o fator qualidade da água é um aspeto fundamental, dado os elevados níveis de poluição que atualmente se verificam e que inviabilizam grande parte das utilizações, sobretudo para o consumo humano.
Muitos milhões de pessoas não têm acesso a água doce potável e muitos milhares, sobretudo crianças, morrem devido a doenças relacionadas com água, como é o caso da disenteria e da malária.
Sendo a água assumida como um bem essencial à humanidade, a sua utilização é naturalmente um fator gerador de conflitos, tanto mais no caso de países que partilham recursos comuns, como acontece com Portugal e Espanha.
Nos últimos anos tem-se verificado um crescente conflito de interesses, que motivou o estabelecimento de acordos, visando a satisfação de interesses económicos como a produção de energia hídrica e indústrias de abastecimento, mas também a manutenção da integridade e equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.
A Convenção de Albufeira, estabelecida entre Portugal e Espanha, apesar de não apresentar até agora resultados satisfatórios, tem de ser um instrumento fundamental no que respeita à cooperação entre países vizinhos.
Na nossa região, em particular, os problemas associados à utilização e gestão da bacia hidrográfica do Tejo tornam evidente que quaisquer que sejam as estratégias de atuação para combater esta realidade têm que passar, não só pelo uso sustentável dos recursos hídricos, mas especialmente pela resolução de impasses políticos, que atuam como barreira ao desenvolvimento dos países numa ação positivamente comprometida na defesa do bem comum.
A Diretiva-Quadro da Água estabelece como objetivo principal o bom estado de todas as águas europeias, no entanto Portugal continua a apresentar deficiências apesar de todo o caminho percorrido que nos é reconhecido a nível internacional como “o milagre português”.
Na origem dos níveis de poluição destacam-se ainda baixos níveis de saneamento e tratamento de águas residuais, a fragilidade das ações e processos da fiscalização e aplicação de coimas a indústrias poluentes e a utilização excessiva de fertilizantes e pesticidas na agricultura.
Para além da responsabilidade inerente à Administração Central e Local, os movimentos ambientalistas e as escolas desempenham um papel preponderante na transformação de ideologias e formas de atuação, sendo portanto um dos veículos de importância crucial para a sensibilização para a problemática da água.
Os aspetos a abordar são vastos, quer à escala das ações quotidianas, através da educação para a sustentabilidade, designadamente dos hábitos de poupança de água e outros produtos poluentes e consumidores de água, quer ainda à escala da manutenção dos ecossistemas vivos e é essencial que as crianças e os cidadãos em geral compreendam o ciclo hidrológico e as implicações que advêm da interferência do homem, salientando quais as utilizações mais lesivas e as ações minimizadoras de impactes que uma cidadania ambientalmente culta deve adotar e denunciados os crimes que lesam esse património comum.
Este é um ano que pelas suas caraterísticas de anormalidade terá de servir para ampliar esse alerta pedagógico e cívico!




Artigo bem elaborado. Permito-me destacar do texto o seguinte parágrafo: “Na origem dos níveis de poluição destacam-se ainda baixos níveis de saneamento e tratamento de águas residuais, a fragilidade das ações e processos da fiscalização e aplicação de coimas a indústrias poluentes e a utilização excessiva de fertilizantes e pesticidas na agricultura.” E então eu pergunto face ao exposto e ao reduzido funcionamento de uma grande ETAR que passo a especificar: Quanto é que custou a ETAR de Minde/Mira de Aire? Foi uma das poucas obras louváveis, porque raras, intermunicipais (Alcanena/Porto de Mós) e de dois Distritos: Santarém/Leiria. Mas quanto é que custou? E ao fim de tantos anos qual é a percentagem das ligações das indústrias, comércio e serviços, para além das habitações das duas vilas?Quem é que suportou os custos, quem é que suporta a manutenção para a eficiência que afinal é muito relativa? A obra fez-se. Será que o funcionamento da mesma está a atingir os minimos previstos quando a obra foi idealizada? Já que estamos a falar de poluição, alguém sabe a razão dos maus cheiros terem voltado recentemente a Alcanena depois de ter sido acabada recentemente a obra do chamado Sistema de Alcanena? Algo está mal. Não há garantias da obra? Razões, procuram-se. E assim o ambiente tem que se queixar. Gasta-se o dinheiro e os resultados são o que são. Assim, não está bem.