Apesar do forte caudal do Tejo, as águas do rio apresentam uma tonalidade acastanhada desde a zona de Ortiga, em Mação, e formam uma espuma na zona do açude de Abrantes. A preocupação com a situação “anormal” e um alegado crime ambiental levou pescadores e ambientalistas a denunciarem o caso às autoridades.
A situação foi transmitida ao mediotejo.net por Armindo Silveira, ativista ambiental, tendo dado conta que a informação foi transmitida esta manhã por pescadores da zona de Ortiga e por Alindo Marques, conhecido como o ‘guardião do Tejo’, a informar que “a água do rio Tejo estava muito castanha, na zona de Ortiga, como há muito não se via”.
ÁUDIO | ARMINDO SILVEIRA, AMBIENTALISTA:
“Cerca das 15:00 desloquei-me ao açude insuflável de Abrantes e verifiquei que a água também está ali acastanhada como há muito não via, e eu continuo a ir regularmente ao rio. Verifiquei igualmente que se forma uma espuma que, embora estivesse a chover e o rio apresentasse um caudal volumoso, a mesma não é dissolvida e alonga-se na direção de Tramagal”, indicou.
“Fiz a exposição via telefone ao SOS Ambiente e Território que registou a queixa e informou que a iria encaminhar para as entidades locais que, neste caso, presumo que seja o SEPNA”, disse Armindo Silveira.




O ministro do Ambiente, à altura João Matos Fernandes, apresentou em 2019 em Abrantes os cinco novos vigilantes da natureza que iriam fiscalizar e monitorizar os recursos naturais, a quem designou de “guarda-rios”, assegurando que “a impunidade acabou” para os poluidores do Tejo.
“A impunidade acabou e não acabou hoje. Isso dissemos logo há dois anos, com tudo aquilo que foi a criação de um plano integrado de fiscalização ambiental para todo o país, que não existia, e onde diversas entidades com diferentes competências exerciam funções sem que cada um conhecesse o trabalho umas das outras e, por isso, a impunidade está extraordinariamente reduzida desde essa altura”, disse João Matos Fernandes, na cerimónia de assinatura de contrato dos cinco novos vigilantes da natureza, no âmbito do projeto Tejo Limpo.
Para o então ministro do Ambiente e da Transição Energética, “mais importante, além de reduzir a impunidade, era reduzir o risco, isto é, melhorar a qualidade da água paulatinamente”, bem como assegurar que vão deixar de acontecer episódios como o do “fatídico dia 24 de janeiro” de 2018.
Na altura, o rio Tejo transformou-se, na zona de Abrantes, num mar de espuma.
