Em declarações ao mediotejo.net, António Falcão de Carvalho, agricultor que partiu de Tramagal (Abrantes) para se juntar a este protesto na Chamusca ainda o sol não tinha nascido, justificou esta demonstração de protesto , com “o descontentamento com o que se passa” no setor agrícola e com a “falta de respeito e de consideração” para com os agricultores que se sentem “completamente abandonados”.
“Estamos a viver situações muito difíceis e esta situação com o pagamento das ajudas já fora de prazo e com cortes significativos, praticamente sem aviso, o que revela uma falta de respeito enorme para com os agricultores, provocaram a indignação e foi o despoletar desta situação e de dizermos que não pode ser e que tem de se começar a olhar para este setor de outra maneira”, num sentimento que disse “generalizado”.

ÁUDIO | ANTÓNIO FALCÃO CARVALHO, AGRICULTOR EM PROTESTO NA CHAMUSCA:
Agricultores do Ribatejo e Oeste estão concentrados esta quinta-feira, desde as 06:00, num protesto pacífico na Ponte da Chamusca, numa marcha lenta com a presença de mais de uma centena de tratores e de 800 agricultores, com o trânsito bloqueado ou a processar-se de forma bastante lenta, e com “filas a perder de vista”.
E se foi assim de manhã, o mesmo acontece de tarde, com o bloqueio a regressar à Chamusca e à Golegã depois da GNR ter impedido o acesso dos manifestantes à A23.

GNR corta acesso de manifestantes à A23
A GNR cortou perto da hora de almoço o acesso à Autoestrada 23 (A23) e impediu a entrada naquela via de agricultores do Oeste e Ribatejo que queriam bloquear o trânsito.
Os cerca de 800 agricultores e 100 tratores que participaram hoje de manhã numa marcha lenta na Ponte da Chamusca, decidiram depois dirigir-se para a A23 para cortar a via ao trânsito.
No entanto, a GNR cortou o acesso à autoestrada, o que impediu os agricultores de bloquear a via.

Os agricultores reorganizaram-se e dividiram-se em dois grupos que tentaram aceder à A23 em carrinhas, por outras vias de acesso, para cortarem o trânsito, mas sem sucesso, tendo todos regressado à ponte da Chamusca, onde se mantinham em protesto cerca das 18h00.





Em declarações à Lusa, na quarta-feira, reagindo ao anúncio do Governo relativo a um pacote de apoio ao rendimento dos agricultores no valor de quase 500 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar a Política Agrícola Comum (PAC), Nuno Mayer, porta-voz do Movimento Civil Agricultores de Portugal nesta região, garantiu que no Ribatejo e Oeste, “os agricultores não vão desmobilizar” até que “as promessas se concretizem”.
“Os agricultores estão reconhecidos que o Ministério da Agricultura tenha entendido a asneira que fez, ao fazer mal os cálculos e tenha voltado atrás” disse, considerando trata-se de “um primeiro gesto de boa vontade”.
Porém, vincou: “o banco que está à espera que eu pague o adiantamento destas ajudas não vai ter a boa vontade de esperar pelo dinheiro”, tal como “os fornecedores de sementes, de serviços de adubos”.
Portanto, rematou, “é ver para crer”, já que os agricultores não desconvocaram o protesto.

O protesto do Movimento Civil Agricultores de Portugal, um movimento civil espontâneo e apartidário que une agricultores e sociedade civil em defesa do setor primário, ocorre desde as 06:00 de quinta-feira, em várias regiões do país.
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