Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, orgulha-se há duzentos anos de ter no concelho a referência que confirma ser ali o Centro Geodésico de Portugal. Contudo, é no concelho de Mação, no distrito de Santarém, que se encontrará o Centro Geométrico. Qual é o “verdadeiro” Centro de Portugal, então? A polémica estalou há mais de uma década quando o professor João Filipe Queiró, da Universidade de Coimbra, revelou os seus cálculos. O matemático esteve em Abrantes para os explicar, numa palestra promovida pela Academia Tubuciana.

Foi o matemático e astrónomo Francisco António Ciera quem primeiro definiu, em 1802, onde ficava o Centro de Portugal. Havia sido mandatado pela Rainha D. Maria I para percorrer o país e elaborar a “Carta Geográfica do Reino”, e apontou o Picoto da Melriça, em Vila de Rei.

Duzentos anos depois, o matemático João Filipe Queiró juntou outras contas às de Ciera, procurando saber se o centro Geométrico e Geográfico coincidiriam com o Centro Geodésico.

Para compreender as diferenças, há que referir que o Centro Geodésico refere-se a um ponto encontrado num sistema de coordenadas, enquanto o Centro Geográfico se refere ao centro de uma figura geométrica. É em Vila de Rei que está marcada na cartografia nacional a coordenada 0,0, ou seja, é a partir daquele ponto que se fazem todas as medições, em latitude e longitude. E está num ponto tão alto que dali parece avistar-se o país inteiro.

Mas o Centro Geográfico estará a 11 quilómetros dali, noutro concelho e noutro distrito; em Mação, numa triangulação de vértices entre as localidades de Amêndoa e Arganil, e num fundão, segundo João Filipe Queiró. Para este matemático, apesar da pequena margem de erro, o Centro de Portugal não ficará no Picoto da Melriça, em Vila de Rei, mas sim no concelho vizinho.

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Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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1 Comentário

  1. Hello, Bom Dia! This piece of article is really a very good source and concrete data for administrative and planning authorities.

    Thanks to mathematical genius Respected Mr. Joào Queirò and Paula for this insightful piece. Personally, I am not a city guy and believe that villages are the roots of a nation providing resources and should not be neglected.

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