CIM do Médio Tejo diz que localização do futuro aeroporto não favorece coesão territorial. Foto: DR

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo lamentou hoje a escolha de Alcochete para construir o novo aeroporto, ao invés da opção Santarém, tendo afirmado que a escolha da margem sul do Tejo não favorece a coesão territorial nem o “atenuar das assimetrias” do país. A CIM lembra a necessidade da conclusão do IC3 e do IC9 e defende a passagem do aeródromo Militar de Tancos a aeroporto regional.

Em comunicado hoje enviado pela CIM, em tomada de posição face à recente decisão do Governo de localização do novo aeroporto internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, a CIM Médio Tejo, com sede em Tomar, “lamenta a opção tomada por uma localização na margem sul” do Rio Tejo, tendo defendido as vantagens da opção Santarém no “atenuar das assimetrias” territoriais do país.

“Como sempre defendemos, a localização em Santarém era a opção que melhor defendia a coesão territorial, que aproximava diferentes regiões, exigia um menor esforço em infraestruturas, e que daria, de facto, um contributo decisivo no atenuar das assimetrias do país”, pode ler-se na posição conjunta dos 11 municípios que integram a CIM Médio Tejo.

Em declarações ao mediotejo.net, Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo, destacou a posição conjunta dos 11 municípios sobre a localização do futuro aeroporto e das necessidades da região para o seu desenvolvimento económico e social.

O autarca abrantino Manuel Jorge Valamatos, é o presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e tem como vice-presidentes os autarcas de Mação e de Ferreira do Zêzere. Foto: mediotejo,net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CIM MÉDIO TEJO:

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou na terça-feira que o Governo aprovou a construção do novo aeroporto da região de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, seguindo a recomendação da Comissão Técnica Independente (CTI).

O Campo de Tiro da Força Aérea, também conhecido como Campo de Tiro de Alcochete (pela proximidade deste núcleo urbano), fica maioritariamente localizado na freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente (distrito de Santarém), tendo ainda uma pequena parte na freguesia de Canha, já no município do Montijo (distrito de Setúbal).

O município ribatejano de Benavente, com cerca de 521 quilómetros quadrados, fica na fronteira do distrito de Santarém com a Área Metropolitana de Lisboa (AML) e a menos de meia hora de entrada em Lisboa.

Face à decisão tomada, a CIM Médio Tejo salienta, no comunicado, a “necessidade de fazer acompanhar a construção do novo aeroporto de um conjunto de infraestruturas imprescindíveis”, nomeadamente para a sub-região Médio Tejo.

“Entre estas, para o Médio Tejo, mas também para todos os acessos norte e interior ao novo equipamento, assumem especial destaque a conclusão da A13 entre Vila Nova da Barquinha e Almeirim, com resolução da travessia do Tejo na zona da Chamusca, assim como a conclusão do IC9, entre a A23 e  Ponte de Sôr, com resolução da travessia do Tejo entre  Abrantes e Constância, ambas previstas no Plano Rodoviário Nacional”, indica.

Para a CIM Médio Tejo, “sem estas vias, há toda uma parte do país que ficará ainda mais distante e à mercê do acentuar das desigualdades territoriais”.

Liderada por Manuel Jorge Valamatos, que também preside ao município de Abrantes, a CIM do Médio Tejo dá ainda conta que “retomará agora o diálogo já encetado entre diferentes organismos tendo em vista a possibilidade de abertura do aeródromo Militar de Tancos a uma utilização partilhada militar-civil, potenciando o aproveitamento daquela infraestrutura também como aeroporto regional”.

Além do novo aeroporto, que se vai chamar Luís de Camões, o Governo decidiu também mandatar a Infraestruturas de Portugal para concluir os estudos para a construção da Terceira Travessia do Tejo e da ligação ferroviária de alta velocidade Lisboa-Madrid.

As comunidades intermunicipais das regiões do Médio Tejo, Beira Baixa, Leiria e Coimbra assumiram em junho do ano passado uma posição pública conjunta na defesa da escolha de Santarém, considerando esta a opção ideal.

A CIM Médio Tejo integra os concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

c/LUSA

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Agência de Notícias de Portugal

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