Aeródromo de Ponte de Sor acolhe aeronaves de grande porte para manutenção. Foto: DR

Aterrou ao final da tarde de sexta-feira, no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, um Airbus A320 da White Airways, proveniente do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, sendo o primeiro avião de grande porte a aterrar ali para manutenção. Este é o segundo Airbus A320 da história a aterrar naquele aeródromo, depois de um Airbus A320 da SATA, em 2022, no âmbito do Portugal Air Summit.

O presidente da Câmara de Ponte de Sor, Hugo Hilário, não escondeu a satisfação pelo arranque do projeto de manutenção de aeronaves de grande porte e falou num momento histórico para o concelho.

“O primeiro de muitos! Primeira aeronave de grande porte (Airbus a320) a aterrar no nosso aeródromo Municipal para manutenção. Obrigado a todos os que nos ajudaram a atingir este marco histórico e obrigado também aqueles que nunca acreditaram, nunca acreditam e simplesmente insistem em criticar sem conhecimento, sem fundamento e sempre e só por dizer mal. Para esses, já poucos, dizer-lhes que dessa forma apenas fazem com que trabalhemos ainda mais e melhor! Ponte de Sor já é um Concelho do mundo e a esmagadora maioria dos seus habitantes tem um enorme orgulho nisso. Parabéns Ponte de Sor”, afirmou o autarca, numa publicação na sua página pessoal nas redes sociais.

O responsável da Aeromec, no decorrer do Portugal Air Summit, no final de outubro, falou sobre este projeto tendo indicado que, na altura, estavam a formar técnicos para a operação a realizar naquele espaço. O projeto deverá arrancar com 25 trabalhadores qualificados, num investimento que ascende já a um milhão de euros, segundo os promotores. Esta operação é direcionada para aviões civis e militares, com um “olhar” para o mercado nacional, mas “acima de tudo” para o internacional.

Em declarações à agência Lusa, no Air Summit, o diretor de inovação e desenvolvimento de negócio da Aeromec, Eduardo Nunes, explicou que a empresa que se dedica à manutenção de aeronaves, há mais de 30 anos, estava a preparar um hangar naquele aeródromo “com seis mil metros quadrados”, e com “capacidade para acomodar três aeronaves, do tipo Airbus A320”.

“Nós estamos neste momento a certificarmo-nos, junto das autoridades aeronáuticas, para que o nosso hangar possa receber aviões de grande porte e possamos iniciar os serviços de manutenção aeronáutica”, disse, na ocasião, com o primeiro avião de grande porte a aterrar em Ponte de Sor na sexta-feira.

“Estamos também já neste momento a formar técnicos, temos também já um contrato com uma companhia aérea para fazer em Ponte de Sor os serviços de manutenção e, portanto, estamos a fazer um grande investimento em equipamentos para que o hangar tenha todas as condições para ser certificado e darmo-nos início às operações”, sublinhou.

De acordo com Eduardo Nunes, esta operação é direcionada para aviões civis e militares, com um “olhar” para o mercado nacional, mas “acima de tudo” para o internacional.

“O número de técnicos nesta fase inicial vai ser de cerca de 25, mas depois com perspetivas de crescimento nos próximos anos que podem atingir 60, 80, 100 técnicos”, acrescentou.

O diretor de inovação da Aeromec indicou ainda que estão a investir na formação, tendo já desenvolvido com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) cursos de mecânico aeronáutico.

“Vamos necessitar de jovens, acreditamos que será uma oportunidade para fixar jovens nesse território, porque é uma atividade muito bem paga”, alertou.

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Câmara de Ponte de Sor, Rogério Alves, considerou, na ocasião, que esta operação no aeródromo “é um marco histórico”, sendo “mais um setor” que se abre naquele ´cluster` aeronáutico.

“Não tínhamos ainda este tipo de atividade, tínhamos a manutenção de aeronaves destinadas às escolas de pilotos”, observou.

Para o autarca, que tem a seu cargo o pelouro do Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, é um “novo ciclo” de investimento que começa naquele espaço.

Rogério Alves garantiu ainda que a autarquia espera também dar resposta à mão de obra qualificada que é esperada em Ponte de Sor, nomeadamente ao nível da habitação, educação, cultura e desporto.

Air Summit importante para a “valorização dos territórios de baixa densidade” – Ministro

Na cerimónia de abertura do Portugal Air Summit, na manhã de quinta-feira, o presidente da Câmara de Ponte de Sor, Hugo Hilário, recordou a evolução do evento, tendo lembrado que, em 2017, na primeira edição da cimeira, contaram com “cerca de 65 expositores” e que, na edição deste ano, estão presentes “mais de uma centena” de expositores ligados ao setor da aeronáutica.

“Nas primeiras conferências, em 2017, participaram cerca de 70 oradores, na última edição foram 203. O número de visitantes também duplicou, na primeira edição 12 mil pessoas visitaram o nosso aeródromo e, em 2022, foram quase 24 mil pessoas”, sublinhou.

Para Hugo Hilário, o que é ainda “mais importante e determinante” é o impacto económico da iniciativa.

“Em sete edições passamos de volume de negócios gerados de cerca de cinco a 10 milhões de euros por edição para 150 milhões de euros na edição de 2022”, disse.

O Portugal Air Summit decorre este ano no Aeródromo de Ponte de Sor, sob o tema ‘Flying 4 Change’.

Manuel Castro Almeida, Ministro Adjunto e da Coesão Territorial, afirmou, por sua vez, que a cimeira aeronáutica Portugal Air Summit é um evento que valoriza os territórios de baixa densidade.

“Mostra que, a ideia de que o interior está destinado a ser o mundo rural apenas, é uma ideia falsa, é possível um município do interior estar no topo da tecnologia e isso é a razão que nos faz pensar que a ambição é decisiva para o desenvolvimento do país”, disse.

“Um município do interior não tem de se resignar à pobreza, não tem de se resignar a ser um celeiro de Portugal, pode ser também um mundo de ideias, de ambição, de criatividade, tecnologia, de inovação”, acrescentou.

Para o governante, o Portugal Air Summit faz com que Ponte de Sor esteja nesta altura “no centro do mundo” da aeronáutica.

Manuel Castro Almeida sublinhou ainda as assimetrias na coesão territorial, tendo acrescentado que as zonas de baixa densidade beneficiam “mais do que o resto do país” dos fundos europeus, estando o Governo a preparar legislação para “reforçar ainda mais” o peso da baixa densidade nos fundos europeus.

“Queremos diminuir estas diferenças entre o interior e o litoral. O interior é muito mais pobre do que o litoral e nós queremos atrair mais empresas para o interior do país e por isso vamos financiar mais fortemente os empresários que queiram que optem pelo interior para localizar as suas”.

“Os investimentos que venham a ser feitos em territórios de baixa densidade, nas zonas do interior, vão ser bastante mais financiados do que se o mesmo investimento fosse feito numa zona do litoral, numa região de alta densidade”, disse.

Em declarações aos jornalistas, o presidente do município de Ponte Sor, Hugo Hilário, afirmou que as expectativas “são altas” e que previa ser a maior edição de sempre do Portugal Air Summit.

ÁUDIO | Hugo Hilário, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor

“É um instrumento promocional que criámos aqui há uns tempos e que se tornou na maior cimeira aeronáutica da Península Ibérica, acrescentando valor e promovendo o nosso aeródromo municipal”, disse.

O cluster que se encontra instalado na infraestrutura do aeródromo tem como principal objetivo a atração de investimento, criando emprego e, consequentemente, riqueza no concelho, afirmou o autarca.

“O impacto deste projeto já tem, nos últimos anos, ultrapassado mesmo as fronteiras do município de Ponte de Sor. Já é um projeto de nível nacional e também com alguns players internacionais”, declarou.

“É aproveitar estes dias do Portugal Air Summit para fazer negócio, para fazermos contactos, para consolidarmos cada vez mais este projeto do aeródromo e é para isto mesmo que serve”, acrescentou o edil.

O Portugal Air Summit é promovido pelo município em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Ponte de Sor (ACIPS) e tem como objetivo servir de “debate e inovação” para o setor, reunindo especialistas, decisores e entusiastas nesta área.

(c/Lusa)

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *