O dia começou cedo quase encostado ao nascer do sol. A excitação controlada contrastava com a ansiedade disparada. A pequenita parecia que adivinhava o que se estava a passar. Acordou bem disposta, ainda mais bem disposta do que era normal.
Às rotinas matinais habituais acresceram os novos cuidados. Fato de banho de bebé, fralda de praia, chapéu e protetor solar, muito protetor solar.
Saímos cedo de casa. A pequenita irradiava felicidade. Sorria, batia palmas, parecia que adivinhava que estava a minutos de queimar uma nova etapa na sua ainda curta existência.
O caminho até à praia foi curto e depressa lá chegámos. Era uma realidade, a pequenita estava na praia, o seu primeiro dia de praia.
Os sorrisos continuaram e o “novo” era a palavra de ordem. A areia da praia, as gaivotas, as algas, a água do mar. Mais tarde começaram a chegar mais novidades. O começo do reboliço e da agitação, meninos a brincar, bolinhas a serem apregoadas, mais veraneantes que iam chegando e, sem preocupação que por acaso rima com sem educação, quase se sentavam ao nosso colo sem pedir autorização.
Entretanto, de repente, quase sem anunciar, a estranheza da surpresa neste admirável mundo novo em que “mergulhava” a pequenita. A areia da praia começou a fazer impressão, as ondas do mar começaram a assustar, a confusão começou a incomodar. Espirros, uns atrás dos outros, criavam a metáfora quase perfeita para o desconforto da pequenita.
Mas o dia seguia e como o que se estranha também se entranha, de repente, os primeiros passos na areia. Tentativa, pelo menos. Que momento hilariante. Um pé no chão, o outro no ar numa tentativa imperfeita de imitar uma garça real com todo o corpo a tremer.
O primeiro dia de praia estava longe de ser o dia perfeito que tinha sido imaginado, mas agora que penso nisso, não deixou de ser um dia muito divertido que criou momentos que ficarão guardados para sempre nas gavetas mais bonitas das nossas memórias.
Desculpem o egoísmo desta crónica, mas como devem ter percebido, tenho estado afastado do mundo e apenas me tenho preocupado em acompanhar os desenvolvimentos do resgate na Tailândia.
Na próxima semana voltarei a olhar para “os males do mundo”. Por estes dias, continuarei mergulhado no “melhor do meu mundo”.
