Joana Costa, presidente do Rotaract e André Dias, presidente dos Projetos Humanitários. Foto: mediotejo.net

Com o principal objetivo de “apoiar crianças e jovens com necessidades”, o Rotaract que, atualmente conta com cerca de 25 membros, propôs-se a angariar material essencial para o percurso escolar de 14 crianças residentes no concelho de Abrantes. Para o efeito, desenvolveram um conjunto de atividades que lhes permitiu alcançar um montante que ascendeu aos quatro dígitos e duplicar o objetivo inicial, conseguindo apoiar um total de 30 crianças.

O mediotejo.net foi conhecer o projeto e esteve à conversa com a atual presidente do Rotaract, Joana Costa, e com o presidente dos Projetos Comunitários e Humanitários, André Dias.

Aos 27 anos, Joana Costa é a atual dirigente do clube abrantino que “trabalha como uma equipa”, mas que se encontra dividido em grupos de projetos. André Dias, 23 anos, é o presidente dos Projetos Comunitários e Humanitários, grupo responsável pela concretização do projeto “Ação e Educação”.

Foi através do Curso de Liderança, promovido pelo Rotaract, que André Dias teve contacto com o movimento rotário. Ingressou no Interact de Abrantes tendo continuado o seu percurso no Rotaract aos 18 anos. Desde aí tem “estado sempre ativo” e desempenhado vários cargos no clube.

A experiência de Joana Costa foi diferente, uma vez que a jovem foi uma das bolseiras do Rotary Club de Abrantes que, todos os anos, atribui bolsas de estudos a jovens estudantes do ensino superior. Tornou-se bolseira no segundo ano da universidade, tendo contactado com o Rotary e integrado o Rotaract no ano passado.

Trata-se de um clube que une jovens a partir dos 18 anos numa constante troca de ideias, para que possam aprimorar as suas habilidades de liderança, adquirir soft-skills e ajudarem o próximo, através do desenvolvimento de projetos humanitários.

Ao mediotejo.net, André Dias, explicou que o “Ação e Educação” surgiu com o desafio de pensar “num projeto que pudesse ser desenvolvido nos próximos anos e que tivesse impacto junto da comunidade abrantina”.

“Surgiu de uma confluência de ideias. Eu tinha uma ideia inicial, os colegas também deram o seu contributo e formámos o projeto “Ação e Educação”. Com cerca de cinco ou seis pessoas chegámos a este projeto”, explica.

O objetivo principal passava por “colmatar uma falha” existente, que os jovens identificaram e que se prende com a falta de ajudas estatais para o fornecimento de material extracurricular a crianças carenciadas.

“O Estado já apoia os jovens e crianças com défice para adquirir material escolar. Contudo, na questão do material extracurricular para atividades também extracurriculares, seja a educações físicas, os desportos, etc, nós realmente identificámos essa necessidade”, afirma André.

Focados no objetivo definido, colocaram “mãos à obra” e uniram esforços para conseguir, além do material escolar essencial, angariar o material extracurricular para 14 crianças.

O objetivo a que os jovens rotaractistas se propuseram foi atingido com sucesso, afirma André Dias, com base em “três importantes contributos”.

“Em primeiro lugar, o esforço dos membros do Rotaract. Em segundo lugar e muito importante, foram todos os patrocinadores”, nomeadamente as empresas abrantinas que apoiaram monetariamente e em espécie. Em terceiro lugar, os jovens apontam a “boa vontade dos abrantinos” que se associaram à causa, através da compra de rifas, donativos anónimos e na participação em iniciativas organizadas pelo clube.

As iniciativas tiveram um objetivo comum: o de permitir angariar o montante necessário para a aquisição do material. Entre as diversas atividades realizadas, destaque para o Torneio de Padel organizado em conjunto com o Clube de Padel de Abrantes e dois momentos de venda de rifas, com o apoio dos patrocinadores, o que permitiu elevar a fasquia com “prémios um bocadinho mais saborosos e, assim, subir também o preço das rifas”, explica a atual presidente.

“Felizmente, tivemos a sorte de chegar aos quatro dígitos. Ou seja, tudo aquilo que angariámos de donativos e mesmo fora de donativos, conseguimos chegar aos quatro dígitos, o que é muito bom”, afirma André.

Com a união de esforços e vontades, o objetivo inicial não só foi conseguido, como também largamente ultrapassado. “É ótimo porque tínhamos pensado, inicialmente, ajudar 14 crianças, o que já nos parecia na altura super ambicioso e acabámos por conseguir ajudar 30”, complementa Joana.

Quanto às crianças a ajudar, André Dias conta que o Rotaract se propôs a ajudar dois conjuntos de crianças. “O primeiro, crianças sinalizadas pela CPCJ e residentes no concelho de Abrantes. Por outro lado, ajudámos também o rojeto YOLOabt.com-E9G, pertencente ao Programa Escolhas, que ajuda crianças migrantes que estão a residir agora e a estudar em Abrantes”.

Joana Costa e André Dias. Foto: mediotejo.net

Após um ano de trabalho, entre reuniões e concretização de eventos, o material angariado foi entregue à CPCJ no final de outubro que, posteriormente, procedeu à sua entrega às famílias, momento que Joana Costa afirma ter sido “muito gratificante”.

“As pessoas que tiveram contacto connosco mostraram-se extremamente agradecidas e até falaram no facto de serem gerações tão diferentes e estarmos dispostos a ajudar e que era muito bom podermos contar com estas parcerias no futuro”, sublinha,

Quanto ao YOLOabt.com-E9G, projeto de inclusão e integração social financiado pelo Programa Escolhas, o Rotaract esteve presente no momento da entrega, na sede da associação, localizada na Encosta da Barata, onde foi possível contactar com as crianças.

“Aí já foi um entusiasmo diferente porque elas estavam muito curiosas, a perguntar o que era. Parecia mais ou menos como entregar prendas no dia de Natal. Foi muito giro”, afirma Joana.

Questionados sobre o grande objetivo do Rotaract e a missão a que se propõem enquanto jovens rotários, André afirma que para além das vertentes humanitária e social, está muito relacionado com “atuar onde, às vezes, o Estado ou outras entidades não atuam”. “Ou seja, o Rotaract pressupõe que nós façamos aqui projetos que tenham impacto e, acima de tudo, que sejam projetos de continuidade”.

“Acho que ajudar o próximo é mesmo a definição do que nós temos de fazer. Há uma atividade completamente voluntária da nossa parte e todos os nossos grupos de projeto têm como fim ajudar a comunidade de alguma forma”, acrescenta Joana.

No entanto, a atividade dos rotaractistas abrantinos não se cinge a este projeto. Ao longo do ano realizaram ainda atividades como o Futuract, um momento que procurou esclarecer as dúvidas dos jovens estudantes sobre o seu futuro académico. Para o efeito, convidaram estudantes do ensino superior de diversas áreas que ajudaram a esclarecer os estudantes do ensino secundário.

Tendo em conta o “sucesso da iniciativa”, espera-se que a terceira edição possa vir a ocorrer no próximo ano. “Quem sabe no próximo ano não tenhamos uma nova edição?”, desvenda André.

Para além do apoio à Liga Portuguesa Contra o Banco e ao Banco Alimentar nas suas campanhas de recolha, o Rotaract realiza também mini-cursos, projeto de continuidade que procuram manter, tendo realizado um “mini curso de língua gestual” no dia 7 de dezembro.

Para o futuro, os jovens irão “tentar manter a continuidade daquilo que correu bem e talvez lançar novos projetos”, afirma André. “Apelar também um bocadinho a quem se quiser juntar a nós e que tenha interesse. Toda ajuda é bem-vinda, assim como todas as ideias”, desafia o jovem.

Quanto ao clube, André explica que se trata de um grupo de jovens entre os 18 e os 30 anos onde se “formam os líderes do futuro”, permitindo-lhes adquirir um “conjunto de soft skills e que, no futuro, poderão aplicar na sua área laboral”.

“Trocado por miúdos e num ponto de vista mais emocional, acho que é mesmo um grupo de jovens que disponibilizam o seu tempo para tentar criar novos projetos, ter projetos de continuidade, fazer eventos, ajudar a comunidade (…) Ajudamos a formar-nos também nós próprios como melhores pessoas, ajudando os outros, porque nós aprendemos muito uns com os outros”, afirma Joana Costa.

Para 2025 deixam o desejo de dar continuidade ao projeto de angariação de material escolar, embora ainda não sejam ainda desenhados os moldes em que o mesmo irá ocorrer na próxima edição.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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