Feira Nacional de Doçaria Tradicional regressa a Abrantes de 24 a 26 de outubro. Foto arquivo: mediotejo.net

A cidade de Abrantes volta a pôr à prova os ex-libris da doçaria conventual e tradicional portuguesa durante este fim-de-semana, com a XXII Feira Nacional de Doçaria Tradicional, na Esplanada 1º de Maio, onde 37 expositores de norte a sul do país e das ilhas marcam presença, com stands recheados de muitas dezenas de iguarias, da receita mais clássica à mais recente inovação.

Entre a doçaria típica estão as compotas, o mel e os licores, e por certo não faltam as montras tipicamente abrantinas, onde 12 doceiros do concelho dão a provar as anfitriãs do certame: a palha de Abrantes, as tigeladas e as broas fervidas.

A tenda onde decorre a feira abriu ao público às 17h00 de sexta-feira, mas já a fila se fazia para a corrida aos doces prediletos com receio que esgotassem ou para levar para casa e fazer as delícias da família durante o fim de semana. A inauguração fez-se no meio de uma enchente de visitantes que já (a)provava os doces e percorria os stands enquanto saboreava o que havia adquirido.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, abriu o certame acompanhado da secretária de Estado do Mar, Lídia Bulcão, (que substituiu o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado), e de Anabela Freitas, vice-presidente da Turismo do Centro, juntamente com outros autarcas locais, presidentes de junta e representantes de entidades civis, militares e forças de segurança, e outros.

Aludindo ao facto de Abrantes, por esta ocasião, se transformar na capital da doçaria tradicional portuguesa durante três dias “acolhendo os sabores que fazem parte do nosso património gastronómico e cultural”, o autarca indicou a participação recorde de 37 expositores, com 25 doceiros vindos de norte a sul do país e das ilhas da Madeira e Açores a que se juntam os 12 doceiros do concelho. Este ano contam-se mais dois expositores locais e dois expositores nacionais (Guimarães e Santa Maria da Feira).

“Voltamos a colocar a nossa palha de Abrantes como a grande embaixadora da doçaria abrantina. Sempre na boa companhia das nossas tigeladas e das broas, completando este certame com os nossos licores, compotas e mel”, enumerou o edil.

“Falamos de sabores que contam e celebram a história de Abrantes e da nossa região, e mesmo do país, e que fazem parte daquilo que somos. Doces que nos transportam para as memórias de infância e celebrações familiares, e que queremos continuar a preservar e a valorizar com dedicação para que possam ser passados de geração em geração. É esse legado que procuramos manter vivo, adaptando-o aos nossos tempos, sem nunca perder a sua essência, para que estes sabores e valores de sempre continuem a fazer parte do nosso futuro”, frisou.

Foto: mediotejo.net

O presidente de Câmara salientou ainda que esta feira vai além dos doces, sendo exemplo disso o programa deste ano que inclui atividades complementares que pretendem não só encher as medidas aos abrantinos como a todos os que visitam o concelho, incluindo espetáculos musicais, atividades desportivas, workshops e oficinas de doçaria, demonstrações ao vivo, atividades infantis e animação, com destaque para a presença da mascote Palhinhas.

Este ano a exposição sobre o Palhinhas conta com 58 trabalhos criados por 1772 alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico do concelho. Também nove IPSS se fazem representar com trabalhos manuais.

Falando num “espírito de união” e da valorização da identidade de Abrantes e do que de melhor se faz no concelho, o autarca frisou a importância deste evento para dinamizar a economia local e promover o turismo na região.

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ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Por seu turno, Conceição Pereira, coordenadora técnica da TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, falou na importância desta “montra de sabores” que é “uma celebração profunda do nosso património, uma homenagem ao que de melhor se faz na nossa região e no nosso Portugal”.

“Cada doce e cada receita aqui presente transportam o saber, as memórias, e o carinho de gerações que moldaram a nossa identidade”, afirmou, tendo destacado a parceria entre a associação e o município com o “compromisso de apoiar e promover o desenvolvimento sustentável e a preservação das tradições”.

A Feira de Doçaria é “um exemplo perfeito desta missão, pois valoriza a economia local, dá visibilidade aos nossos pequenos produtores que são os guardiões dos sabores e dos valores que os definem”, frisou.

A TAGUS destacou ainda o envolvimento de todas as associações neste certame, bem como as escolas, as IPSS, e também a mascote Palhinhas, esperando que a Feira Nacional de Doçaria Tradicional possa ser “sempre um ponto de encontro, de partilha e de descoberta do que é verdadeiramente nosso”.

“Que a nossa doçaria, mais do que um sabor, seja uma ponte de ensinamento entre gerações e um motivo de orgulho para todos”, concluiu Conceição Pereira.

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ÁUDIO | Conceição Pereira, coordenadora técnica da TAGUS-RI

Dando destaque ao crescimento “acima da média nacional” do turismo na região Centro do país, falou Anabela Freitas, ex-autarca tomarense e atual vice-presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal.

“Crescemos 5.5 acima do crescimento no período homólogo, em número de dormidas, mas o turismo é uma atividade económica e aquilo que interessa é toda a cadeia de valor do turismo ganhar dinheiro. E crescemos na região Centro 7% em termos de proveitos em relação ao ano anterior”, notou a responsável.

É a “diversidade” da região que motiva este crescimento, disse Anabela Freitas, referindo que dois dos ativos que o país tem em matéria de turismo estão representados na Feira Nacional de Doçaria Tradicional, no caso a gastronomia e a hospitalidade, a que interligou “a autenticidade”.

Em termos de competição inter-regional e internacional, Anabela Freitas crê que aquilo que diferencia Portugal é a hospitalidade e a autenticidade, ligadas aos recursos endógenos e à cultura, que acresce valor à cadeia de valor do turismo.

“Por isso a Turismo do Centro também se associa a estas mostras gastronómicas, a estas feiras de doçaria, que não mais são do que uma manifestação cultural, com uma dimensão económica, daquilo que é a autenticidade desta sub-região, deste território de Abrantes que contribui para a diversidade da região Centro”, notou, esperando que o certame corra bem e permita fazer muitos negócios.

Foto: mediotejo.net

A fechar a inauguração esteve a secretária de Estado do Mar, Lídia Bulcão, em substituição do homólogo do Turismo, Pedro Machado, que não pôde estar presente em Abrantes como inicialmente previsto.

Lídia Bulcão começou por elogiar a grande moldura humana presente logo na inauguração, entendendo ser um “excelente prenúncio” para esta edição da Feira de Doçaria.

Relevou este evento, que se realiza há 22 anos, como sendo parte da fileira da gastronomia, que por sua vez é importante para o Ministério da Economia, considerando ser “fundamental para aproveitar as nossas raízes, a nossa portugalidade, para ajudar a projetar o nosso nome fora dos limites do nosso concelho e a gastronomia é uma fileira fundamental em que o Governo está empenhado para ajudar a projetar o turismo e ajudar a levar o setor para outro nível”.

Notou o facto de estarem representados doceiros de diferentes partes do país, e ainda a presença do Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia e tecnologias alimentares, “porque o setor da inovação é muito importante para o desenvolvimento da economia”.

“O facto de termos projeção na área da doçaria e dos doces tradicionais não nos pode fazer esquecer o caminho para o futuro, e isso passa pelo desenvolvimento da inovação e ajudar a aplicar na economia real aquilo que temos de melhor no nosso passado”, salientou.

A secretária de Estado disse que o turismo “é um dos setores que ocupa uma grande fatia, para não dizer a mais importante” no que toca à economia, onde “o setor alimentar é o bichinho que move” os visitantes, até porque os doces típicos costumam ser uma das lembranças levadas no regresso às suas residências.

“Não há dúvida que um evento desta natureza é importante não só para a economia e comércio local, para reunir as pessoas da terra e das regiões mais próximas, é um chamariz, mas é muito mais do que isso: é importante para ajudar a projetar para o futuro o que temos de melhor e que trazemos do passado”, terminou, deixando agradecimento a todos os produtores que “continuam a dar o seu melhor na produção e manutenção das nossas tradições e por levar mais longe e fazer diversificar o seu trabalho no mercado”.

Foto: mediotejo.net
ÁUDIO | Lídia Bulcão, Secretária de Estado do Mar

O evento mais doce do ano volta a Abrantes e faz as delícias dos mais gulosos visitantes durante três dias, sendo que o intuito passa também por promover e valorizar a palha de Abrantes e a tigelada, entre outros doces pecados artesanais do concelho, cujos segredos e receitas vão passando de geração em geração.

Voltam a estar presentes alguns bolos e doces que são presença confirmada a cada edição ao longo destes 22 anos de Feira da Doçaria; é o caso do pão-de-ló e as cavacas de Margaride, as queijadas de S. Gonçalo, as lérias, os foguetes e as brisas do Tâmega de Amarante, o pão-de-ló de Ovar, o pastel de Tentúgal, as barrigas de freiras, os pastéis meia-lua, as cornucópias de Alcobaça, o bolo fidalgo, o pão de rala, o bolo rançoso e a sericaia do Alentejo.

Este fim-de-semana o convite é de fazer crescer água na boca, e as coordenadas são bem doces, levando à Esplanada 1º de Maio, no centro histórico da cidade e junto ao tribunal de Abrantes, para participar neste evento com entrada livre feito para toda a família.

Numa organização do Município de Abrantes e da TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, este é um dos maiores certames de Abrantes, oferecendo uma mostra e venda de produtos de doçaria nacional e local, mas também disponibilizando uma série de atividades complementares de índole cultural, recreativa e desportiva.

O programa completo desta edição pode ser consultado em https://tagus-ri.pt/wp/2024/09/05/xxii-feira-nacional-de-docaria-tradicional/

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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