Victor Lobo, o atual presidente da Academia Tubuciana de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O professor Victor Lobo é o novo presidente da Academia Tubuciana de Abrantes, sucedendo ao arquiteto António Castelbranco. A tomada de posse ocorreu na sede da Academia, na rua dos Quinchosos, em Abrantes.

“É na verdade um dos maiores cientistas mundiais na área da Química e a sua tomada de posse, hoje, em Abrantes, honra esta Academia e dignifica Portugal, uma vez que estamos perante um vulto maior da Ciência”, disse na ocasião Paulo Falcão Tavares, secretário perpétuo da Academia Tubuciana de Abrantes.

Para Victor Lobo “é uma grande honra. Tudo farei para continuar a honrar esta magnifica Academia Tubuciana. Procurarei seguir as pisadas do senhor presidente e do senhor secretário provincial. Não sei se serei capaz!”, afirmou na tomada de posse, a 23 de abril.

Victor Manuel de Matos Lobo nasceu em Coimbra em 18 fevereiro de 1940. Foi professor catedrático da Universidade de Coimbra, trabalhando no domínio das propriedades termodinâmicas e de transporte das soluções de eletrólitos, e no domínio da corrosão. No campo científico trabalhou na Alemanha, em França, e ainda em Nápoles (Itália), em Camberra (Austrália) e em Moscovo (Rússia).

Paulo Falcão Tavares, secretário perpétuo da Academia Tubuciana de Abrantes, António Castelbranco, o presidente cessante, e Victor Lobo, o atual presidente. Créditos: mediotejo.net

Enquanto aluno do liceu, teve uma bolsa de estudo para frequentar durante um ano uma escola norte-americana em Oregon (Estados Unidos), tendo aí concluído o ensino secundário com elevada classificação. Formou-se em Coimbra, em 1963 (foi o melhor aluno do seu curso), e foi convidado para assistente da Universidade. Esteve três anos em Moçambique para aí colaborar na abertura da respetiva Universidade. Foi, em 1966, para a Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde se doutorou, tendo desenvolvido um novo aparelho que mais tarde ganhou a Medalha de Ouro no Salão Internacional de Invenções e Técnicas Novas de Genebra, Suíça (invenção de uma célula de difusão isotérmica).

É membro da Academia Portuguesa de Ciências, um dos raros membros eleitos por unanimidade. Foi o primeiro português a ser membro titular da International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC), na área da eletroquímica. Pertence à Comissão Redatorial de algumas revistas científicas, é (ou foi) presidente da Sociedade Portuguesa de Eletroquímica, membro do Conselho Nacional de Educação, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Química, vice-presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Eletroquímica, presidente da Assembleia Geral da Intercultura, presidente de uma Comissão Nacional sobre Corrosão, presidente do Departamento de Química, chefe da delegação portuguesa a reuniões internacionais de comissões internacionais de normalização (ISO e CEN), etc.

Paulo Falcão Tavares, secretário perpétuo da Academia Tubuciana de Abrantes, António Castelbranco, o presidente cessante, e Victor Lobo, o atual presidente, que no momento recebi a medalha da Academia. Créditos: mediotejo.net

Tem quase 10 mil páginas publicadas em manuais de Química em todo o mundo, mais de 510 artigos científicos publicados, bem como apresentação de comunicações científicas em congressos internacionais. E diversos artigos de opinião (sobre ensino e outros assuntos) publicados na imprensa diária. Foi deputado municipal de Coimbra e de Mortágua e tem sido convidado para diversas atividades de cariz cívico e político.

A Academia Tubuciana, fundada em 13 de maio de 1802 em Abrantes, sempre foi uma instituição cultural. Começou por promover a economia e as belas letras, com proteção do príncipe D. João, futuro rei de Portugal, D. João VI. Surgiu da ideia de dois ilustres médicos do século XVIII, Rodrigo Soares de Bivar e de Inácio Francisco Tamagnini, ainda no século das luzes.

A instituição teve o seu primitivo nome de Sociedade Literária Tubuciana, tendo tido dezenas de sócios no século XIX, três dos quais, foram primeiro-ministros do Reino de Portugal, para além de uma panóplia de eruditos, poetas, militares, fidalgos, juristas, frades, sacerdotes, médicos entre outros.

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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