Vista da margem norte para a margem sul do Aquapolis, em Abrantes. Fotografia: CMA

O vereador do PSD na Câmara Municipal de Abrantes criticou o valor do orçamento das Festas da Cidade, que considerou excessivo, e insistiu em reunião de executivo na proposta que já havia apresentado, e que foi chumbada pela maioria PS, no sentido de instalar um repuxo no rio Tejo, na zona do Aquapolis, entre a ponte ferroviária e a ponte rodoviária.

Perante as afirmações, no período de Antes da Ordem do Dia, o presidente Manuel Jorge Valamatos (PS) disse que as festas foram um sucesso e não fechou a porta à instalação de um repuxo no Tejo, pedindo ao vereador para “trazer de forma concreta e objetiva” que repuxo quer. Na reunião em que esta proposta foi chumbada, em abril, o presidente assegurou a Vítor Moura (PSD) que enquanto estiver à frente da Câmara de Abrantes não se farão “jatos de água/géisers de milhares de euros”.

Vereador do PSD criticou despesa com festas de Abrantes e insistiu na instalação de um repuxo no Aquapolis. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | VITOR MOURA, VEREADOR PSD CM ABRANTES:

“Eu disse aqui, utilizando um provérbio português, há uns tempos atrás, que não só de pão vive o Homem. Isto foi dito quando apresentei uma proposta em nome do PSD para um repuxo no Aquapolis, no espelho de água que temos no rio Tejo e nessa altura, o senhor presidente da Câmara elevou o tom de voz e engrossou a sua voz, para me chamar à atenção de várias formas para a inoportunidade da nossa proposta. E lembro-me bem, que me chamou à atenção porque, para disse-me que, com ele em presidente, nunca será feito o repuxo, e enquanto propostas trazidas por mim, aqui, em nome do PSD, como se, por exemplo, a estrada do Alto da Chainça, até à rotunda de São Lourenço, ou as bolsas de estacionamento na zona urbana da cidade, não pudessem ser feitas. E eu encaixei, era mais pertinente que o repuxo. Depois, em tom de lamento, criticou-me por trazer esta proposta numa altura em que a Europa estava em guerra e que estávamos a sair de uma pandemia, tomei como uma lição de moral, encaixei, não lhe respondi logo na hora, porque eu não posso responder sempre e normalmente sou acusado, com alguma justiça, por exceder o meu tempo, aguardei, despreocupado, para poder responder mais tarde porque sabia que não faltariam ocasiões e aqui está já uma. As festas têm de ser feitas, nelas tem de se gastar dinheiro, mas temos de olhar a nosso redor. É verdade, os feriados, as consequentes pontes e os fins de semana, aconselharam a que as festas fossem de sete dias, é importante saber se as pessoas precisam de sete dias de festa consecutivos, sabendo-se que, cada dia que se acrescenta, acrescentam-se os milhares de euros de despesa. Aqui à nossa volta, concelhos governados, também pelo partido socialista, como Torres Novas ou Ponte de Sôr, fazem quatro dias de festas e é importante destacar aqui uma coisa, Abrantes gasta, só no primeiro dia de festa em 2022 mais num concerto de hora e meia do que gastam as nossas congéneres nos quatro dias de festas”, afirmou o vereador do PSD, criticando um investimento que considerou excessivo.

“Isto tem de ser dito aos abrantinos, isto tem de ser lembrado ao senhor presidente, aos meus colegas vereadores que suportam a maioria. Se Abrantes pode gastar do dinheiro público 90 mil euros num concerto. Bem sei que o concerto é diferente, a Rita Guerra tem um concerto que ronda os 8 a 10 mil euros, junta mais uma pessoa em palco, trouxe mais um coro e uma orquestra e fazemos um concerto de 90 mil euros. Eu já tinha chamado à atenção que em 2019, foi o último ano que não tivemos pandemia, o concerto dos Mourões tinha custado 100 mil euros. O senhor presidente quando me chamou à atenção, da forma que o fez, sobre o repuxo, não é para hora e meia de um concerto, mas era para toda a vida, trazia nas suas palavras a infeção do vírus da demagogia, eu não gostei, não aceitei a lição de moral, nem as suas palavras de correção e denuncio-as agora aqui. Abrantes precisa de festas, não precisa de sete dias e estávamos há dois anos sem festas e assim enchemos a barriguinha de festas, mas eu peço ao senhor presidente, que nos traga aqui, em momento próximo, no futuro, discriminadamente, quanto custaram as festas, para provar isso mesmo. Nós gastámos mais no primeiro dia de festas só num concerto do que os nossos vizinhos gastam em quatro dias, no total da sua festa”, insistiu, recorrendo depois ao rifão das papas e dos bolos.

“Entretanto isto aconteceu quando, pegando nas palavras do senhor presidente, a guerra na Europa não terminou, os efeitos da pandemia, se calhar, não os sanitários, felizmente, mas os económicos, estão agora a chegar, quando as grávidas chegam à maternidade e não sabem onde vão dar à luz os seus bebés, se calhar não sabem elas e pelos vistos não sabe também a ministra e o primeiro-ministro António Costa. Quando os 700 mil funcionários públicos vão ter um aumento de 0,9% nos seus salários e a inflação controlada sobe a galope e não sabemos onde irá parar, já ultrapassou os 5% há muito, onde o abrantino quer médico de família e não tem e quer uma consulta médica e não sabe quando a vai ter porque isso pode demorar meses. Então está justificado porque é que hoje o vereador do PSD, além de reconhecer que sim, que temos festas e precisamos de festas, ter que repetir não só, que repetir o slogan de que não só de convívio vive o Homem, mas hoje acrescentar um outro, é com passas e com bolos que se garantem resultados eleitorais em futuras eleições”, concluiu Vítor Moura.

O presidente da Câmara respondeu à questão do repuxo, falou das festas e do sucesso que representaram, embora não respondendo à pergunta do orçamento global das mesmas. Manuel Jorge Valamatos deu a entender que a questão do repuxo que o vereador do PSD propõe que se instale no Aquapolis, no meio do rio Tejo, é uma questão que não está fechada, uma vez que sugeriu a Vítor Moura que apresente um projeto ou uma ideia do que realmente pretende para que os erviços técnicos possam analisar e, eventualmente, para depois se decidir ou voltar a discutir o tema com base em mais informação.

Manuel Jorge Valamatos (PS) disse que as festas foram um sucesso e pediu ao vereador do PSD para “trazer de forma concreta e objetiva” que repuxo quer. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

“Quanto à questão do repuxo, eu acho que o senhor não percebeu uma coisa desde o início, eu também não disse que o repuxo não seria interessante, o senhor é que nunca apresentou nenhum projeto verdadeiramente para dizer que repuxo é que o senhor quer, é que se for um repuxo que custa 500 euros, daqui a bocado vamos lá por o repuxo, agora eu não sei porque o senhor nunca apresentou nenhum projeto, nem nós sabemos verdadeiramente o que o senhor quer”, começou por referir o autarca, que pediu mais informação.

“Tem de me dizer onde está um para eu ir ver e os nossos técnicos analisarem ou tem que me fazer um boneco, ou tem de pedir a alguém que me faça um desenho para nós percebermos do que está a falar. Nós temos aí muitos repuxos, mas eu não sei do que é que o senhor está a falar. Eu fiquei com a ideia de que era um repuxo que fosse para as pessoas de longe virem ver, quanto é que custa, onde se coloca? O senhor nunca disse isso, eu peço que me traga aqui essa ideia para depois analisarmos”, solicitou, respondendo de seguida às questões levantadas sobre as festas de Abrantes, que decorreram no âmbito do Dia da Cidade.

“Nós colocámos na praça Barão da Batalha, os concertos do [Largo] 1º de maio, porquê? O “esqueleto” desta festa foi programado há dois anos e como o senhor sabe, inclusivamente tivemos de pagar há dois anos metade dos contratos que tínhamos firmado, ok? As festas estavam programadas há dois anos, incluindo os cabeças de cartaz, é bom que haja essa reflexão. É bom salientar que esse “esqueleto” que apresentámos há dois anos, este ano tivemos de ter em conta as questões de segurança e contingência que a Barão da Batalha ia ser um problema, mas também fomos experimentar no 1º de maio, tinha características que salvavam essas condicionantes, e nós todos percebemos que o 1º de maio resultou em pleno, nós não abandonámos a Barão da Batalha porque teve durante sete dias, dinâmicas a todo o tempo, os nossos ranchos folclóricos, as bandas filarmónicas, as concertinas, os nossos grupos corais. Nós abandonámos os concertos principais, mas trouxemos algo de novo para as festas, é que esta é a verdade, porque nós, para além de termos alterado os palcos principais para o 1º de maio ainda criámos novas dinâmicas para a Barão da Batalha, essa é que é a questão. O senhor não concorda com uma situação ou outra, está certo, é legítimo”, concluiu o presidente da Câmara.

Vista sobre o rio Tejo, Aquapolis Norte, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Executivo socialista chumbou em abril repuxo no Aquapolis proposto pelo PSD (c/áudio)

O vereador do PSD na Câmara Municipal de Abrantes apresentou em abril, em reunião de executivo, uma proposta no sentido de instalar um repuxo no rio Tejo, na zona do Aquapolis, entre a ponte ferroviária e a ponte rodoviária. Perante a sugestão, houve lugar a extenso debate entre o presidente Manuel Jorge Valamatos (PS) e Vítor Moura (PSD), tendo o autarca frisado que enquanto estiver à frente da Câmara de Abrantes não se farão “jatos de água/géisers de milhares de euros”.

A proposta foi chumbada pela maioria PS no executivo, tendo a mesma contado com o apoio da oposição. O vereador Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) disse votar favoravelmente a ideia com ressalvas quanto à questão do projeto e dos custos associados, uma vez que a proposta não veio acompanhada de fundamentação e especificações sobre a instalação do referido repuxo. A proposta foi rejeitada pela maioria socialista com votos a favor do PSD e do ALTERNATIVAcom.

Durante cerca de 45 minutos o tema esteve em debate na reunião de executivo, desde logo com o PS a não mostrar abertura ao consenso sobre esta “intenção” social democrata.

Manuel Jorge Valamatos (PS), presidente da autarquia abrantina, chegou a propor a Vítor Moura (PSD) que retirasse a proposta e que a reformulasse no sentido de permitir uma melhor votação e compreensão do projeto em causa, mas tal não aconteceu.

Vítor Moura ainda deu como exemplo ao que propunha o repuxo no rio Tua, em Mirandela, e disse que Abrantes conseguiria orçamento para tal, uma vez que tem mais habitantes que a localidade referida.

Repuxo no rio Tua, em Mirandela, foi dado como exemplo pelo vereador do PSD. Foto: CM Mirandela

O vereador da oposição frisou que fez levantamento dos locais em Portugal que tinham elementos similares, falando no caso de Cascais, que está instalado no mar, e no de Mirandela, instalado no rio Tua.

“Gostaríamos de fazer alguma diferenciação para o resto do país. Cada terra é conhecida por ter isto ou ter aquilo”, disse, indicando que “se Abrantes tem muito mais população no seu concelho do que Mirandela, o orçamento da CM Abrantes também deve comportar o custo”.

Vítor Moura afirmou ainda que “não será o repuxo mais conhecido da Europa, que está em Genève que lança a água a uma altura de 100 metros, o nosso se lançar a 50 já é muito bom e valoriza muito a nossa cidade”, defendeu.

Vítor Moura falou na fama e exuberância do repuxo em Genève, mas disse que a proposta para Abrantes seria numa dimensão menor, mas cujo impacto visual teria mais-valias a nível turístico para a cidade. Foto: geneve.com

“É um assunto que tem a ver com turismo, com economia, é diferenciador, e ninguém passa na nossa ponte, ninguém está na margem norte ou sul do nosso Aquapolis, que não veja o repuxo e que não lhe dê importância. É uma coisa que é capaz de custar entre 50 a 100 mil euros e que depois gasta energia, não são milhões”, prosseguiu o social democrata na sua argumentação.

Excerto do intenso debate entre Manuel Jorge Valamatos (PS), presidente da CMA, e Vítor Moura, vereador do PSD

O debate foi aquecendo com troca de considerações e acusações de parte a parte, desde logo com Vítor Moura a acusar a gestão socialista de gastos desnecessários de milhões de euros, e Manuel Jorge Valamatos a referir que, havendo investimentos prioritários e tendo em conta a conjuntura atual, a concretização do repuxo não seria uma obra a considerar.

De referir que, durante a reunião, Vítor Moura apresentou a seguinte proposta, constante na ordem de trabalhos.

Vítor Moura (PSD) apresentou a proposta.

“Considerando que: Como, nem só de pão vive o homem e, o sentido estético, o agradável à vista, a valorização de um espaço de excelência em local estratégico para os abrantinos e para quem passa pela nossa terra, o aproveitamento turístico também com expressão na economia local, mas também o aproveitamento do excecional espelho de água proporcionado pelo açude do rio Tejo na nossa cidade, recomendam, o Partido Social Democrata e eu próprio como seu vereador,

PONTO ÚNICO: Que o executivo municipal aprove a colocação de um repuxo a meio do espelho de água localizado no Rio Tejo e na zona do Aquapolis na nossa cidade, a montante ou a jusante da ponte rodoviária, conforme decisão em sede de projeto, com dimensão (altura e caudal) tal, que impressione as pessoas (observadores), e que o mesmo seja designado «Repuxo de Abrantes». Para o efeito e salvaguardando eventuais dificuldades orçamentais, propomos que o procedimento de concurso para a referida obra, seja lançado até 30 de junho de 2024″, pode ler-se.

Foto: mediotejo.net

Por seu turno, o vereador Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) disse que tem defendido que “a notoriedade de Abrantes também seja alcançada por alguma diferenciação”, e que do mesmo modo que congratulou o executivo pelo “rasgo” para instalação da roda gigante na Feira de São Matias, considerando que tal representou um investimento por ser “um elemento diferenciador” no certame, também a proposta do vereador do PSD poderia ser considerada.

“Eu acho que esta ideia merece ser analisada desta maneira e com estes princípios, a lógica da notoriedade e da diferenciação”, disse, fazendo ressalva logo a seguir.

Vasco Damas apresentou ainda assim “reservas”, justificando que o ALTERNATIVAcom vota favoravelmente a ideia, mas defendendo “que a ideia se enquadre num programa abrangente de valorização do espelho de água e respetivas margens do Aquapolis, norte e sul”.

Também defendido pelo vereador é que “a ideia seja posta a discussão pública prévia, com todas as informações pertinentes, nomeadamente que incluam os custos de investimento e de manutenção do projeto”.

Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) esclareceu a sua posição em relação à proposta do PSD.

A maioria socialista apresentou declaração de voto na voz do presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos.

Manuel J. Valamatos, presidente CMA

“Queremos começar por referir que esta proposta de inovadora tem muito pouco… Relembramos que na elaboração do projeto inicial do Aquapolis chegou a estar prevista a construção de um “gêiser” (mais próximo da margem sul), construção esta que se percebeu rapidamente que seria bastante onerosa (ao nível da instalação e também da manutenção) e que ficou sem efeito. Portanto dá logo para entender que nada temos contra esta ideia, contudo atendendo aos seus elevados custos de construção e manutenção, a pergunta que deixamos é: Será que o que Abrantes precisa mesmo nesta fase é a construção de um repuxo no leito do rio? Os eleitos pelo Partido Socialista afirmam categoricamente que não, este não é um assunto prioritário para o desenvolvimento de Abrantes no imediato”, pode ler-se no documento apresentado.

Aquapolis Sul | Foto: CM Abrantes

Por outro lado, o executivo PS deixou ainda solicitação para que os vereadores de oposição, ao apresentarem propostas de deliberação, “serem mais objetivos e detalhados naquilo que pretendem, inclusivamente terem o cuidado de suportar as propostas de deliberação com estudos de viabilidade económico-financeira dos projetos ou ideias, pois só assim teremos todos os dados necessários para votarmos em plena consciência”.

“Pelas razões apontadas os eleitos do Partido Socialista votam contra a proposta do Vereador eleito pelo PSD”, termina.

Já Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) reforçou a sua posição, sintetizando a sua declaração de voto.

Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) apresentou a declaração de voto no final, reforçando a sua posição perante a proposta do PSD.

“Em relação a esta temática, votamos vamos votar favoravelmente a ideia, defendendo que se enquadra num programa abrangente de valorização do espelho de água, respetivas margens e Aquapolis Norte e Sul, e eventualmente avaliação de projetos de investimento que possam existir e onde se possa enquadrar este investimento. Defendemos também que a ideia seja posta a discussão pública prévia, com todas as informações pertinentes, incluindo os custos de investimento e manutenção do projeto, ficando o investimento dependente dessa análise”, notou.

A proposta foi chumbada com 5 votos contra da maioria PS e dois votos a favor do ALTERNATIVAcom e PSD.

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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