Presidente de Câmara diz que obra na ribeira de Rio de Moinhos evitou maiores prejuízos nas cheias Foto arquivo: J. P. Carvalho

O presidente da Câmara de Abrantes afirmou que a requalificação da ribeira de Rio de Moinhos demonstrou a sua eficácia durante as intensas chuvadas e cheias deste inverno, considerando que a intervenção evitou prejuízos de maior dimensão em habitações e infraestruturas.

“O melhor balanço que podemos fazer foram os acontecimentos com as cheias deste inverno. A ribeira apresentou um comportamento capaz de responder às grandes enxurradas e fez com que não tivesse havido prejuízos pessoais nem prejuízos estruturais nas diferentes habitações e para quem ali vive”, disse Manuel Jorge Valamatos aos jornalistas, à margem da reunião de executivo de terça-feira, 23 de junho.

As declarações surgem após a Câmara Municipal ter aprovado a conta final da empreitada de “Requalificação de Linhas de Água – Abrantes / Reabilitação da Rede Hidrográfica da Ribeira de Rio de Moinhos”, adjudicada à empresa Ilhaugusto – Construções, Lda., num valor de 2,47 milhões de euros, acrescido de IVA.

Segundo o autarca, a intervenção prevista foi executada quase na totalidade, tendo ficado por concretizar apenas alguns troços abrangidos por providências cautelares apresentadas durante o processo.

“No projeto inicial estava previsto um troço muito significativo de requalificação da ribeira de Rio de Moinhos e isso foi feito quase na sua totalidade, exceto alguns troços que não foi permitido intervencionar por via das providências cautelares”, afirmou.

Manuel Jorge Valamatos indicou que caberá agora à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), entidade responsável pelo projeto, decidir se pretende avançar com novos procedimentos para concluir as áreas que ficaram por intervencionar.

Presidente de Câmara diz que obra na ribeira de Rio de Moinhos evitou maiores prejuízos nas cheias. Foto: mediotejo.net

A obra resultou de um protocolo celebrado entre a APA e o município de Abrantes, que assumiu a execução da empreitada destinada a melhorar o escoamento da linha de água e a reduzir o risco de inundações no troço entre as localidades de Aldeia do Mato e Rio de Moinhos.

De acordo com o presidente da câmara, as cheias registadas no início deste ano constituíram um teste à intervenção realizada.

“Se não tivéssemos feito aquela intervenção, com a quantidade de água que a ribeira teve, estaríamos a falar de prejuízos enormes que não vieram a acontecer”, sustentou.

O autarca reconheceu que a obra foi contestada por alguns proprietários e associações ambientalistas, mas defendeu que os resultados demonstram a importância dos trabalhos realizados.

“Acho que é natural que possa haver pessoas que não concordem, é legítimo, mas os acontecimentos deste inverno mostram a relevância da intervenção”, declarou.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, existe ainda uma segunda fase prevista para a requalificação da linha de água, entre a zona da A23 e o rio Tejo, que incluirá trabalhos de limpeza, desobstrução e melhoria das condições de escoamento.

Entre as intervenções previstas está também a criação de uma passagem hidráulica sob a A23 para reforçar a capacidade de drenagem naquele troço.

Paralelamente, o município recebeu cerca de 200 mil euros do Fundo Ambiental, através do Ministério do Ambiente e da APA, destinados à reparação de danos provocados pelas cheias em vários pontos da ribeira de Rio de Moinhos.

Presidente de Presidente da Câmara diz que obra na ribeira de Rio de Moinhos evitou maiores prejuízos nas cheias. Foto arquivo: David Pereira

O presidente da câmara revelou ainda que o município apresentou ao Governo um conjunto de necessidades de intervenção em diversas linhas de água do concelho afetadas pelas cheias, nomeadamente nas zonas de Sentieiras, Coalhos e o Rio Torto, entre outras.

“Há um conjunto de situações que precisam de ser requalificadas e desobstruídas para recuperar o seu encaminhamento natural”, afirmou, indicando que a autarquia pretende assegurar financiamento para essas intervenções através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) ou de outros instrumentos de apoio.

A requalificação da ribeira de Rio de Moinhos esteve envolta em polémica em 2024, com críticas de alguns populares e da associação ambientalista Zero, que acusou o projeto de provocar impactos ambientais e descaracterizar a linha de água.

A Câmara de Abrantes rejeitou então as acusações, sustentando que a intervenção seguia as melhores práticas técnicas e tinha sido validada pelas entidades competentes, incluindo a Agência Portuguesa do Ambiente.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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