Utentes da Saúde pedem respostas para falta de médicos de família em Abrantes. Foto: mediotejo.net

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) reivindicou em Abrantes por mais médicos de família, pela valorização da maternidade e por obras na urgência do hospital, tendo promovido uma concentração em frente ao centro de saúde da cidade. Em Abrantes, atualmente, 9.990 utentes não têm médico de família atribuído num universo de 35.362 pessoas.

“Concretamente em Abrantes, há três questões que nos preocupam, uma é a falta de médicos de família, outra é a necessidade de valorização da maternidade do serviço de obstetrícia do hospital local e outra a necessidade de obras no hospital de Abrantes”, afirmou ao mediotejo.net Manuel José Soares, porta-voz da CUSMT.

Na concentração realizada em Abrantes, onde estiveram cerca de 30 populares e alguns representantes de forças políticas, como a CDU, BE e o movimento ALTERNATIVAcom, Manuel Soares reiterou que a Comissão de Utentes é um “movimento reivindicativo” mas que “dialoga e apresenta propostas”, tendo reconhecendo não haver “varinhas de condão” para resolver no imediato o problema que afeta a região.

VIDEO | REPORTAGEM COM MANUEL JOSÉ SOARES, PORTA-VOZ CUSMT:

No concelho de Abrantes, os utentes sem médico de família atribuído estão maioritariamente inscritos nos polos de Alferrarede, Pego, Mouriscas e Alvega, indicou o ACES Médio Tejo ao nosso jornal, sendo exemplo de uma situação complicada a que se vive atualmente na freguesia de Rio de Moinhos.

Em Rio de Moinhos, os cerca de mil habitantes têm de se deslocar à cidade de Abrantes, a cerca de oito quilómetros, para ter acesso a consultas médicas, situação que decorre desde o início do ano e com evidentes prejuízos, em particular para os cidadãos mais vulneráveis e para a população mais idosa, relatou Rui André, presidente da Junta de Freguesia local.

ÁUDIO | RUI ANDRÉ, PRESIDENTE JF RIO DE MOINHOS:

Contactados pelo mediotejo.net, o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT),  disse que a resposta atual assenta no Centro de Saúde de Abrantes, o qual integra uma Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), duas Unidades de Saúde Familiar, (USF Beira Tejo e USF D Francisco de Almeida) e uma Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), para além de um pólo da Unidade de Saúde Pública e da Unidade de Recursos Partilhados, designadamente serviços de saúde oral, psicologia, cardiopneumologia e fisioterapia.

Atualmente, ao dia 1 de julho, contabilizou, “no Centro de Saúde de Abrantes estavam inscritos 35.362 utentes frequentadores, dos quais 9.990 utentes inscritos não têm médico de família”. Segundo o ACES e a ARSLVT, “estes utentes estão maioritariamente inscritos nos polos de Alferrarede, Pego, Mouriscas e Alvega”.

No entanto, notou, “apesar destes utentes não terem médico de família atribuído, tal não significa que não tenham acesso a cuidados de saúde. Com efeito, em Abrantes existem várias consultas realizadas por quatro médicos prestadores de serviço, quer nos polos, quer na sede, que asseguram o acesso destes utentes aos cuidados médicos. Em paralelo existe uma consulta de recurso a funcionar diariamente na sede destinada aos utentes sem médico de família atribuído”, pode ler-se na mesma informação, solicitada pelo mediotejo.net.

“Neste momento decorre o concurso de acesso à carreira especial médica, no qual o ACES Médio Tejo tem 12 vagas a concurso, todas carenciadas, das quais tres são para a UCSP de Abrantes”, acrescentou. 

Diana Leiria, diretora do ACES Médio Tejo. Foto: mediotejo.net

No âmbito desta realidade e das preocupações associadas, a CUSMT, em conjunto com a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Concelho de Abrantes, promoveu na sexta-feira, dia 1 de julho, uma iniciativa pública de concentração de utentes, em frente ao centro de saúde de Abrantes, que pretendeu ser “uma oportunidade” para dar voz às populações, inclusive para poderem “manifestar as suas apreensões relativamente a algumas das questões que é necessário resolver no Médio Tejo”.

“A situação da saúde é dinâmica, aquilo que hoje pode estar assegurado amanhã pode estar em perigo e, por isso, nós fazemos questão de estarmos permanentemente em cima do acontecimento”, indicou o representante dos utentes, referindo que naquele preciso dia, por exemplo, se reformou mais um médico de Abrantes, “o que quer dizer que cerca de 1.500 utentes vão deixar de ter médico de família”.

As comissões de utentes têm “uma listagem de reivindicações no conjunto dos serviços públicos e, concretamente, na saúde”, em que se destaca a necessidade de mais médicos de família.

“No conjunto do Médio Tejo, temos 104 médicos, isto é que têm contrato em funções públicas com a ARS [Administração Regional de Saúde], porque depois há um conjunto de prestadores de serviços, uns que têm contrato, outros não têm, mas faltam, neste momento, 33 médicos”, apontou Manuel José Soares, acrescentando que foram pedidas 22 vagas, mas só foram atribuídas 12.

Utentes da Saúde manifestaram-se junto ao centro de saúde de Abrantes. Foto: mediotejo.net

O porta-voz da CUSMT disse que é preciso gerir a atribuição dos médicos de família com os meios disponíveis: “Esperemos que venham os 12 [médicos] para poder fazer uma cobertura o mais eficiente e eficaz possível de toda a região do Médio Tejo”.

“No que respeita a Abrantes, é o segundo concelho do Médio Tejo que tem mais utentes sem médico de família, daí que tenham sido atribuídas três vagas”, adiantou o representante dos utentes, esperando que essas vagas sejam preenchidas e que, conjuntamente, com médicos prestadores de serviços se possa “fazer uma cobertura integral em matéria de cuidados médicos junto de toda a população”.

Manuel José Soares defendeu ainda que “a melhor maneira de ter saúde é evitar estar doente”, realçando um conjunto de cautelas em termos de saúde pública, inclusive a condução nas estradas, “porque a sinistralidade rodoviária é um problema de saúde pública”.

Utentes da Saúde pedem respostas para falta de médicos de família. Foto: mediotejo.net

Os concelhos mais afetados pela falta de médicos de família no ACES Médio Tejo, segundo dados da tutela, “são os de Ourém, Abrantes, Alcanena, Tomar e Entroncamento”, revelou à Lusa a diretora executiva do ACES Médio Tejo, Diana Leiria, sublinhado que “o facto de os utentes não terem médico de família atribuído não significa que não tenham acesso aos cuidados” de saúde.

Diana Leiria informou que está a decorrer um concurso nacional de acesso à carreira especial médica – Medicina Geral e Familiar e neste procedimento o ACES Médio Tejo tem 12 vagas, tendo assegurado a 29 de junho que os utentes de Alcanena e de Torres Novas vão ter médico de família já em julho.

O ACES Médio Tejo tem 2.706 quilómetros quadrados e abrange 11 municípios com cerca de 225 mil utentes/frequentadores, sendo composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém.

c/LUSA

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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