A Câmara Municipal do Porto atribui o topónimo Duarte de Castro Ataíde Castel-Branco a uma artéria da cidade, na freguesia de Ramalde, numa homenagem ao abrantino que haveria de nascer em Macau, conhecido como “senhor arquiteto” e considerado “vulto enorme da cultura”. Era “um artista, no pleno sentido do termo, um humanista, também um excelente melómano”, escreveu o historiador Candeias da Silva, na revista Zahara, no seu nº 25.
Duarte de Castro Ataíde Castel-Branco nasceu, então, em Macau a 25 de julho de 1927 e viria a falecer em Abrantes a 4 de janeiro de 2015. Refere Candeias da Silva que era “oriundo de famílias bem portuguesas e de largos pergaminhos na História de Portugal. Filho da abrantina D. Maria Cristina Gamboa Liz Russell de Castro Ataíde (por este costado familiar e herdeiro do visconde de Abrançalha e descendente de muita gente nobre que frequentemente andou na ‘governança’ do concelho de Abrantes e de outras partes do reino) e de João Alberto de Villas-Boas Pimenta de Castro Castel-Branco, tenente-coronel do Estado-Maior do Exército, também com ascendentes ilustres”.
Casou em 1955 com D. Maria Margarida Tamagnini da Fonseca, professora do Ensino Secundário, artista e escritora. O seu percurso de arquitecto inicia-se em 1960 quando obtém o diploma em arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto (ESBAP). Continuou depois seus estudos em urbanismo e planeamento urbano, nas escolas de Milão e Paris.
Em 1978 é convidado pelo Município do Porto a coordenar a equipa técnica do Gabinete Planeamento Urbanístico para o desenvolvimento dos estudos e diagnósticos territoriais, tendo em vista a elaboração de uma proposta do Plano Geral de Urbanização aprovado em 1987. Castel-Branco manteve a ligação ao município do Porto na coordenação do projeto de elaboração do Plano Diretor Municipal, tomando por referência os estudos desenvolvidos para o plano geral de urbanização.
“Inicialmente mais vocacionado para outras áreas de especialização, como a engenharia, chega à Arquitetura por casualidade. E foi assim que, concluídos os estudos liceais (Liceu Camões, 1945), acabou por se inscrever na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), se bem que por pouco tempo, por a dado momento preferir uma experiência no Conservatório, onde fez dois anos de piano”, escreve Candeias da Silva na referida revista Zahara.
Obtem o diploma de arquitecto “com um projeto muito inovador (o do Grémio da Lavoura de Abrantes), em que obtém a classificação máxima (20 valores)”, refere o historiador.
Duarte Castel-Branco deu “vazão à sua veia artística, aos seus indiscutíveis méritos nas matérias em que se especializara e que por cá constituíam autêntico pioneirismo, construindo assim, aos poucos mas com grande solidez, um vasto, notável e invejável currículo, primeiro como professor e investigador na ESBAP, depois também na ESBAL / Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, onde veio a fixar-se e exercer como catedrático. Enquanto isso, ia realizando, em equipa ou individualmente, trabalhos da sua especialidade, sobretudo planos urbanísticos”, acrescenta.
O historiador destacou os seguintes Planos urbanísticos: “Plano Diretor de Lisboa” (1964); “Anteplano de Urbanização do Rossio ao Sul do Tejo” (Abrantes, com o Arq.° Fernando Távora, 1964); “Anteplano Territorial de Ordenação Urbanística do Norte Ribatejo” (ultimado em 1967 e apresentado em maio desse ano no Colóquio sobre Desenvolvimento Regional, promovido pela Câmara Municipal de Abrantes; “Plano Parcial de Urbanização da Unidade Residencial de La Salle-Fontinha” (Abrantes, 1973); “Plano Diretor da Unidade Territorial de Barreiras do Tejo” (Abrantes, 1974); “Plano da Área Territorial de Torres Novas / / Tomar / Abrantes”, promovido pela DGPU (reportado a outubro de 1980); “Plano Geral de Urbanização – Concelho de Abrantes” (Estudo, com o Arq.° Viana de Lima, 1980); “Plano Geral de Urbanização / Plano Diretor Municipal do Porto” (adjudicado em 1978 e aprovado por unanimidade em 1993); Plano Diretor e Planos Estratégico e de Urbanização da Grande Covilhã (década de 90); – e ainda o “Plano Intermunicipal de Ordenamento da Ria de Aveiro”.
Na paisagem de Abrantes “imprimiria fortes marcas: ao seu génio criador se devem projetos de grande originalidade, como o do já referido Grémio da Lavoura; o monumento a D. Nuno Álvares Pereira, no Outeiro de S. Pedro, com os acessos na difícil encosta dos Quinchosos; e o restauro de parte do Convento de S. Domingos, para a instalação da atual Biblioteca Municipal António Botto. Isto para além de algumas moradias particulares, onde também deixou bem espelhada a sua inesgotável veia para a criação arquitetural”, escreveu igualmente historiador.
Recentemente, uma RUA da cidade invicta recebeu o seu nome.
