Formação em suporte básico de vida percorre escolas do concelho de Abrantes, para alunos do 1º e 2º ciclo. Foto: DR

O Rotary Club de Abrantes encontra-se a promover o projeto “Mãozinhas que salvam vidas” nos Agrupamentos de Escolas nº 1 e nº 2 de Abrantes, uma formação em suporte básico de vida com a cooperação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, que junto das escolas do concelho visa capacitar as crianças e jovens, alunos do 1º e 2º ciclo (turmas de 2º, 4º, 6º e 8º ano), para pequenos gestos e manobras que podem fazer a diferença e salvar o outro, numa situação que exige atuar com celeridade para impedir danos maiores ou irreversíveis.

A iniciativa decorre em estreita articulação com os agrupamentos de escolas, sendo que os docentes também fazem o curso ficando habilitados a passar e reforçar os ensinamentos às suas turmas.

“À semelhança do que se faz noutros países, no centro e norte da Europa, desde as idades mais jovens, nos primeiros ciclos de ensino, começam logo a chamar a atenção e a sensibilizar para estas situações. Mesmo que uma criança possa não saber fazer, até pela sua idade, determinadas técnicas, pelo menos já fica alerta chamar socorro. E sabemos que nestas situações, segundos podem salvar uma vida”, sublinhou o presidente do Rotary Club de Abrantes (RCA), António Belém Coelho, em declarações ao nosso jornal.

ÁUDIO | António Belém Coelho, presidente do Rotary Clube de Abrantes
António Belém Coelho, presidente do Rotary Club de Abrantes no ano rotário 2023-2024. Foto: mediotejo.net

Durante a entrevista dada ao mediotejo.net, o presidente do Rotary Club de Abrantes (RCA) explicou que esta iniciativa nasceu no seio do clube abrantino, nomeadamente de um dos seus membros, o Companheiro André Real, médico de Medicina Interna e Medicina Intensiva no Hospital de Abrantes.

A ideia foi aceite pelos parceiros, nomeadamente a Câmara Municipal de Abrantes, os Agrupamentos de Escolas e a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Abrantes, intervenientes diretos na concretização do projeto.

Nesta medida decorreram sessões de formação em diversas escolas do concelho, “adaptadas à idade das crianças”, tendo já percorrido a Escola António Torrado, a Escola Maria de Lourdes Pintasilgo, o Centro Escolar da Bemposta e a Escola do Rossio ao Sul do Tejo.

Foram ainda ministrados dois cursos a um universo de cerca de 32 professores que lecionam nas turmas do 6º e 8º ano, que decorreram também pela mão da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, nas instalações do quartel dos bombeiros.

ÁUDIO | António Belém Coelho, presidente do Rotary Clube de Abrantes

O projeto prossegue, e espera o Rotary Club cobrir todas as escolas do 1º ciclo do concelho até final do ano letivo. Certo é que este formato permite que a capacitação seja replicada todos os anos, acompanhando a evolução do percurso escolar das crianças e jovens.

“Ao ser replicado, os alunos no seu progresso académico, vão apanhar esta formação de dois em dois anos. Eles têm a formação; daqui a dois anos terão nova formação. Tem o condão de, ao mesmo tempo que desenvolvem as suas capacidades, porque a idade já é outra, já não vão a partir do ponto zero”, notou Belém Coelho.

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O balanço tem sido positivo, e o RCA demonstra agradecimento à forma como as direções dos dois agrupamentos escolares de Abrantes aceitaram esta iniciativa e se envolveram na sua dinamização. “Fizeram o levantamento e a escala dos professores que frequentaram os cursos e, agora, sabemos que já têm feito o calendário para, de acordo com as disponibilidades nos seus horários, replicarem os conhecimentos adquiridos junto das suas turmas”, frisou.

ÁUDIO | António Belém Coelho, presidente do Rotary Clube de Abrantes

Neste âmbito, a Câmara Municipal de Abrantes, enquanto entidade parceira e tutelar, partiu para a celebração de um protocolo com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, o Rotary Club de Abrantes e os Agrupamentos de Escolas Nº 1 e Nº 2 de Abrantes para o desenvolvimento do projeto “Mãozinhas que salvam vidas”.

A celebração do protocolo foi aprovada por unanimidade em sede de reunião de Câmara do dia 2 de abril, e cabe ao Município de Abrantes atribuir uma verba anual de 1000 € ao Rotary Club de Abrantes para aquisição de material necessário à realização das ações de formação e para a formação dos formandos, que estão a cargo da AHBVA.

A autarquia salienta a importância desta iniciativa, referindo que o projeto “Mãozinhas que salvam vidas”, concebido pelo Rotary Club de Abrantes, está a levar às escolas do concelho de Abrantes o ensino de Suporte Básico de Vida (SBV) com o objetivo de dar a alunos e professores competências que lhes permitam identificar, pedir ajuda e iniciar manobras, até à chegada da ajuda especializada, que podem salvar vidas.

Foto: Freepik

O protocolo tem a vigência de um ano, sendo automaticamente renovado por igual período, caso nenhuma das partes se oponha à sua renovação.

Para Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, a iniciativa reveste-se da maior importância, crendo que “se o valor aqui investido salvar uma vida, já terá valido o investimento”.

Refira-se que o suporte básico de vida (SBV) é um conjunto de procedimentos que tem como objetivo a recuperação da vida de uma vítima de paragem cardiorrespiratória (PCR), até à chegada de ajuda especializada. Faz parte da cadeia de sobrevivência e consiste em duas ações: compressões torácicas (para fazer o sangue circular) e ventilações (para dar oxigénio aos pulmões). O suporte básico de vida pode prevenir lesões dos órgãos vitais, como o cérebro e o coração, aumentando a probabilidade de sobrevivência com qualidade de vida, pode ler-se em informação do SNS.

“A escola é entendida como um local prioritário para a introdução do ensino em SBV, tendo em conta que o ensino precoce da temática direcionado aos alunos lhes proporcionará, por um lado, as bases necessárias e um maior conhecimento para atuar em situações de emergência, por outro, o estímulo necessário e perceção do sentido cívico e social”, reforça a autarquia.

O ensino de suporte básico de vida é obrigatório para os alunos do 9º ano na disciplina de Cidadania, pelo que o município “entende como essencial alargar esta temática aos alunos que frequentam os 2º, 4º, 6º e 8º anos de escolaridade das escolas do concelho de Abrantes”.

Foto: DR

Este é um novo projeto entre múltiplas iniciativas desenvolvidas ao longo das quatro décadas de existência do Rotary Club em Abrantes, inserido no contexto nacional e global do movimento rotário, sob o lema “Dar de si antes de pensar em si”.

Mas o lema do ano rotário 2023-2024 em Abrantes é “Criar esperança no Mundo”, e por esse motivo as iniciativas têm resultado em torno do contributo para a comunidade e num conceito de proximidade.

“Há sempre problemas a resolver e que muitas vezes só podem ser resolvidos com o congregar de uma série de vontades e apoios. Além deste projeto, temos em conjunto com outros parceiros outras ações, caso do programa de bolsas de estudo a alunos do ensino superior, contando com envolvimento do tecido económico e empresarial do concelho de Abrantes e algumas empresas de fora”, lembrou o responsável rotário.

A par disso, também o contributo dos membros do RCA é reunido para corresponder às necessidades que surgem na comunidade e nomeadamente no apoio a instituições de solidariedade social. Nos últimos anos a par da pandemia e da guerra na Ucrânia, também o clube contribuiu com produtos médicos e farmacêuticos, bem como equipamento de proteção individual.

“Qualquer situação que identifiquemos ou que tragam junto de nós, se tivermos possibilidade, certamente que contribuímos para a sua resolução, ou pelo menos, para a sua mitigação”, assegura Belém Coelho.

A par de eventos e iniciativas dedicados às camadas mais jovens da comunidade, também desenvolvidos por via dos clubes rotários mais jovens, o Rotaract e o Interact, também o Rotary Club volta a dinamizar em 2024 uma nova edição do aclamado Curso de Liderança que é já um marco do plano de atividades anual do RCA – que vai para a 14ª edição – e que só terá falhado um ano, em 2020, devido à pandemia de covid-19.

XIII Curso de Liderança do Rotary Club de Abrantes em parceria com o RAME. Foto: RCA

“Já está a ser preparado o Curso de Liderança, em conjunto com o RAME. É um curso que pretende que um conjunto de jovens (cerca de 30), entre os 18 e 22 anos de idade, tenha possibilidade de passar 6 dias e meio um bocadinho fora da sua zona de conforto, e todo o tempo é preenchido com palestras, atividades no exterior, de forma a potenciar as capacidades e sobretudo incutir-lhes o espírito de equipa. Hoje, cada vez mais, e mesmo em todos os empregos e serviços tem que se trabalhar em equipa para conseguir obter resultados. Este ano vai decorrer de 3 a 9 de setembro, nas instalações do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), no quartel de Abrantes”, avançou Belém Coelho.

No que resta do atual ano rotário, que termina a 30 de junho, o RCA prevê realizar as restantes atividades do seu plano, nomeadamente levar a cabo um jantar antecedido de uma prova de águas, contando com a presença do primeiro sommelier de águas (water sommelier) português, Manuel Antunes da Silva. Os proveitos desse jantar serão entregues para o projeto Pólio Plus, que apoia à imunização por todo o mundo contra a poliomielite (pólio).

No dia 21 de maio o Rotary Clube de Abrantes comemorará o seu 43º aniversário, altura em que será feita a homenagem ao Profissional do Ano, o Engenheiro Mingocho de Abreu que, por questões de infortúnio e força maior, teve que ser adiada.

No fim do mês de junho será promovida reunião de Transmissão de tarefas, quando os presidentes e conselhos diretores dos clubes rotários, desde o Rotary, ao Rotaract e ao Interact, após o mandato de um ano, serão recebidos os novos membros que irão integrar os órgãos diretivos.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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