Os postos de CTT das localidades de Rossio ao Sul do Tejo e Pego foram encerrados, encontrando-se desde final de abril as populações de Pego e Rossio a terem de se deslocar a Alferrarede para levantar encomendas e correio registado. “Tanto no Pego como no Rossio, vão entregar os serviços de correios a duas papelarias e já estão a dar formação”, confirmou ao mediotejo.net o autarca Luís Alves, presidente da UF de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo. Para o autarca a situação é insustentável e reflete “apenas mais uma peripécia de um longo boletim de terror e que nos estão a impor. Quem privatizou devia fiscalizar, e não o está a fazer”.
Para o autarca este o resultado de “um negócio entre privados, os Correios e os indivíduos que estavam a explorar o local”, lembrando que foi enviado “um comunicado a dizer que a partir de dia 29 [de abril] encerravam os correios por duas semanas, estão a dar formação a duas pessoas que estão em papelarias, que vão ficar a fazer esse serviço dos Correios”, explicou.
A preocupação dos autarcas prende-se com o facto ser posta em causa a prestação de serviço público, e a qualidade do mesmo. “Já fizemos sentir a nossa preocupação junto de quem de direito, porque tratando-se de um serviço público, embora seja prestado por um privado, é um serviço público, que não pode estar sujeito a estas peripécias”, referiu, fazendo notar que apoiou a redação do comunicado da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do concelho de Abrantes.
No comunicado enviado à redação do mediotejo.net pode ler-se que “estão em causa a qualidade e a proximidade do serviço postal público e universal. Nuns CTT privatizados, estes primeiro olham para a rentabilidade e só depois para as necessidades das populações”, como tal, a Comissão de Utentes insiste que estas são razões que reforçam a contestação da privatização e “defendem o retorno à gestão pública, com eficiência e eficácia no respeito pelos direitos das populações”.
Segundo Luís Alves, presidente da JF de S. Miguel e Rossio, esta é uma “posição de princípio, que tivemos desde o primeiro momento, que a privatização de serviços públicos seria sempre um malefício para os utentes”. Para o autarca “a maneira como os serviços estavam a ser prestados também não era coisa nenhuma”.
O presidente teceu ainda fortes críticas à atual gestão e funcionamento da empresa, entendendo que a sua privatização não trouxe, de todo, benefícios para as populações do interior, notando também que a regulação das entidades não tem sido eficaz. “Quando privatizaram a empresa e quando ela foi comprada, eles obrigaram-se a prestar esse serviço público à comunidade, e a verdade é que eles não estão a prestar e teriam de ser as entidades a obrigarem, não se trata só da questão do encerramento de balcões, mas também a distribuição do correio que não se faz a tempo e horas. Temos vindo a notar isso ao nível do concelho de Abrantes, tanto as freguesias como a própria Câmara”, disse.
A Comissão de Utentes afirma ainda, no mesmo comunicado, que nos últimos anos enquanto empresa pública os Correios de Portugal foram concessionando a entidades privadas, sociais e Juntas de Freguesia um conjunto de serviços, quer em instalações dos correios quer em instalações dos concessionários, para levar a efeito a privatização da empresa.
No caso concreto das freguesias de Pego e Rossio, no concelho de Abrantes, “o concessionário do serviço terá chegado à conclusão de que a ele cabia o trabalho e aos CTT os lucros. E o contrato acabou e os Postos dos CTT estão fechados”.
No início de maio os serviços são assegurados pelas papelarias de cada localidade, mas ainda não há solução definitiva, mostrando-se os autarcas preocupados com o arrastar da situação e com o facto de a população, maioritariamente idosa, ter de se deslocar para usufruir de um serviço público de gestão privada.
