Abrantes registou em 2022 um aumento do número de vítimas por violência doméstica. Foto: Arlindo Homem

No ano de 2022, registaram-se 21 novos casos referentes a vítimas de violência doméstica, todas mulheres. Ao contrário do registado em 2021 (com três casos) não se verificou registo de denuncias de violência doméstica referente a vítimas do género masculino. No total, o Serviço de Atendimento à Vítima efetuou 229 diligências de acompanhamento, sendo que 208 processos transitaram de 2021.

Os dados foram divulgados pela vereadora responsável pela área do Desenvolvimento Social e constam do relatório de atividades do ano de 2022 da REIVA – Rede Especializada de Intervenção na Violência de Abrantes, informação divulgada na reunião de Câmara de 8 de março.

Raquel Olhicas adiantou que, em termos comparativos com 2021, se verificaram 147 acompanhamentos totais. Ou seja, em 2022 houve mais 82 acompanhamentos por violência doméstica.

Para a autarca, esse aumento “reflete o efeito das campanhas de sensibilização, ou seja, as pessoas denunciam mais e a mulher tem hoje menos receio e recorre aos meios que tem disponíveis para denunciar”.

Afirmando que os serviços da Câmara “são muitas vezes a primeira porta para a denúncia”, Raquel Olhicas destacou a importância da linha de apoio psicológico que funciona 24 horas por dia.

Foi também divulgado o plano de atividades para o ano de 2023 da REIVA, destacando-se o reforço das ações de sensibilização e a otimização da informação nas escolas, empresas, universidades da 3ª idade e centros de dia.

O Serviço de Atendimento à Vítima de Abrantes encontra-se em processo de certificação para integrar a Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica, sob a tutela da CIG-Comissão para a Cidadania e a Igualde de Género. Está também envolvido na Estratégia Integrada de Intervenção para a Área da Violência Doméstica e de Género no Médio Tejo – Projeto “Maria”, promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

Por já possuir estrutura municipal organizada, Abrantes é mentora deste projeto.

A REIVA existe desde 2013, funcionando através de uma rede colaborativa que envolve vários parceiros, facilitando a articulação de soluções eficazes de encaminhamento e apoio às vítimas, da qual faz parte o Serviço de Atendimento à Vítima que faz atendimento nas instalações da Câmara Municipal, sendo constituído por uma equipa técnica qualificada nas vertentes psicológica e social e com a formação de Técnico de Apoio à Vítima.

De há dois anos a esta parte foi disponibilizado um “botão de ajuda” que pode ser encontrado na aplicação para telemóvel Abrantes 360 Mobile permitindo ser acionado para denunciar casos de violência doméstica.

Esta funcionalidade tem como objetivo facilitar o contacto com o Serviço de Atendimento à Vítima sem que a pessoa agredida tenha que escrever obrigatoriamente qualquer mensagem ou falar. O botão de ajuda está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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