Foto: mediotejo.net

O município de Abrantes apresentou na quarta-feira em Alvega, no Campo de futebol da Associação de Melhoramentos da Freguesia de Alvega, na localidade de Portelas, o DECIR (Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais) para o ano 2024.

Em 2024, onze juntas de freguesia do concelho voltam a integrar o dispositivo municipal de combate a incêndios rurais, colocando no terreno viaturas equipadas com kits de primeira intervenção, com comunicação via rádio e equipas afetas à função.

O dispositivo, que engloba dezenas de meios de Proteção Civil, entre os quais corpo de bombeiros, sapadores, forças de segurança, militares e entidades do setor florestal, conta ainda este ano com seis associações de caçadores, reforçando uma capacidade de resposta que se pretende célere e de proximidade, com forte aposta na prevenção e ataque inicial.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, frisou que a apresentação pública ser para demonstrar “a dimensão do dispositivo que estamos a colocar ao serviço da comunidade para proteger as nossas pessoas”, destacando a importância da articulação coletiva entre as diversas instituições e agentes, num “processo complexo e que não é fácil”, uma vez que também obriga a “cruzamento de informação entre muitas organizações”.

“Ao longo dos últimos anos temos vindo a reforçar esta perspetiva de colaboração entre as diferentes instituições e colocar no terreno o melhor que cada um tem”, disse Manuel Jorge Valamatos, acrescentando que “todos somos importantes, não há pessoas nem instituições que são mais importantes do que outras”.

Foto: Carlos Grácio/CMA
Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes

Para o autarca “todos fazem parte de um processo, de uma equipa, de uma família de prevenção aos incêndios rurais” e que participa nesta estratégia que visa “preparar para encarar o verão da melhor forma”.

Falando na “experiência e sabedoria do Comandante David Lobato” e sublinhando que “a vigilância e a prevenção é super importante”, o presidente de Câmara lembrou a importância deste dispositivo nomeadamente quanto à primeira intervenção, por via da atuação dos kits distribuídos pelas juntas de freguesia, associações de caçadores e outros organismos.

“Não há nenhum incêndio que nasça grande, todos nascem pequenos. E se forem atacados o mais rápido possível obviamente que a probabilidade de não termos um incêndio dramático aumenta substancialmente”, disse.

Fez também um apelo ao dispositivo até para “levar a informação ao cidadão comum”, considerando ser importante “estarmos atentos, termos capacidade de vigilância e de prevenção” numa ótica de proximidade no terreno.

“Temos vindo a reforçar nesse sentido, por isso trazemos cada vez mais as associações de caçadores para este processo, e é por isso que as juntas de freguesia estão mais empenhadas e capacitadas para complementar e dar apoio, sobretudo para ajudar os agentes que têm maior profissionalismo e competências neste enquadramento, caso da GNR, PSP, bombeiros, Cruz Vermelha, sapadores florestais, Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), todas as estruturas que têm suporte profissional maior e mais elevado”, enumerou, fazendo um apelo à responsabilização, neste processo de “prevenção, observação e antecipação”.

O edil fez um “agradecimento ao empenhamento, à dedicação e cuidado de todas as mulheres e homens envolvidos, de todas as instituições que estão representadas”.

“Não há vitórias neste processo. Não queremos vitórias. Não queremos é ser derrotados, verdadeiramente. Temos que nos preparar devidamente e criar as melhores condições para que, em conjunto, consigamos ultrapassar este verão sem danos significativos”, disse, formulando agradecimentos a todos os participantes neste DECIR e deixando votos de bom trabalho para a nova época, especialmente a fase mais crítica que se avizinha.

Este ano, assegurando a integração das juntas de freguesia no combate aos incêndios rurais, foi aprovado um apoio financeiro de 180 mil euros por da celebração de contratos interadministrativos, a par da celebração de protocolos com seis associações de caçadores para apoio na vigilância e defesa da floresta, no caso de Arreciadas, Martinchel, Mouriscas, São Facundo e Vale das Mós, Alvega e Concavada e Barrada e Esteveira. Tendo sido aprovada uma despesa na ordem dos 7500 euros para a celebração dos protocolos com associações de caçadores do concelho que possuem kits de primeira intervenção.

Foto: Carlos Grácio/CMA
David Lobato, comandante do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo

Por seu turno, o comandante David Lobato, do Comando Sub-Regional do Médio Tejo, destacou “a prevenção e a vigilância” como a chave essencial para ganhar os incêndios, “reduzindo as ignições”, destacando a importância da prevenção numa primeira fase, estando atentos “a atos negligentes que possam ser detetados”.

“Um país que tem 200 ignições diárias pode ter o melhor dispositivo de combate, que nunca vai chegar. Como devem calcular, 200 ignições por dia representa uma dispersão de meios enorme e apesar da nossa sub-região estar extremamente bem guarnecida (…) temos de trabalhar efetivamente na redução das ignições. Se as reduzirmos, se a vigilância for efetiva não temos incêndios”, afirmou.

David Lobato disse não ter dúvidas que este “poderá ser um ano que pode vir a ser complicado”, fazendo paralelo com o ano de 2017, ano que teve “muita chuva quase até junho, e depois logo em início de junho tivemos aquele problema que não queremos relembrar, mas não devemos esquecer”, alertou.

“Poderá vir a ser um verão complicado, mas se todos nós fizermos o nosso trabalho, aquilo que é a nossa parte, acho que vai correr bem”, notou, transmitindo uma mensagem de encorajamento.

Num ano que poderá ser desafiante para a região, a iniciativa encerrou com mensagem de Paulo Ferreira, coordenador municipal de Proteção Civil de Abrantes, pedindo a todos os membros do DECIR 2024 que “nunca deem o vosso máximo, deem sempre o vosso melhor”, num apelo à entrega e compromisso.

Integram o DECIR municipal de 2024 as seguintes entidades:

  • Serviço Municipal de Proteção Civil
  • Divisão de Logística da Câmara Municipal de Abrantes
  • Bombeiros de Abrantes
  • Cruz Vermelha Portuguesa
  • UEPS
  • GNR
  • PSP
  • RAME – Regimento de Apoio Militar de Emergência
  • Sapadores Florestais da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância e Sardoal
  • Sapadores Florestais da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo
  • Altri
  • Gestiverde
  • União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede
  • União de Freguesias de Alvega e Concavada
  • União de Freguesias de Aldeia do Mato e Souto
  • União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós
  • Junta de Freguesia de Bemposta
  • Junta de Freguesia de Carvalhal
  • Junta de Freguesia de Fontes
  • Junta de Freguesia de Mouriscas
  • Junta de Freguesia do Pego
  • Junta de Freguesia de Rio de Moinhos
  • Junta de Freguesia de Tramagal
  • Associação de Caçadores de Arreciadas
  • Associação de Caçadores de Martinchel
  • Associação de Caçadores de Mouriscas
  • Associação de Caçadores de São Facundo e Vale das Mós
  • Associação de Caçadores de Alvega e Concavada
  • Associação de Caçadores de Barrada e Esteveira

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Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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