Exterior da Unidade de Saúde Familiar de Abrantes D. Francisco de Almeida. Foto arquivo: mediotejo.net

A Câmara de Abrantes assegurou que apenas 0,5% da população do concelho está atualmente sem cobertura dos cuidados de saúde primários, defendendo que a estratégia de investimento em três Unidades de Saúde Familiar (USF) permitiu reforçar a resposta médica e aproximar o objetivo de garantir médico de família a toda a população.

“Abrantes apresenta neste momento uma taxa de 0,5% de cidadãos que não estão na rede dos cuidados de saúde primários. Neste momento temos 17 médicos jovens a trabalhar já em três Unidades de Saúde Familiar e essa foi a nossa estratégia”, afirmou o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, em declarações aos jornalistas, após a reunião do executivo municipal.

O tema foi levado à reunião pelo vereador em substituição Fernando Nogueira (PSD), que saudou a chegada de dois novos médicos especialistas de Medicina Geral e Familiar à Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) Plátanos, futura USF Norte, mas questionou o município sobre o número de utentes que continuam sem médico de família, o impacto da entrada destes profissionais e a estratégia prevista para os cuidados de saúde primários no concelho.

O eleito social-democrata manifestou ainda preocupação com o futuro funcionamento da futura USF Norte, em Alferrarede, perguntando se os utentes das freguesias do norte do concelho terão de se deslocar à nova unidade para consultas ou se os polos de Mouriscas, Carvalhal e Rio de Moinhos manterão atividade.

Fernando Nogueira defendeu que “não bastam os anúncios” de investimento em infraestruturas, considerando essencial esclarecer de que forma essas obras beneficiam efetivamente a população.

“Não queremos um concelho com três tipos de pessoas: quem tem médico de família, quem não tem médico de família e quem, tendo médico de família, não tem a mesma acessibilidade só porque vive nas freguesias rurais”, afirmou.

Na resposta, Manuel Jorge Valamatos (PS) rejeitou as críticas à política municipal para a saúde, sublinhando que o município “não gastou milhões”, mas sim “investiu milhões de euros” no Hospital de Abrantes e nas unidades de saúde familiar.

“Fomos nós que fizemos a Unidade de Saúde Familiar Dom Francisco de Almeida, fomos nós que fizemos a USF Beira Tejo e somos nós que estamos a fazer a Unidade de Saúde Familiar Plátanos. Foi a única maneira de hoje podermos dizer que temos 17 médicos jovens em três unidades de saúde familiar”, afirmou.

A cobertura de cuidados de saúde primários em Abrantes foi tema levado pelo PSD à reunião de executivo. Foto: mediotejo.net

Segundo o autarca, a estratégia começou ainda com a antiga Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo e manteve-se com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, apostando na criação de três USF para captar médicos de família para o concelho.

Valamatos explicou que, além dos 17 médicos integrados nas unidades de saúde familiar, o concelho continua a contar com três médicos prestadores de serviços e um médico do projeto Bata Branca, garantindo resposta aos utentes que ainda não têm médico de família atribuído.

“O que queremos é reforçar estas equipas e acreditamos que, com mais dois ou três médicos, conseguimos abranger toda a população”, afirmou.

O presidente da Câmara destacou ainda que a futura USF Plátanos está em fase de consolidação e deverá mudar-se para as novas instalações, na antiga Escola das Hortas, após a conclusão da empreitada de requalificação, um investimento municipal superior a dois milhões de euros.

Ao mesmo tempo, garantiu que a estratégia passa por manter em funcionamento os polos de saúde de Mouriscas, Carvalhal e Rio de Moinhos, reforçando, sempre que possível, o número de horas de atendimento.

“Desde sempre mantivemos o compromisso de manter os três polos de saúde a funcionar e com a vontade de ter mais horas de médico e de assistência nestes três polos”, afirmou.

Futura USF Norte está em construção em Alferrarede. Imagem: CMA

Nas declarações aos jornalistas, Valamatos fez questão de esclarecer que a taxa de 0,5% divulgada pela ULS do Médio Tejo não corresponde ao número de utentes sem médico de família atribuído, mas sim aos cidadãos sem qualquer cobertura de cuidados de saúde primários.

“Quem não tem médico de família atribuído tem acesso a estes médicos prestadores de serviços e ao projeto Bata Branca. O objetivo é reforçar as equipas das três unidades de saúde familiar para responder à totalidade da população”, explicou.

O autarca salientou ainda que a situação de Abrantes contrasta com a de outros concelhos da região.

“O panorama em Abrantes não é igual ao que se passa nos restantes municípios do Médio Tejo. Há municípios que têm zero médicos de cuidados de saúde primários. Existe uma grande fragilidade na região e todos temos de trabalhar em conjunto para responder a este problema”, afirmou.

Concluindo, Manuel Jorge Valamatos considerou que o concelho está hoje “muito mais próximo” de garantir cobertura total da população graças à estratégia seguida nos últimos anos.

“Este é um trabalho de milhões de euros de investimento, de grande dedicação dos profissionais de saúde e de muitas instituições. Continuaremos focados em reforçar as equipas e criar as melhores condições para captar médicos jovens para o Serviço Nacional de Saúde e para Abrantes”, concluiu.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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