Quinito apresentou ‘Poemas de Amor’ na Biblioteca Municipal de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Joaquim Lourenço, o ‘Quinito’ de Alferrarede, apresentou o seu primeiro livro ‘Poemas de Amor’ na Biblioteca Municipal de Abrantes, tendo selecionado cerca de 50 poemas de entre os mais de mil que já escreveu. O artista plástico, homem das artes, fala da escrita como um processo libertador, tendo sido apresentado como “uma espécie de Homem da Renascença”.

A apresentação do livro decorreu na manhã de sábado, na Biblioteca Municipal António Boto, tendo contado com a presença do autor, que entrevistámos, numa sessão conduzida pelo seu amigo de infância, João Nuno Silva, e que contou com poemas declamados e musicados por elementos do Grupo de Teatro Palha de Abrantes, num momento cultural de excelência entre gentes ligadas pelo berço da terra que os viu amadurecer.

Joaquim Lourenço, 52 anos, nasceu a 24 de outubro de 1970 na Beira, Moçambique. Devido à revolução do 25 de Abril, muda-se para Alferrarede, Abrantes. Ali viveu até ao momento em que ingressa na Licenciatura para Professor de Educação Visual e Tecnológica. Isto em Bragança. Desde então é professor, em Lisboa, tendo percorrido vários pontos do país. Desde cedo mostrou vocação para as artes: o desenho, a pintura… É artista plástico há décadas e tem trabalho artístico em exposição permanente na Gallery 44, em Alberta, Canadá. Escreve poemas e pequenos textos há mais de três décadas Tem como referências Walt Whitman, Yeats, Baudelaire, Thoreau, William Blake, entre outros.

Publicado pela Editora Cordel d’Prata, disponível para aquisição online e para consulta na Biblioteca de Abrantes, ‘Poemas de Amor’ é para Quinito um processo contínuo de libertação e afirmação identitária, num livro que dedica aos filhos e à mãe, Hortense, já falecida, e que marca uma trilogia de vida, depois de ter sido pai e ter plantado uma árvore.

ÁUDIO | JOAQUIM LOURENÇO ‘QUINITO’, AUTOR DE ‘POEMAS DE AMOR’:

João Nuno Silva foi quem apresentou Quinto e falou da sua obra, da sua infância e do seu percurso enquanto homem das artes, tendo assinado o prefácio da obra.

“Adoro ver sonhos, desejos ou objetivos a serem cumpridos, quer sejam por mim, quer sejam por aqueles de quem gosto. Desta vez é a vez do Joaquim Lourenço, para mim o “Ouinito”, aquele cujas ‘ “imagens de marca” que guardo na minha memória de quando nos cruzámos na adolescência, são a bola de basquete numa mão, o skate na outra ou a pasta com os trabalhos de desenho, antes de entrar para mais uma aula. Ele é uma espécie de Homem da Renascença, a quem a natureza deu o dom do saber expressar-se de várias formas, sempre de forma talentosa, transformando quase tudo o que faz em algo de belo.

Neste livro que chega agora às vossas mãos, ele vai desfiando momentos dele que também podem ser nossos. É fácil identificarmo-nos com a alegria do amor, o desalento do desamor, a falta que nos fazem os que, pelo andar da vida, nos deixam (sempre cedo demais). Por aqui vão encontrar encantamento, amor, beleza na rotina, às vezes com uma precisão horária quase obsessiva, talvez fruto de uma componente da sua educação passada no Colégio Militar.

Com as suas palavras vai-nos contando também a atração dos opostos, uma espécie de Sol e Lua que por vezes se encontram e depois se despedem para sempre, mas é com elas e a forma sábia com que as trabalha que ele consegue até transformar, o que seria apenas dor, em algo bonito e encantador ou será a apologia do encanto da dor?

Ao ler os seus poemas, várias vezes sorri ao tentar encontrar semelhanças entre o que ele conta (ou canta) e aquilo que fui vivendo. Também acredito que muitos irão fazer o mesmo exercício e se isso acontecer é porque os poemas do “Quinito” chegaram ao vosso coração.

Depois de lerem, tirarão as vossas ilações, mas para mim é uma felicidade enorme constatar que ele se salvou de um futuro castrense (ou castrador?) que lhe estaria destinado. Livrámo-nos de mais um militar e ganhámos um Poeta”.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 Comment

  1. Caro Mário Rui, também tu sabes de mim! comovi-me com este belo artigo! Muito Obrigado.

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