Ponte que liga Alvega a Mouriscas sobre o rio Tejo. Créditos. mediotejo.net

A Câmara Municipal de Abrantes vai debater com o Ministério das Infraestruturas o futuro da ponte Alvega-Mouriscas e sobre quem assumirá a sua manutenção. O ramal ferroviário do Pego, a ligação do IC9, (com uma nova ponte sobre o Tejo), a EN2 e a área envolvente à estação ferroviária de Abrantes também vão estar em cima da mesa. A reunião de trabalho está marcada para esta segunda-feira.

Com o encerramento da Central a carvão, no Pego, Abrantes, um novo paradigma se avizinha, mas é certo que existem algumas arestas por limar, nomeadamente em termos de infraestruturas. É o caso da ponte rodoferroviária sobre o Tejo, na travessia entre Alvega e Mouriscas, que durante as últimas décadas teve responsabilidade de manutenção da Tejo Energia.

Também a relevância do reaproveitamento do ramal ferroviário para a zona industrial do Pego, ramal que antes servia o transporte de vagões de carvão para a Central, será focada nesta reunião.

“São infraestruturas que têm de continuar ao serviço da nossa comunidade, da nossa região, e nós temos que saber quem é que toma conta do quê”, explicou o presidente da Câmara de Abrantes.

Manuel Jorge Valamatos lembrou que a ponte Alvega-Mouriscas foi construída na década de 90, aquando a construção da Central Termoelétrica do Pego. Com o encerramento da central a carvão, a autarquia pretende saber “quem é que toma conta da ponte rodoviária e ferroviária”.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

“A empresa deixou de produzir a carvão, e deixou de ter responsabilidade da ferrovia”, acrescentou.

Acontece que a manutenção do tabuleiro da ponte sobre o Tejo já estava sobre responsabilidade do município, mas as restantes estruturas estavam sob responsabilidade da empresa que geria a Central Termoelétrica do Pego a carvão, a Tejo Energia, sendo que esta empresa já contactou a autarquia sobre este assunto.

Ponte que liga Alvega a Mouriscas sobre o rio Tejo. Créditos. mediotejo.net

“Temos que reunir com as Infraestruturas de Portugal para decidirmos e encontrarmos as melhores estratégias para garantir a manutenção quer da ponte rodoviária, quer da ponte ferroviária, quer da própria linha ferroviária e do tabuleiro da ponte”, deu conta o edil abrantino.

Também o Ramal ferroviário do Pego, datado dos anos 90, e que permitia a receção de vagões de carvão para o funcionamento da antiga central, vai estar em cima da mesa.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Segundo o autarca de Abrantes o ramal continua a ter domínio privado. “É um ramal que tem uma importância muito grande para aquela zona industrial do Pego. Porque nós queremos, e esperemos, quer no PRR, quer no Fundo de Transição Justa, quer noutros investimentos que venham a acontecer… queremos que a zona industrial do Pego, sobretudo para a nova visão da produção de energia verde, tenha um papel importante na região. Esperamos que esse ramal ferroviário também sirva para impulsionar investimentos na área das energias renováveis”.

Pretende a autarquia que este ramal possa estar “funcional” e “disponível” para “poder potenciar investimentos naquela zona.

Outra tema que Manuel Jorge Valamatos vai levar a conversação com a tutela tem que ver com a conclusão do IC9, inscrito no Plano Nacional Rodoviário. O autarca já pediu uma audiência com o Ministro João Galamba,

“Há muitos anos foi prometido pelo Governo a conclusão do IC9, e achamos que é uma via estruturante para o desenvolvimento da nossa região. Entre não ter nada, ou ter outras soluções que resolvam os problemas da nossa comunidade, estarei sempre a favor das melhores soluções”, disse.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

Manuel Jorge Valamatos lembrou o caso concreto da zona industrial de Tramagal, que “precisa de encontrar uma solução de escoamento, competente, em função daquilo que é aquela grande zona industrial”.

Além da Mitsubishi, também frisou outras empresas, algumas em fase de crescimento acentuado. “Precisamos criar na zona industrial do Tramagal uma capacidade de escoamento de materiais quer pela ferrovia, quer pela rodovia, capaz e competente para uma zona industrial que queremos que se afirme”.

MFTE, no Tramagal, é uma das indústrias que tem necessidade de alternativas para melhorar o escoamento da sua produção. Foto: DR

Depois de um primeiro contacto e reuniões com o então Ministro Pedro Nuno Santos, ficou de se analisar bem e pensar em propostas, uma vez que o ministro se demitiu.

Foi solicitada uma audiência com o Ministro João Galamba, o autarca de Abrantes e o presidente de Ponte de Sor, Hugo Hilário, para fazer novo ponto de situação quanto a esta que é “o grande investimento em termos de PRR previsto para a região”.

ÁUDIO | Manuel Jorge Valamatos, presidente da CM Abrantes

“O que interessa é servir bem os abrantinos e as pessoas. E entre não ter nada, ou ter qualquer coisa que sirva verdadeiramente as populações… é por isso que luto”, concluiu o presidente de Câmara.

O presidente de Câmara de Abrantes vai ainda aproveitar para relembrar a intenção de desclassificação de troço da EN2, entre a rotunda da A23, Olho de Boi e até às Barreiras do Tejo, que permita intervir e colocar em prática o projeto de requalificação da Avenida António Farinha Pereira.

“Temos projetos de zonas de ciclovias e pedonais, que podem ligar o Espinhaço de Cão a Alferrarede. O Parque de Ciência e Tecnologia ao Aquapolis Norte. Temos aqui projetos para avançar, mas sem a desclassificação não pode acontecer”.

Também o Largo da Estação, no Rossio, pertence às Infraestruturas de Portugal, mas aguarda-se as esperadas obras naquele local. A autarquia chegou a disponibilizar-se para ser dono de obra, perante conversação sobre um projeto para requalificação daquele espaço, que visivelmente precisa de obras, ainda para mais sendo uma das portas de entrada na cidade.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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