Patronato de Santa Isabel em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O Partido Social Democrata de Abrantes “lamenta que os problemas se tenham sobreposto às soluções” no caso do encerramento do Patronato de Santa Isabel. Em comunicado, a Comissão Política Concelhia do PSD afirma estranhar que “uma instituição desta natureza tenha chegado a este desfecho e que as entidades com diferentes responsabilidades de intervenção no processo, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, o Centro Distrital da Segurança Social e o Município de Abrantes, se tenham rendido às dificuldades e não se tenham empenhado no encontrar de soluções”.

No mesmo comunicado, a concelhia do PSD de Abrantes, presidida por José Moreno, lembra que “o Patronato de Santa Isabel, Lar de Infância e Juventude Dr. Armando Moura Neves, atualmente uma valência da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, foi extinto. Encerrou uma instituição com 99 anos de história, uma resposta social acolhimento diferenciado, dedicada à promoção dos direitos e proteção de crianças e jovens em risco, preferencialmente do concelho de Abrantes e concelhos limítrofes”, sublinhou.

Aquela estrutura partidária recorda também ser “uma instituição acarinhada por muitos abrantinos, que ao longo dos tempos se foi adaptando às exigências, desafios e políticas de acolhimento, tendo integrado a rede de Lares aderentes ao Plano DOM – Desafios Oportunidades e Mudanças, entre 2008 e 2011. Um Programa que implicou a implementação de medidas de qualificação do Lar, nomeadamente o reforço da Equipa Técnica, a frequência de um Plano de Formação dirigido às Direções, Equipas Técnicas e Educativas, a dotação de um Plano de Supervisão para as Equipas Técnica e Educativa e a introdução de instrumentos técnicos à intervenção”.

O encerramento definitivo do Patronato de Santa Isabel foi recentemente tornado público. A sua história recente algo conturbada, a certa altura, com passagem para a alçada da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, ficou por aqui, com as oito raparigas institucionalizadas – na verdade 9, estando uma delas em situação de fuga – a serem recolocadas noutras instituições do País, confirmou ao mediotejo.net o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, Alberto Margarido.

O provedor explicou que o acolhimento das jovens tornou-se “preocupante” e inviável à continuação da instituição que acolhia e protegia raparigas menores. E desta vez não foram problemas financeiros ou custos de manutenção e funcionalidade. Na realidade, o encerramento da instituição “foi deliberado em 2011, porque haviam problemas financeiros com prejuízos anuais na ordem dos 100 mil euros, mas com o apoio da Segurança Social as contas equilibraram-se”, explica Alberto Margarido.

O que agora motivou a decisão prendeu-se com “comportamentos problemáticos” das raparigas que “não estariam no local adequado”, agravados em contexto de pandemia de covid-19, por desrespeito ao confinamento. “Tivemos receio do que poderia acontecer, com o que se estava a passar” disse.

Perante tal situação, “a mesa [administrativa] reuniu para decisão” que foi aprovada em Assembleia Geral. As oito raparigas do Patronato – excepto um caso pendente, por processo de autonomia da jovem –, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, “foram encaminhadas via Segurança Social e Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, e colocadas em instituições mais adequadas à sua situação, por determinação do tribunal” indicou o provedor.

O Patronato de Santa Isabel acolhia idealmente 18 raparigas mas chegou a acolher mais. A instituição foi criada a 13 de fevereiro de 1921 com o nome de Sopa dos Pobres por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, na tentativa de acabar com a mendicidade e degradação moral vivida pelas ruas.

Os primeiros Estatutos foram aprovados por alvará do Governo Civil de Santarém em 7 de março de 1921. A 1 de maio desse mesmo ano, no edifício da Sopa dos Pobres, começaram a ser distribuídas as primeiras sopas. A 30 de novembro de 1963 foi inaugurada uma nova sede da “Sopa dos Pobres”, sendo este edifício doado para ser o Patronato de Santa Isabel.

Em abril de 1978 foram aprovados os novos “Estatutos” e a Instituição passou a designar-se oficialmente por “Patronato de Santa Isabel” e a funcionar como Lar de Infância e Juventude.

Após deliberação da extinção do “Patronato de Santa Isabel”, a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes assumiu a 1 de julho de 2004, uma nova valência, a de “Lar de Infância e Juventude”, propondo-se assegurar uma maior estabilidade às Crianças e Jovens da Instituição. À beira de completar 100 anos encerra definitivamente as portas, na cidade de Abrantes.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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