O PSD de Abrantes afirmou hoje estar unido para o combate das eleições autárquicas deste ano, num município liderado pelo PS, e disse que “as várias vozes” internas do partido, “têm um só rumo – o melhor para o concelho de Abrantes” – tendo anunciado a apresentação de um programa eleitoral que vai relançar o município “para os próximos 100 anos”.

Rui Santos, presidente da Comissão Política da Secção de Abrantes do Partido Social Democrata, ladeado por João Fernandes e Tânia Branco (ambos da Comissão Politica Concelhia) fez na manhã deste sábado, na sua sede, um balanço do último mandato autárquico socialista onde acusou o executivo liderado por Maria do Céu Albuquerque de “falta de estratégia e medidas avulsas que em nada desenvolvem o concelho”.

O PSD de Abrantes afirmou hoje estar unido para o combate das eleições autárquicas deste ano. Na foto: João Fernandes, Rui Santos e Tânia Branco. Foto: mediotejo.net

Do turismo ao ambiente, da poluição no Tejo à (in)segurança, passando por temas como o orçamento municipal para 2017, onde, disse Rui Santos, “avança tudo em 2017 por atacado em clara campanha de angariação de votos”, a educação e a greve na escola Manuel Fernandes, os tribunais, a “falta de uma politica cultural”, o Plano de Urbanização de Abrantes que “não projeta a cidade para o futuro”, as “novas avenidas que necessitam de ser rasgadas na cidade”, o desporto e a defesa dos relvados sintéticos para os três clubes envolvidos (TSU, Pego e Alferrarede), açude insuflável “desinsuflado há ano e meio”, os porquês de um investimento de 1 milhão de euros num terreno na zona industrial, o hotel, os empresários, as empresas e a política fiscal, tudo foi escrutinado numa conferência de imprensa acompanhada atentamente pelo candidato anunciado do PSD a Abrantes, António Castelbranco.

Rui Santos iniciou, curiosamente, a conferência de imprensa com um elogio – “para que não digam que só criticamos”, – tendo referido que o PSD “congratula-se com a vinda do Presidente da República às cerimónias do centenário da cidade” (14 junho 2016) para logo depois lembrar que “Tramagal assinala também 30 anos de Vila e lamentamos que nada tenha sido feito”.

De seguida, criticou nos mais diversos campos da atividade municipal, com especial enfoque na política fiscal aplicada pelo atual executivo, deixando evidente a diferença entre ambos os partidos no que entendem ser os melhores caminhos para o desenvolvimento e afirmação do concelho de Abrantes.

“Com esta medida fiscal não há de maneira nenhuma uma fixação de população. São medidas que consideramos avulsas e que em nada vêm aumentar o desenvolvimento do nosso concelho. A autarquia PS não teve em conta as propostas do PSD e que passam por uma maior devolução de IRS, redução da taxa de IMI e revisão da derrama. Com esta política fiscal não há fixação de população e também não há medidas de natalidade, apenas um miminho aos bebés que nascem”, afirmou, tendo lembrado que “o concelho continua a perder população”.

“É necessário mais nascimentos, trazer mais pessoas para cá e para isso é preciso haver incentivos. E esses incentivos começam pela política fiscal”, defendeu, tendo lembrado que o PSD defende uma “política de desenvolvimento para todo o concelho e não apenas para a cidade”.

Sobre o tema da segurança na cidade, ou a falta dela, o presidente do PSD concelhio disse que foi “mais uma vez o PSD que trouxe o tema à ribalta”, tendo afirmado que foi com a sua intervenção que o policiamento nas ruas de Abrantes começou a ser maior, tendo defendido a necessidade de uma “maior articulação entre a autarquia e as forças de segurança”.

Rui Santos lamentou ainda que, “passado mais de ano e meio, o açude continue exatamente na mesma. É completamente desajustado estarmos à espera de um orçamento há mais de seis meses para reparar um açude que é tão importante para a nossa zona ribeirinha, atendendo aos milhares de euros gastos”.

O dirigente lembrou o Tejo e a maior albufeira do país para criticar o “investimento zero” no setor do turismo, tendo perguntado pelo “que foi feito em Aldeia do Mato, Souto, Tramagal e parque de campismo de Martinchel”, e referido que a estação de canoagem de Alvega, “das duas vezes que por lá passámos, estava fechada. Não há uma política de turismo para o concelho. Só políticas avulso e sem fio condutor”, disse.

Relativamente ao Orçamento da Câmara Municipal para 2017, Rui Santos disse que o mesmo “sofreu um aumento devido aos fundos comunitários”, tendo, no entanto, afirmado em tom crítico, “não conseguir perceber porque é que só no ano de 2017, ano de eleições autárquicas, vão avançar todas as obras quando é de conhecimento que haviam fundos que já podiam ter sido utilizados em 2016. A autarquia resolveu fazer tudo por atacado em 2017, em clara campanha de angariação de voto”, declarou.

Sobre o Plano de Urbanização de Abrantes (PUA) considerou ser uma “medida avulso que não projeta a cidade para o futuro”, tendo defendido o “rasgar de novas avenidas, construção de novas habitações e criação de possibilidades para novo e mais comércio”, tendo referido que o trânsito na cidade é “caótico”.

“É impensável, no século XXI, Abrantes ter uma única avenida a atravessar a cidade”, disse, tendo feito notar que o PSD “não defende projetos megalómanos como aquele que pretende destruir um símbolo da cidade”, referindo-se ao antigo edifício do mercado semanal.

“Não somos contra a intervenção mas entendemos que não há necessidade de destruir um edifício que diz muito à população”, defendeu. Rui Santos falou ainda de um terreno que a autarquia adquiriu por um milhão de euros para uma alegada instalação de uma empresa da zona industrial – “perguntámos onde está o investidor e nunca soubemos”, disse, tendo ainda criticado a “falta de apoio” às propostas apresentadas relativamente à reforma do mapa judiciário. “Sempre defendemos  desdobramento das secções cível e criminal e não tivemos apoio de nenhum partido”.

Sobre a greve dos alunos da Escola Dr. Manuel Fernandes, Rui Santos disse que “tudo o que se está a passar é gravíssimo e que “se a escola fechar a responsabilidade é do Governo, mas também da autarquia”, tendo afirmado que o PSD efetuou 3 visitas à escola em tempo oportuno, alertando, em sequência, para os problemas existentes. “A autarquia sabia o que se estava a passar e nada fez e exigimos que tome medidas rápidas para resolver a situação”.

Sobre os relvados sintéticos para os TSU, Pego e Alferrarede, processo em que os dois primeiros clubes ganharam um apoio de 60 mil euros da Federação Portuguesa de Futebol para a sua instalação, Rui Santos disse, questionado sobre o assunto, que “gostaria de saber se a autarquia já se inteirou do que originou o chumbo de uma candidatura oriunda da União de Freguesias de Abrantes”, referindo-se à candidatura dos ‘Dragões’ de Alferrarede.

“O PSD entende que todos os melhoramentos ao nível desportivo são bem vindos”, disse o dirigente partidário, tendo acrescentado que a autarquia “deve ajudar o Pego e o Tramagal e, se o fizer, também para Alferrarede deverá haver uma compensação”.

A finalizar, João Fernandes, membro da CPS do PSD de Abrantes, usou da palavra para apresentar uma “veemente reclamação” sobre a maioria socialista do executivo camarário por “fornecer tardiamente à oposição informações e documentos para análise, conforme determina a Lei”. Chamou ainda a atenção para “debilidades físicas, técnicas e de segurança” no edifício que acolhe a ESTA e manifestou “preocupação ao nível cultural”, tendo criticado o executivo socialista de atuar “sem respeito pela alma abrantina, com delapidação do património material e imaterial”.

“Temos de pegar nos fatores identitários e diferenciadores para afirmar Abrantes e uma política cultural, e é preciso mais apoio aos artistas locais e uma maior aposta na prata da casa”, defendeu, terminando com uma pergunta dirigida aos abrantinos: “Perguntem-se se Abrantes oferece um futuro digno aos seus filhos. Se a resposta for negativa, o PSD quer dizer que está aqui para se apresentar como uma alternativa para um futuro melhor em Abrantes”, acenou.

A fechar, e em resposta a questões dos jornalistas, Rui Santos disse que o PSD “vai apresentar candidatos em todas as freguesias” do concelho nas próximas eleições autárquicas, que as questões internas do partido e as vozes dissonantes são “um não assunto – o PSD tem várias vozes mas um só rumo, e este rumo é o melhor para o concelho de Abrantes ” – afirmou, tendo referido que o programa eleitoral a apresentar vai relançar o município “para o futuro dos próximos 100 anos” do concelho.

Quanto às notícias que vieram a público sobre os eleitos locais pelo PSD e a relação que têm com a CPS, Rui Santos disse que este era “um não assunto” e que o “PSD tem várias vozes na Câmara, na Assembleia Municipal, tem a sua própria comissão, militantes e simpatizantes. Muitas vozes mas um só rumo – o melhor para o concelho de Abrantes”.

O candidato à Câmara Municipal de Abrantes pelo PSD às eleições autárquicas a realizar em outubro, o arquiteto António Castelbranco, vai ser apresentado oficialmente no dia 4 de fevereiro, um sábado, às 11:00, na sede do partido.

 

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