Já são conhecidos os vencedores da 6º edição do prémio “Food Fab Lab”, uma iniciativa do Inov.Linea – Tecnologias Alimentares do Tagusvalley, em Abrantes, que procura fomentar e revolucionar a inovação no setor alimentar. Cláudia Maciel e Sérgio Sousa venceram esta edição com o ProYoGut, um produto plantbased (vegetariano) que se assemelha ao iogurte e tem por base uma bactéria isolada em laboratório.
Além do prémio Food Fab Lab, foram ainda entregues o prémio da categoria “Degustação” a Célia Santos, com os “Segredos de Abrantes”, o prémio “Potencial de Mercado” a André Roseio e Sónia Marques, que levaram um concentrado de sopa de legumes e o “Kefir Cream” de Rafaela Dias e equipa, levou para casa o prémio “Inovação”. Na mesma sessão foi ainda atribuída uma menção honrosa ao “+Mel” de João Rosa e Paula Gamito.
De acordo com Pedro Saraiva, diretor geral da Tagusvalley, o Inov.Linea é “uma estrutura que está disponível para apoiar desde o desenvolvimento, da prototipagem, até à fase final (…)” , onde os investigadores podem iniciar a sua produção, “fazer os primeiros lotes, fazendo o licenciamento industrial e pondo no mercado. É um dos nossos serviços, chama-se mesmo Food Fab Lab”, explica.

O prémio surgiu então com o objetivo de fomentar a inovação e atrair “o que de novo se anda a fazer no país”, bem como divulgar esta infraestrutura, “assinalar a disponibilidade dos recursos e de divulgar o potencial que aqui está latente”, acrescenta.

O concurso foi divido em duas fases, tendo a primeira sido iniciada ainda em 2023 e contado com 18 participações. “Fizemos uma primeira triagem, selecionámos oito e hoje temos aqui os quatro grandes vencedores”.
De acordo com Pedro Saraiva, os concorrentes deste ano vêm tanto do meio académico como da experiência profissional, tendo sido avaliados por um júri que integrava os “principais players do setor”, com membros da Associação Portuguesa de Nutrição, Colab4Food, SONAE MC, Escola Superior Agrária de Santarém, PortugalFoods, TAGUS Ribatejo Interior e Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.
Manuel Jorge Valamatos, presidente da CMA e também do Tagusvalley, marcou presença na sessão, tendo sublinhado a importância do momento, onde foram apresentados produtos que considerou serem “brilhantes” e “de futuro”.
Os produtos sujeitos ao concurso foram avaliados de acordo com três fatores, nomeadamente a inovação, potencial de mercado e degustação. A 6ª edição do prémio Food Fab Lab foi entregue ao ProYoGut por ter arrecadado a melhor pontuação nas três vertentes.
De acordo com Cláudia Maciel e Sérgio Sousa, produtores do ProYoGut, o conceito passa por se assemelhar a uma versão plant based do iogurte, em que é utilizada uma “microalga e uma bactéria (…) com um potencial anti-infeccioso”.
“Percebemos que estávamos a preencher uma lacuna de mercado. Os produtos plant based com ligações benéficas para a saúde não existem, achamos que era um gap que queríamos preencher e ao mesmo tempo uma oportunidade”, explicam.
O produto diferencia-se por não ter por base as habituais culturas de fermentação dos iogurtes, mas por recorrer a uma bactéria isolada em laboratório, existindo em sabores como aveia, coco e um mix de aveia e amêndoas, o sabor levado a concurso.
Célia Santos, abrantina que ficou conhecida pela sua participação no Masterchef, venceu a categoria “Degustação” com o doce “Sabores de Abrantes”.
Durante a apresentação desta criação que visa homenagear a cidade de Abrantes e levar o seu nome a todo o território nacional e internacional, Célia explicou que a ideia passa por ter um doce que possa ser adquirido como lembrança e “montado” pelo próprio consumidor.





“A ideia é as pessoas chegarem a um supermercado, pastelaria ou café, levarem aquela embalagem de oferta como uma lembrança de Abrantes”, afirma.
“Teremos uma embalagem com seis tubos, um saco com o recheio do interior e com a palha de Abrantes. A ideia também era criar uma embalagem com sementes de amores-perfeitos, visto Abrantes ser a cidade florida… depois de abrirem a embalagem e montarem a sobremesa, os consumidores podem reciclar o cartão e ficar sempre uma recordação”, acrescenta.
O formato cilíndrico do doce é inspirado nas torres do Castelo de Abrantes, integrando ainda a palha de Abrantes e o doce de ovos com amêndoa, por se tratar de um doce conventual.
O “Kefir Cream” foi o vencedor na categoria e Inovação, tendo Rafaela Dias e a sua equipa explicado que a ideia base do produto passa por trazer ao mercado “uma nova forma de consumir kefir”, que foi conseguida através de um queijo creme.
“O Kefir Cream é probiótico, onde incorporamos 100% cebola, é um produto natural (…), salsa, cebolinho e trocámos o sal comum por salicórnia, que é mais saudável e tem menos teor de sódio”, acrescentam. O conceito passa assim por “introduzir os probióticos no dia a dia, de uma forma diferenciada dos iogurtes tradicionais”.
O prémio “Potencial de mercado” foi conquistado por um concentrado de sopa de legumes, produto apresentado por André Roseiro e Sónia Marques.
“A nossa inovação não se trata tanto do sabor, da receita em si, mas sim da forma de apresentá-lo no mercado. A sopa é um prato intemporal e transversal a todas as faixas etárias. Todos nós estamos habituados a comer sopa, mas estranhamente, a verdade é que o mercado não nos dá opções como dá para outras gamas de produtos”, começaram por explicar.




“Se desejarmos comer sopa podemos comprar os legumes e fazê-la e depois temos duas ou três opções de consumo rápido de sopa que, na minha opinião, aproximam-se só da sopa e não recriam na totalidade o que considero ser uma sopa”, afirma André Roseiro.
A fim de tornar o consumo de sopa mais simples e eficiente, desenvolveram um concentrado de sopa, realizado apenas com legumes, sem sal e gorduras adicionadas.
Das vantagens, salienta a eficiência do transporte da mesma, bem como do próprio armazenamento em casa por parte do consumidor. “O objetivo é conseguirmos ter um produto saudável, de rápida confeção e que possamos armazená-lo durante um tempo de vida útil maior”.
Ao concurso levaram uma sopa de legumes, mas afirmam ter já um “leque alargado de sopas” e que vão desde as sopas proteicas às sopas com aporte nutricional superior, passando ainda pelas sopas diet.
O Prémio Food Fab Lab tem como objetivo revolucionar a inovação no setor agroalimentar, abrindo portas a novos horizontes e oportunidades e promovendo ainda o aparecimento de novos produtos e/ou projetos empresariais.
Trata-se de uma iniciativa do Inov.Linea – Tecnologias Alimentares do Tagusvalley, que tem disponível o serviço de produção partilhada, designado como Food Fab Lab para a comunidade científica, empresarial e educativa, onde podem ser encontrados equipamentos e tecnologias, dedicados à transformação, investigação e produção à escala piloto de produtos alimentares.












