Processo de instalação e investimento da empresa Tectania em Abrantes vai ser encerrado sem prejuízo de voltar a ser reiniciado. A empresa Tectania dedica-se à investigação, conceção e fabrico de veículos automóveis e motociclos para o segmento Off-Road. Foto: DR

O processo da empresa Tectania vai ser encerrado. A confirmação foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal de Abrantes, na passada terça-feira, em reunião de executivo. Manuel Jorge Valamatos deu conta que “do ponto de vista formal” o atual processo de instalação da empresa na zona industrial de Abrantes termina porque os empresários admitem não haver condições para o cumprimento dos prazos estabelecidos. Os empresários garantem “manter interesse” em instalar a empresa em Abrantes e por enquanto a empresa mantém-se sedeada no Tecnopolo. Após a pandemia de covid-19 fica em aberto da possibilidade de iniciar um novo processo.

Anunciada pela então presidente Maria do Céu Albuquerque como já instalada no Parque Tecnológico do Vale do Tejo, em maio de 2018, a empresa Tectania – Tecnologia Automóvel, Lda. informou recentemente a Câmara da sua incapacidade de cumprir os prazos estabelecidos e como consequência o processo de instalação e investimento no Parque Industrial de Abrantes vai ser encerrado, anunciou o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos.

A empresa deveria ter criado, em 2018, oito postos de trabalho, mas tal não aconteceu e até hoje nenhum posto de trabalho foi criado. Em maio de 2019 a empresa requereu a prorrogação por um ano do prazo de assinatura do contrato de compra e venda e para submeter o projeto das instalações a controlo urbanístico, ou seja, 15 de maio de 2020, mas reconheceu agora ser incapaz de cumprir os prazos.

Em novembro do ano passado, Manuel Jorge Valamatos explicava que segundo o Gabinete de Desenvolvimento Económico da Câmara Municipal de Abrantes, os empresários da Tectania estavam em negociações com capital chinês.

A Tectania “obrigava-se a fazer um conjunto de ações até uma determinada data e os empresários ligaram-me para dizer que atendendo a esta situação [pandemia de covid-19] não vai ser possível”, disse o presidente ao mediotejo.net.

Os empresários garantiram ao presidente que “não pretendem desistir do projeto e continuam sedeados no Parque de Ciência e Tecnologia. Sei que estão a pagar quotas, mas não conseguem cumprir as datas e há prazos formais que teremos de trazer a reunião de Câmara” para encerrar o processo, podendo ser “reiniciado” após a pandemia.

O autarca lembra que antes da covid-19 o sentido da economia em Abrantes “era de crescendo mas agora existem vários investimentos em risco. A Tectania não reúne condições para iniciar o avanço da sua ação”, explicou.

Quanto a medidas de apoio ao tecido empresarial do concelho de Abrantes, o presidente deu conta que pretende a Câmara “iniciar um conjunto de reuniões com os empresários para tentar perceber o que está a acontecer, e de que forma podemos apoiar e ajudar. Esta situação da covid-19 ainda não permitiu estabelecer contactos diretos e objetivos para ficarmos a par da situação, mas é um trabalho que teremos de iniciar rapidamente”, afirmou.

Na próxima reunião de Câmara de Abrantes – que deve ter lugar em junho – o presidente comprometeu-se em apresentar “informação mais pormenorizada”.

O terreno pertence ao Município e a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, em maio de 2018, a alienação da parcela de terreno no Parque Industrial de Abrantes, com a área de 89.270 m2, pelo valor de 133.905,00 euros.

Na ocasião foi igualmente aprovado por unanimidade o reconhecimento do projeto enquanto projeto empresarial de interesse municipal e, consequentemente, a concessão de apoios de natureza fiscal e tributária no valor estimado de 523.912,93 euros, apoio “que vai permitir capitalizar este investimento e criar condições para a criação de postos de trabalho até 2025”, o que a então presidente Maria do Céu Albuquerque classificou de “muito importante” para o município, podendo potenciar o estabelecimento ou crescimento de outras empresas a montante e a jusante.

Há precisamente dois anos, a Câmara aprovou uma candidatura da empresa Tectania para aquisição a preço simbólico de terreno no Parque Industrial de Abrantes e a concessão de apoios de natureza fiscal e para instalação de uma empresa exportadora da indústria automóvel, motorizadas e motociclos, no âmbito do quadro de incentivos fiscais da CMA a projetos empresariais que contribuam para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego no concelho, o Abrantes INVEST.

A empresa Tectania, que se dedica à investigação, conceção e fabrico de veículos automóveis e motociclos para o segmento Off-Road, instalada no Parque Tecnológico Vale do Tejo, em Abrantes, deveria ter criado até final de 2018 oito postos de trabalho, segundo o anunciado pela CMA. Acrescentava esse anúncio que a empresa de investidores brasileiros esperava quintuplicar o número em 2019, atingindo os 296 trabalhadores em 2025.

Foi anunciado como um investimento de 44 milhões de euros pela empresa. O município de Abrantes apoia com mais de meio milhão de euros em isenção de natureza fiscal e tributária.

Os investidores, José Fernando Faraco (70%) e Giovani Balduíno (30%), escolheram o nosso País devido “à instabilidade política e económica vivida no Brasil reforçada com a oportunidade que Portugal representa enquanto plataforma de atuação para o mercado europeu, contando um leque alargado e diversificado de agentes e possíveis fornecedores para um dos principais projetos que balizarão o desenvolvimento da empresa – propulsão elétrica, constituíram-se com precursores deste projeto”, disse na época a antiga presidente da Câmara.

Nessa ocasião foi anunciado que a empresa Tectania produzirá a nova versão do Modelo Stark 4×4 da brasileira Tac Motors SA. e todos (cinco) os modelos de motociclos desenvolvidos pela empresa portuguesa AJP Motos, sediada em Penafiel. A previsão anual de vendas para 2021 era de 3000 carros e 3100 motociclos.

No dia 5 de maio de 2017 ocorreu a comunicação informal que Abrantes havia sido a cidade escolhida e em julho de 2018 foi apresentada a candidatura formal à aquisição do lote de terreno na Zona Sul do Parque Industrial. Em abril desse ano era apresentada a candidatura formal a projeto de interesse municipal.

A submissão do projeto a licenciamento estava prevista acontecer em junho de 2018 com a conclusão da construção com data previsível para março de 2020.

A Tectania propunha-se ter capacidade plena de laboração de motociclos e do primeiro modelo em dezembro de 2021, e capacidade plena de laboração de motociclos mais dois novos modelos em outubro de 2025. A previsão de volume de negócios para 2021 era de 83,7 milhões de euros. A pandemia veio agora encerrar um processo que tardava em arrancar.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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