Consulta de enfermagem familiar na USF D. Francisco de Almeida, Abrantes. Créditos: mediotejo.net

São atualmente perto de 8.000 os munícipes abrantinos sem médico de família. O número foi avançado esta semana pela vereadora com o pelouro da saúde da Câmara de Abrantes, Raquel Olhicas, que sublinha a vacinação e o crescimento das aposentações dos profissionais de saúde como fator que agrava a insuficiência crónica de médicos, assim como de profissionais de enfermagem.

“É uma situação crónica”, começou por referir Raquel Olhicas, vereadora socialista responsável pela área da saúde no Município de Abrantes, dando conta que a crise que se vive ao nível de médicos de família a nível nacional não é exceção nem no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo nem em Abrantes.

Com um total na ordem do milhão e cem mil utentes sem médico de família a nível nacional, Raquel Olhicas admite que as aposentações, que “estão a acontecer com mais evidência”, são uma das agravantes do problema no caso concreto de Abrantes.

“Este ano reformaram-se quatro médicos – dois dos quais o ACES do Médio Tejo em articulação com o Município de Abrantes conseguiu que continuassem a prestar serviços em Alvega e Alferrarede, estão a alocar 20 horas aos nossos utentes – e temos duas médicas em prestação de serviços”, disse a vereadora em sessão do executivo na terça-feira, na sequência de uma proposta relativa a cuidados de saúde primários apresentada pelo vereador Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) – que acabou por ser chumbada.

“Os médicos existentes, sobretudo na UCSP de Abrantes, são manifestamente insuficientes para as necessidades dos utentes e tudo isto reflete uma percentagem ainda significativa de utentes sem médico de família”, disse ainda Raquel Olhicas, avançando com um número de 8.000 utentes atualmente sem acesso a médico de família no concelho.

“É grande esta percentagem, mas muitas das situações referem-se ao aumento das inscrições relativamente ao processo de vacinação. Sabemos que alguns utentes não eram frequentadores do SNS e, tendo em conta esta situação da vacinação da Covid-19, fizeram com que fossem frequentadores e aumenta um bocadinho. Não é que necessitem efetivamente de cuidados no nosso sistema mas recorrem ao processo de vacinação – portanto, estes 8.000 provavelmente não refletem as necessidades dos 8.000”, afirmou.

ÁUDIO | Raquel Olhicas, vereadora da CM Abrantes:

Admitindo um contacto assíduo com o ACES Médio Tejo para a resolução da falta de recursos humanos – tanto a nível de enfermagem como de médicos – a responsável deixa a mensagem de que, apesar de esta ser uma situação crónica, existe “tendência a melhorar com a minimização do impacto da pandemia, assim esperemos, e vamos mantendo esta sinergia que é o nosso apanágio”.

“Não conseguimos criar médicos de um momento para o outro, não temos varinhas que os formem. (…) Não conseguimos, efetivamente, colocar aqui médicos em tempo real”, disse ainda, apelando a que se aguarde por desenvolvimentos favoráveis nesta matéria.

Ana Rita Cristóvão

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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