A CM de Abrantes entregou as chaves do teatro São Pedro aos seus proprietários no final de janeiro de 2018. Foto: mediotejo.net

Maria do Céu Albuquerque lembrou, em sessão de Assembleia Municipal (AM) realizada na sexta-feira, 23 de fevereiro, que as negociações com a sociedade Iniciativas de Abrantes não começaram em janeiro de 2018. A Câmara Municipal de Abrantes (CMA) reuniu “diversas vezes” com a gerência, à época, que passava por uma fase de alteração e sem legitimidade para tomar decisões.

A presidente informou a AM que o Município fez uma proposta para a aquisição do Cineteatro São Pedro por cerca de 270 mil euros, recusada pela Iniciativas de Abrantes, como o mediotejo.net já havia noticiado. Em entrevista ao nosso jornal, a autarca afirmou acreditar que as negociações em curso vão chegar a bom porto, e confirmou ainda o interesse na aquisição e reabilitação do cinema de Alferrarede.  

A presidente da CMA, Maria do Céu Albuquerque, deu conta na sexta-feira, em sessão de AM, que o Município avançou com duas propostas à sociedade Iniciativas de Abrantes no sentido da CMA recuperar a gestão do Cineteatro São Pedro: compra e novo protocolo na sequência do anterior.

Segundo a presidente a sociedade recusou. “Não querem vender pelo valor oferecido mas não fizeram qualquer contraproposta, nem qualquer avaliação” com montante diferente. “Aquilo que propuseram foi um arrendamento de seis mil euros por mês e recentemente apresentaram uma contraproposta no sentido desse montante poder ser diminuído no valor da aquisição”, explicou.

O público no cine teatro São Pedro em Abrantes.

A CMA “não pode aceitar um negócio destes, nem sequer sabemos se vamos conseguir chegar a um entendimento para a aquisição daquele imóvel. Está fora de questão!”, garante Maria do Céu Albuquerque.

Reforça a afirmação do Município ter iniciado o processo de negociação com o antigo administrador que “não se sentia legitimado para continuar. Aguardámos que a nova administração tomasse posse, reunimos assim que foi possível”, disse.

Após a apresentação das duas propostas a entidade deu conta à autarquia de “não ter condições para vender e muito menos por aquele preço” avançando com uma outra proposta de protocolo em que a CMA é responsável pelas obras necessárias no edifício para seguidamente haver lugar a arrendamento do espaço.

A CMA recusou porque, defende a presidente, “quem arrenda, arranja e coloca ao serviço”. Justifica a recusa da proposta de arrendamento acrescentando que a autarquia “só pode recorrer a fundos comunitários, como previsto para a regeneração urbana, se for proprietária do imóvel ou tiver um protocolo que salvaguarde o interesse público”.

A presidente deu conta da intenção da CMA de continuar o processo negocial “ até para um consenso que sirva a comunidade abrantina, porque aquele equipamento está previsto no plano de urbanização exclusivamente como equipamento, com aquele fim”, não acreditando existir outra entidade com capacidade de “pegar naquele imóvel. Só tem interesse para a CMA”, sustenta.

Maria do Céu Albuquerque informou ainda a AM que a CMA não anulou qualquer espetáculo, optando por alterar a localização para as salas disponíveis no concelho, dando como exemplo a Santa Casa da Misericórdia e os auditórios das Escolas Secundárias.

Cineteatro de Alferrarede

Concluiu a sua intervenção sobre a matéria, ao afirmar que, no âmbito do Plano de Regeneração Urbana, e à semelhança do plano traçado pela autarquia para o centro histórico de Abrantes, está previsto “a mesma coisa para o Rossio ao Sul do Tejo e Alferrarede”.

“Já anunciámos um processo negocial para aquisição do cineteatro de Alferrarede” no sentido de “recuperar aquele imóvel colocando-o ao serviço de um projeto maior de regeneração urbana do centro histórico de Alferrarede”, avançou.

O espaço físico do cinema de Alferrarede está hoje ocupado por um negócio de antigudades e velharias e a precisar de avultados investimentos. Foto: mediotejo.net

Para tal a CMA “reuniu com representantes daquela organização”, leia-se proprietários e respetivos descendentes que derivam do denominado ‘Grupo dos 30’ e que investiu naquele equipamento, que seria inaugurado em dezembro de 1950.

Se o final destas ‘histórias’ se revelar inconclusivo, quer para o Cineteatro São Pedro quer para o cineteatro de Alferrarade, a CMA poderá avançar para um processo de expropriação. Embora não seja “isso que queremos”, sublinhou a presidente.

*C/ Mário Rui Fonseca

A sua formação é jurídica e a sua paixão é História mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 à cidade natal; Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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