Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida vai integrar a rede de museus de Abrantes. Foto: mediotejo.net

A obra de requalificação e conversão antigo Edifício Carneiro no Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida está concluída, com a concretização de ajustes finais, estando a decorrer a fase de musealização, com preparação dos equipamentos e conteúdos a instalar, confirmou ao mediotejo.net o presidente da Câmara Municipal de Abrantes. No exterior, nomeadamente para aquela que virá a ser a ligação prevista ao Jardim do Castelo com as obras de maior envergadura do escultor, ainda se encontra por concluir.

O novo museu, resultante de um investimento de 2 milhões de euros com financiamento aprovado do Portugal2020 na ordem de 1,9 milhões de euros, irá ser guardião do acervo artístico do escultor octogenário Charters de Almeida.

Quem passa na Rua de São Pedro (antiga Rua dos Coelheiros), descendo da zona do Castelo de Abrantes e skate park, e descendo de novo ao centro histórico no sentido do Jardim do Castelo, não fica indiferente à tonalidade azul do antigo e histórico Edifício Carneiro – que antes da requalificação tinha tom amarelo – bem como ao chamariz dos focos de iluminação exterior já instalados.

Foto: mediotejo.net

“Encontra-se em fase de musealização. A obra está praticamente concluída no que toca à arquitetura, com acerto de últimos pormenores. Mas de forma muito geral este trabalho na parte de arquitetura e de engenharia está concluído, e muito bem concluído. É um trabalho absolutamente extraordinário que acho que vai deixar a nossa comunidade muito satisfeita”, disse ao mediotejo.net Manuel Jorge Valamatos.

Quanto a data para que este equipamento possa abrir portas, o edil refere constrangimentos causados pelos atos eleitorais que marcam este ano, apontando que a inauguração só poderá ocorrer após as eleições.

“Queremos fazer a inauguração nos próximos meses, estamos condicionados com os próximos atos eleitorais marcados, quer das eleições intercalares da União de Freguesias de Alvega e Concavada, quer das eleições legislativas e as europeias. Vamos andar um bocadinho condicionados, a Comissão Nacional de Eleições tem um conjunto de regras e normas que nós temos que respeitar, mas logo que essa fase passar, estaremos em condições de fazer uma inauguração com toda a dignidade, reforçando o papel desta nova estrutura na constelação de museus e de valorização do nosso património”, frisa.

Também o vereador Luís Dias, com o pelouro da Cultura, já havia dado conta em reunião de Câmara que se está “a trabalhar na construção da narrativa, com todos os intervenientes, o escultor, arquitetos, um museólogo, designers, todas as pessoas que estão a trabalhar na instalação do museu”, referindo que a galeria QuARTel tem servido de “tubo de ensaio” para o que estará patente em cada sala do futuro MAC, situação que também foi utilizada para a musealização do MIAA, nomeadamente porque a galeria tem espaço que se adequa a esse trabalho e está dotada de laboratório para conservação e restauro.

Por outro lado, a autarquia deu conta de que a programação do MAC estará a ser trabalhada e que será apresentada “em tempo oportuno”.

Nas traseiras ainda se avista obra inacabada no exterior, até porque o projeto prevê a ligação ao Jardim do Castelo, com exposição do espólio de exterior de Charters de Almeida, tendo vista privilegiada sobre o Aquapolis, nomeadamente sobre a estátua Cidade Imaginária, situada na margem norte e que é da autoria do escultor.

O escultor Charters de Almeida doou o seu espólio à cidade – onde tem várias peças em espaço público –, sendo que o acervo ficará instalado neste espaço, incluindo peças marcantes do percurso do autor, que vão desde o ferro, ao aço, ao bronze, à pedra e ao betão.

O acervo constitui-se de desenhos originais, posters, cartas e documentos de interesse relacionados com a conceção, construção e implementação e inauguração dos trabalhos. Contém ainda dados biográficos, fotobiografias, compilação de críticas e trabalhos escritos de reflexão da obra.

O intuito é que este espaço integre a constelação museológica do concelho, sendo impulsionador de desenvolvimento cultural e criador de novas centralidades e dinâmicas, também inserido numa ótica de turismo.

O presidente da Câmara já havia indicado que este novo museu também irá desafiar a comunidade a usufruir e utilizar o mesmo, desde logo com a criação de um anfiteatro com cerca de 53 lugares sentados.

Foto: mediotejo.net

“Vamos ter um laboratório de restauro e investigação, que abrirá porta aos estudos e ciência, e à ligação que se pretende ter com o ensino superior e as Belas Artes. Precisamos de dinâmica bastante para estes projetos, não basta reabilitar e ter um museu. É preciso ter museus vivos e dinâmicos”, disse.

A complexidade da obra levou a reforço da estrutura do edifício, nomeadamente dos pisos superiores. O edifício foi adaptado às condições anti-sísmicas, mas a crise quanto às matérias-primas tem levado a reajustes, além de que a obra decorre desde 2019.

A exposição irá inclusive entrar no jardim do Castelo, incluindo o espólio exterior de Charters de Almeida. Dali há também enquadramento com vista para a estátua no Aquapolis Norte, a “Cidade Imaginária”, da autoria do escultor.

O escultor Charters de Almeida. Fotografia: DR

O Edifício Carneiro será um “guardião da atividade artística” do escultor Charters de Almeida, colocando a público o acervo de obras representativas das várias fases do percurso de mais de meio século da atividade artística do escultor, e doadas por sua vontade à Câmara Municipal de Abrantes.

As obras ficarão expostas no interior e no exterior do edifício, uma vez que toda a zona exterior envolvente do logradouro vai ser tratada com a finalidade de ser a porta de entrada para a criação de um percurso de exposição ao ar livre até à entrada do Jardim do Castelo, confluindo com a intervenção prevista para o espaço do Castelo e área em redor.

O escultor Charters de Almeida, 88 anos, doou ao Município de Abrantes uma parte significativa da sua coleção e das quais se destacam as obras em grande escala, conhecidas por “Cidades Imaginárias”, que chegam a atingir os 40 metros de altura.

O MAC irá incluir peças da primeira fase do seu trabalho (até 1973), que se convencionou chamar “dos bronzes” pela predominância dessa matéria; um conjunto de trabalhos denominados “Relógios de sol”, trabalhados em blocos de mármore polido, com várias componentes de metal; e ainda um conjunto de trabalhos (entre quadros com imagens e pinturas) com desenhos e projetos das “Cidades Imaginárias”, que correspondem a intervenções no espaço público utilizando materiais como o aço, o mármore, o granito e o betão armado.

Além dos espaços expositivos interiores, para acolhimento de exposições de caráter permanente e temporário, o edifício será dotado de um auditório polivalente.

Foto: mediotejo.net

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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6 Comments

  1. Muito positivo.
    Conheço o escultor desde a Escola de Belas Artes do Porto, onde deu aulas de Escultura e adquiriu progressivo reconhecimento na sua área artística.

  2. A questão é que já temos um museu (MIAA) e agora mais outro e não me parece termos municipes para tanto museu e enquanto isso, obras de interesse para o cidadão para melhorar o quotidiano e até com mais visibilidade para o exterior, vão continuando no papel e nunca mais avançam. Mas enfim, façam-se museus.

  3. Penso que é uma honra para a cidade de Abrantes receber e expor as peças doadas pelo João Charters de Almeida, que demonstra ser, para além de um grande Artista, um grande Homem

  4. Boa noite. Já existe alguma programação para o primeiro semestre de 2024 ?

    Em caso afirmativo como poderei consultar?

  5. Num país onde o turismo é uma das fontes principais de rendimento é sempre uma mais valia para qualquer comunidade marcar a sua diferença, através da cultura. Receber o espólio de um ilustre artista, bastando para isso, apenas recuperar um palacete, é um privilégio para a cidade, o municipio e a comunidade em geral.
    Agora convém divulgar, difundir para ter público e atrair pessoas de fora.

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