No 102º aniversário da elevação de Abrantes a cidade, a Galeria quARTel da Arte Contemporânea de Abrantes – coleção Figueiredo Ribeiro, recebeu parte das cerimónias oficiais. A aposta na cultura e no turismo, num apelo à descentralização, foi o mote da cerimónia alusiva ao Dia da Cidade. A receção do prémio Museu do Ano, entregue ao Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, em Tramagal, esteve em destaque com o vice-presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM) a realizar a entrega simbólica da peça à presidente da Câmara Municipal, Maria do Céu Albuquerque.

O Museu Metalúrgica Duarte Ferreira visitado pelo vice-presidente da APOM, Pedro Inácio, “há cerca de três meses, e foi motivo de grande atenção para sentir na essência o que um museu local tem para dar”, disse aquele responsável, referindo-se às comunidades local e regional, mas também nacionalmente e até internacionalmente.
Lembrou que o Museu MDF “configura património, história e conhecimento a níveis invejáveis no sector da metalurgia agrícola e industrial”, esta última “ligada ao ramo automóvel”. Pedro Inácio contou ter encontrado em Londres, no ano 2000, o senhor Berliet que, sabendo que era português, o felicitou pela excelência da fábrica de Tramagal e do papel que tinha exercido na construção dos famosos camiões Berliets, aplicados em diversas frentes, designadamente durante a Guerra Colonial.

O vice-presidente da APOM deu conta que a existência da Associação direciona-se para “a excelência dos museus e o melhor que se faz nos museus portugueses, com isso damos os passos que visam atingir esse objetivo: que sejam lugares de conhecimento, de sentimento, de afeto”, destacando tal “trilogia constante para todos os museus que a APOM tem vindo a premiar”.
Pedro Inâcio equiparou o nascimento e um museu ao nascimento de um filho. “Depois de nascer há todo um trabalho acrescido para o educar, para o formar e para que seja um cidadão aos olhos do que os pais desejem que seja, e os museus têm essa particularidade por analogia”, disse.
Prosseguiu sublinhando a responsabilidade acrescida latente depois da inauguração de um museu, “para as tutelas, para as equipas e para as comunidades, sejam locais, nacionais ou estrangeiras”.
A peça que simboliza o Prémio “são quatro esculturas em vidro, cada uma das esculturas está ligada à arte, ao conhecimento, à história e ao património cultural”, referiu. Explicou ainda que “o vidro tem a parte técnica, do azulejo como marca identitária do nosso património cultural e a simbologia do cromatismo”. Isto porque a APOM pretende que os museus “sejam alegres, ativos e coabitem com as cores do arco-íris”. Finalizou com votos de “sucesso” para o Museu Metalúrgica Duarte Ferreira.
A presidente Maria do Céu Albuquerque, que recebeu das mãos do vice-presidente da APOM a peça que simbolicamente representou a entrega do Prémio de Museu do Ano, disse que o mesmo “é de toda a comunidade abrantina mas é especialmente da comunidade tramagalense”.

O Museu MDF, inaugurado no Tramagal a 01 de maio de 2017, um investimento na ordem dos 500 mil euros, dos quais 90 mil comparticipados por fundos comunitários, foi ainda distinguido com uma menção honrosa na categoria “Investigação”, pelo trabalho coordenado pela jornalista Patrícia Fonseca e publicado no livro “1879-1997 – Metalúrgica Duarte Ferreira, uma história em constante metamorfose”.
Resultado de uma década de pesquisas, sob a coordenação da jornalista e editora Patrícia Fonseca, com edição da Câmara Municipal de Abrantes, o livro complementa a visita ao Museu MDF, aprofundando a história da empresa desde a sua fundação e enquadrando-a com os factos históricos que marcaram a vida portuguesa e a atualidade internacional, ao longo de todo o século XX.
Contém inúmeros documentos inéditos, recolhidos em vários arquivos nacionais e todos os pertencentes ao espólio da família Duarte Ferreira que, pela primeira vez, acedeu a torná-los públicos.

O Museu, instalado nos antigos escritórios da MDF, conta com espaços expositivos e documentais daquela que foi uma das principais empresas metalúrgicas do País e que chegou a empregar mais de 2500 pessoas e conta uma história com mais de um século – entre o dia em que Eduardo Duarte Ferreira ergueu a primeira forja (1879) e a data da extinção da Metalúrgica Duarte Ferreira (1997).
Ao longo do percurso de ar livre que se pretende ainda construir, com cerca de 300 metros, o Museu contará ainda com as máquinas de grande porte ali construídas ao longo do século XX, como debulhadoras, ceifeiras ou os célebres camiões Berliet, que equiparam o exército colonial português.

Nascido em Tramagal em 1856 no seio de uma família muito humilde, o fundador da fábrica, Eduardo Duarte Ferreira, começou por se dedicar ao fabrico de alfaias agrícolas, em especial charruas, estando a sua pequena forja unipessoal na génese daquela que viria a ser uma das maiores unidades industriais portuguesas, tendo adotado como seu símbolo comercial e de marca uma borboleta.
A peça do Prémio ficará exposta na Galeria quARTel da Arte Contemporânea (antigo quartel dos bombeiros), em Abrantes, durante os dias de realização das Festas da Cidade. No decorrer do 264º aniversário da Freguesia de Tramagal (23 de junho), a peça alusiva ao Museu do Ano será entregue no território do Tramagal, ficando exposta no Museu Metalúrgica Duarte Ferreira.
