Bastonário da Ordem dos Médicos esteve em Abrantes onde reclamou do governo mais investimento e melhor planeamento na saúde. Foto: mediotejo.net

Numa visita a Abrantes, ao hospital local e ao lar da Santa Casa da Misericórdia, Carlos Cortes realçou a importância da hospitalização domiciliária e o seu enorme “serviço à comunidade”, enaltecendo o trabalho dedicado prestado por essa unidade do Centro Hospitalar do Médio Tejo onde, na manhã de sexta-feira, 7 de abril, conversou com colegas de vários serviços.

A hospitalização domiciliária proporciona cuidados de proximidade, reduz a pressão no internamento hospitalar, reduz o risco de infeção e da perda de autonomia dos doentes, além de proporcionar um acompanhamento especializado com maior conforto para doente e família, sendo, portanto, uma resposta em saúde na qual se deve investir, defendeu o bastonário.

Carlos Cortes esteve no Dia Mundial da Saúde no hospital de Abrantes e na Santa Casa da Misericórdia. Foto: mediotejo.net

Carlos Cortes manifestou o seu regozijo por estar a ser firmado um protocolo entre o Hospital Doutor Manoel Constâncio, em Abrantes, e o Lar da Santa Casa da Misericórdia local, e que irá proporcionar aos utentes do lar esses cuidados sem terem que se deslocar ao hospital.

“Esta é uma notícia muito positiva pois, neste dia em que se celebra ‘saúde para todos’, não queremos que algumas faixas etárias sejam esquecidas”, afirmou o bastonário.

Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | CARLOS CORTES, BASTONÁRIO ORDEM DOS MÉDICOS:

Carlos Cortes alertou ainda para o dever do Ministério da Saúde assegurar que a resposta às necessidades das faixas etárias mais avançadas é devidamente qualificada. É preciso planear e investir, exigiu: “Os cuidados de saúde têm que estar direcionados para cuidar de pessoas de todas as idades. Mas há faixas etárias menos apoiadas e menos valorizados: refiro-me aos idosos”.

Para o bastonário, “o país tem que começar a dar mais atenção a estas pessoas. 86% dos utentes dos lares têm mais de 75 anos e muitos deles têm não uma mas muitas patologias, facto que gera crescente necessidade de cuidados médicos. A avaliação que a OM tem feito é que a resposta nos lares tem que melhorar. Os profissionais são pessoas muito dedicadas mas é preciso mais formação. E temos que ter médicos nos lares. Não pode ser uma opção”, vincou.

Só com “cuidados diferenciados, com médicos em todos os lares” é que é possível “evitar que muitos desses idosos deem entrada nas urgências” por situações de agudização de doença que eram evitáveis se houvesse o devido acompanhamento clínico.

Neste contexto, o bastonário da Ordem dos Médicos exortou o Ministério da Saúde a “melhorar a resposta urgente, reforçar a evolução positiva da hospitalização domiciliária e melhorar a resposta à população mais envelhecida”.

E, afirmou, porque “nenhum sistema sobrevive centralizado na urgência como se vive atualmente”, estas mudanças de paradigma “seriam sinais positivos de que o Ministério quer de facto melhorar a saúde dos portugueses, além de palavras e promessas”.

O bastonário da Ordem dos Médicos esteve também de visita ao hospital de Abrantes, do Centro Hospitalar do Médio Tejo. Foto: OM

“Pela proteção e segurança dos doentes, pela recuperação do serviço público mais acarinhado de sempre pelos portugueses, e pela própria sustentabilidade do SNS, podem contar com os médicos. Mas instamos o Ministério da Saúde a dar sinais de esperança na reforma que tem sido anunciada. O SNS precisa de muito mais do que boas intenções teóricas. Os profissionais, nomeadamente os médicos, precisam de sentir que vale a pena o seu empenho e dedicação”, alertou Carlos Cortes.

“Queremos investimento, mas, acima de tudo, queremos planeamento!”, concluiu.

Para a visita ao Lar da Santa Casa da Misericórdia o bastonário convidou os médicos João Gorjão Clara e Pedro Madeira Marques, respetivamente presidente e vice-presidente da AMIDI – Associação dos Médicos dos Idosos Institucionalizados, organização que tem como objetivo ajudar a promover a melhoria da resposta que é dada a esses utentes, em todas as suas vertentes (médica, nutricional, social, cultural, etc.).

Os representantes da AMIDI e o bastonário da Ordem dos Médicos realçaram neste dia o dever da sociedade cuidar dos seus idosos.

João Gorjão Clara, presidente da AMIDI. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JOÃO GORJÃO CLARA, PRESIDENTE DA AMIDI:

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes anunciou ao bastonário a perspetiva de um protocolo com o Centro Hospitalar do Médio Tejo em termos de cuidados médicos aos cerca de 105 utentes do lar, no âmbito do alargamento do serviço de hospitalização domiciliária.

João Pombo, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | JOÃO POMBO, PROVEDOR SANTA CASA DE ABRANTES:

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *