Vítor Moura deixou críticas à governação socialista e apoio declarado ao candidato da AD nas autárquicas de 12 de outubro. Já Vasco Damas destacou a experiência “transformadora” de quatro anos e a importância de oferecer uma alternativa política aos abrantinos.
O vereador do PSD, Vítor Moura, anunciou a despedida da sua vida política durante a reunião de executivo que decorreu na segunda-feira, tendo deixando uma mensagem aos abrantinos e críticas à atual gestão de maioria socialista.
“Quero deixar então, a todos os abrantinos, cumprimentos de despedida da minha atividade política. Não fiz o meu melhor, é sempre possível fazermos melhor, mas fiz com verdade, fiz com respeito e fiz com prazer. Foi por amor aos abrantinos, mesmo quando tive que elevar ou mudar o meu tom de voz, foi em busca do bem da nossa Terra, mesmo quando chamei incompetentes àqueles que o são”, afirmou.
O vereador eleito pelo PSD em 2021 sublinhou que desempenhou o mandato com “sentido de dever cumprido” e frisou que trouxe ao município “a oposição que Abrantes tanto precisava e o PSD não trazia”.
No balanço da governação socialista, Vítor Moura apontou um conjunto de falhas e promessas por concretizar. Lembrando o investimento no açude “sem água”, a ausência de um repuxo no “mar de Abrantes”, “não deixam uma sala de espetáculos a funcionar e que encerrarem já nem sei há quantos anos”.

“Não deixam uma creche a funcionar, porque estão agora a construi-la com tantos anos de atraso. Não deixam um pavilhão multiusos, porque vão gastar 7 milhões num espaço multiusos para disfarçar as asneiras que fizeram com o nosso antigo mercado, a velha praça”, elencou, apontando mais críticas.
“Não deixam um mercado diário porque a sucessão de asneiras do folhetim mercado diário, o encerramento da nossa praça, coincidindo com o aumento das grandes superfícies, e o chamado novo mercado diário não tem nem terá nunca clientes nem vendedores”, acrescentou.
Vítor Moura lamentou ainda a ausência de medidas estruturais para o desenvolvimento económico, lembrando propostas do PSD rejeitadas, como o ecoponto doméstico nos lares dos abrantinos. Apontou também a falta de avanços no aproveitamento do ramal ferroviário e nas infraestruturas desativadas da Central Termoelétrica do Pego.
“Se os abrantinos continuassem a votar em Manuel Jorge Valamatos e nesta equipa, não seria o João Morgado, não seria o PSD ou AD, nem seria a equipa do João Morgado que perderia as eleições e que perderiam qualquer outra coisa. Serão os próprios abrantinos e os nossos filhos e netos, esses sim, que irão perder”, defendeu.
Durante a sua intervenção, manifestou ainda o seu apoio ao candidato da AD à Câmara Municipal de Abrantes, João Morgado, garantindo que este será uma alternativa ao atual presidente. “Vai agora dar o primeiro, o grande rombo no PS na Câmara Municipal de Abrantes. Dia 12 os abrantinos dirão a dimensão desse rombo”, concluiu.
Também o vereador Vasco Damas, eleito em 2021 pelo movimento ALTERNATIVAcom, fez o balanço do seu mandato na última reunião do executivo municipal de Abrantes, sendo, neste caso, recandidato ao cargo de presidente do município nas autárquicas de 12 de outubro.
“Fazendo um pequeno resumo deste trabalho… Eu acho que esta foi, e falo em termos individuais, como é óbvio, uma experiência transformadora”, afirmou.

Vasco Damas sublinhou que a criação do movimento ALTERNATIVAcom teve como objetivo oferecer aos cidadãos uma opção política. “Uma alternativa que nós quisemos construir para que os abrantinos, pelo menos, não tivessem aquele argumento de não irem às urnas por falta de alternativa.”
O vereador disse que a sua participação foi encarada como uma missão com Abrantes “no centro”.
“Apesar de muitas vezes me criticarem pelo facto de eu colocar o dedo na ferida ou de apontar eventuais fragilidades, eu sempre o fiz porque gosto muito da minha terra, gosto muito de Abrantes e das suas freguesias”, declarou Damas.
“Aquilo que eu sempre achei e que fui partilhando ao longo dos tempos é que, na minha opinião, Abrantes tem tudo para ser muito mais do que aquilo que é. E foi precisamente por causa disso que achei que poderia contribuir com algum do meu conhecimento, com alguma da minha intervenção, para que esses contributos pudessem provocar uma indução positiva no desenvolvimento da cidade e do concelho”.
“O grande desafio era não permitir que a política nos mudasse e, se nos mudasse, que não fosse para pior. Tentei ao longo destes quatro anos manter esta essência e fazer política de forma positiva. (…) Sinto-me de consciência tranquila, acho que honrei o compromisso que assumi numa fase inicial deste mandato, que era além de ser a voz dos cidadãos, ter um comportamento vertical e onde tentaria sempre contribuir para o desenvolvimento do concelho”, acrescentou.
Sobre a ação do movimento, destacou a realização de três edições do Fórum Democrático, que trouxeram a Abrantes a academia, autarcas e diferentes personalidades.
“Um dos pilares que esteve na origem do nosso movimento foi precisamente aumentar o debate sobre os assuntos, porque só assim poderíamos chegar mais longe”, declarou.
“A pluralidade certamente nos ajudará sempre a chegar mais longe ou a soluções diferentes daqueles que quando estamos há muito tempo sempre a ser gerida pela mesma força política, acaba por gerar, não levem a mal o termo, mas quase uma ditadura do pensamento único”, vincou o vereador do movimento.
Vasco Damas lamentou, contudo, que “estes valiosos contributos não tiveram o reflexo ou a merecida atenção que mereciam”.
Ainda assim, frisou que ao longo do mandato foram apresentadas “centenas de assuntos” e “dezenas de propostas e sugestões” em áreas como saúde, educação, ambiente, património e proteção civil.
O PS detém a maioria no executivo municipal de Abrantes, com cinco eleitos, tendo PSD e o Movimento ALTERNATIVAcom um vereador cada.
Os candidatos à Câmara de Abrantes são Manuel Jorge Valamatos, atual presidente, que concorre pelo PS, Vasco Damas, atual vereador, pelo ALTERNATIVAcom, João Chaleira Damas, pela CDU, João Morgado, pela AD – Coligação PSD/CDS-PP, e Nuno Serras, pelo Chega.
As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro.
