Ninho ativo e com mais de duas mil vespas asiáticas encontrado em quintal em Abrançalha de Baixo/Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Era mais pequeno quando eu o detetei… com estas demoras de telefonar, não telefonar e não atenderem, claro, aquilo foi crescendo, e agora está além uma coisa enorme. E depois comecei a ver que aquilo não era ninho de abelha de mel, que aquilo era um ninho diferente e os senhores da Proteção Civil vieram cá ver e confirmar se era ou não das abelhas asiáticas”, situação que se viria a confirmar. Maria Gualdina tinha mesmo um ninho enorme de vespa asiáticas no seu quintal, à entrada de casa, tendo tentado afastar o seu pai de ir à rua.

“Tenho o meu pai com 93 anos e tinha receio que ele fosse ali para baixo e que elas lhe picassem. Até eu… Mas eu quando vou é sempre com muito cuidado, mas depois como cá vieram os senhores eu fiquei já mais tranquila, um bocadinho mais tranquila e deixei lá o ninho sossegado. Nunca lá mexi, porque já sei o que acontece com as outras do mel, quando nós tocamos é como todas as pessoas, quando lhes tocam lá na ferida, elas defendem-se, em conjunto. E eu era só uma e elas devem ser milhares, porque aquilo deve ter mais de 60 cm de altura e aí uns 50 cm de diâmetro”.

“É enorme”, afirmou, mais sossegada com a presença da equipa da Biomater, empresa contratada no âmbito da CIM Médio Tejo para destruir ninhos de vespas asiáticas na região.

Empresa especializada destrói ninhos de vespa asiática com uma proteção especial. Foto: mediotejo.net

Em declarações ao mediotejo.net, Sérgio Ribeiro, biólogo e responsável pela empresa, explicou o procedimento para o caso em concreto, com o técnico a vestir um fato de proteção contra eventuais picadelas da vespa e depois, com uma vara extensível, a introduzir no ninho uma espécie de veneno que as neutraliza. Poucos instantes depois várias dezenas de vespas começavam a cair aos nossos pés.

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Tendo destacado o “procedimento correto” de Maria Gualdina Gonçalves em não tentar mexer no ninho e em contactar a proteção civil municipal, Sérgio Ribeiro disse que a vespa velutina, ou asiática, “é um perigo para a economia local, mas também para as pessoas”.

“O impacto dela faz-se sentir em vários níveis. Ao nível económico, ao nível ambiental e também ao nível da saúde pública. Não é uma espécie que por si só, sem ser provocada, que persiga as pessoas, não chegámos a esse ponto. No entanto, se sentir ameaçada pode-se defender. E nesse ato de defesa pode picar as pessoas e pode ser grave, principalmente se houver alguém alérgico, aí estamos a falar de risco de vida. Portanto, é também uma questão de saúde pública”, notou, dando conta que nesta altura do ano as vespas ainda estão ativas e é quando os ninhos são maiores.

“Sim, elas nesta fase estão ativas e nesta altura, apesar de estarmos no final do ciclo anual que elas têm, é quando, de facto, o ninho atinge maiores dimensões. Os ninhos podem ter milhares de vespas, portanto é uma grande quantidade e como a colónia ainda está ativa, portanto, há um grande número de vespas em atividade, apesar de as temperaturas não estarem muito baixas. Eu diria que durante talvez mais algumas semanas ainda vamos ver ninhos grandes e com atividade, com vários milhares de vespas”, concluiu.

Técnico monitoriza processo de destruição do ninho depois de introduzir uma vara com um produto tóxico para as vespas. Foto: mediotejo.net

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo está a reforçar o combate à vespa velutina (asiática), prevendo a destruição de dois mil ninhos e a instalação de mais de 15 mil armadilhas nos 13 municípios da região até 2023, tendo contratado a empresa Biomater para o efeito.

O secretário executivo da CIM Médio Tejo, Miguel Pombeiro, deu conta de um aumento exponencial desde setembro de ninhos de vespa asiática na região, justificando a contratualização de um investimento na ordem dos 400 mil euros para, até 2023, destruir dois mil ninhos e instalar 15.065 armadilhas.

“Desde praticamente meados de abril que a candidatura [a fundos europeus] que foi aprovada está em execução e o objetivo principal é diminuir o impacto que a vespa velutina tem no nosso território e prevenir a sua disseminação”, disse Pombeiro, acrescentando que este ano “parece haver uma manifestação mais tardia relativamente ao aparecimento dos ninhos da vespa velutina”.

Os especialistas estimam que cada ninho de vespas asiáticas possa comer meio quilo de abelhas autóctones por dia.

A presença desta espécie de vespa foi confirmada em Portugal em 2011, sendo que o principal impacto conhecido desta espécie é a predação das abelhas.

Com uma área geográfica de 3.344 quilómetros quadrados, a CIM Médio Tejo integra os concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, e Vila Nova da Barquinha (do distrito de Santarém) e Sertã e Vila de Rei (distrito de Castelo Branco).

Mário Rui Fonseca

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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4 Comentários

  1. Ótimo trabalho, parabéns.
    Texto um bocado longo e repetitivo (19 minutos) face ao total de informação incluída.
    Tinha ficado mais completo se ensinassem a fazer a armadilha da garrafa.

  2. Pertenço ao concelho de ourem
    Tenho verificado na área onde resido a existência de varias armadilhas para eliminar as vespas
    Era bom que as entidades responsaveis pelo setor reforca-se ao colocação de mais armadilhas

  3. Bondia.porke tanta brucacias para vermos a presença d pessoas competentes (( pra destruição destes ninhos)) assunto tão delicado y mortal, y destruição de colmeias etc… á agricultores k não sabem u k é um e-mail., Porke não basta um simples telefonema ?! (( PORQUE meu DEUS… não agimos rápido y por isso estamos mais cheios delas ..a multiplicação não para ,.y assim vai nosso Portugal …mais pobre em abelhas d mel… como não bastasse US fogos florestais.pras matarem temos estás asiáticas a multiplicação á espera k as brucacias se facão (como fico triste cuando me Matão mais uma colmeia…está maldição,praga..US ninhos não ardeim..eu já fiz essa experiência,..ficado pretos por fora mas as larvas lá dentro ainda mechem passado 30 minutos numa fogueira

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