O património florestal foi este ano bastante danificado em vários municípios do Médio Tejo

Os incêndios que ocorreram em Abrantes no mês de agosto provocaram cerca de 4600 hectares de área ardida, o que corresponde a um valor de património florestal devastado superior a nove milhões de euros, enquanto em Mação, que viu mais de 25 mil hectares de floresta afetada, os prejuízos ascendem aos 50 milhões de euros, disse ao mediotejo.net o engenheiro florestal Luís Damas, presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação – Sapadores Florestais.

“O valor do prejuízo do concelho do Mação, só no valor da floresta (material lenhoso), poderá ser superior a 50 milhões de euros para uma área florestal afectada de 25 mil hectares de floresta.

O prejuízo do concelho de Abrantes  relativamente aos valor da floresta (material lenhoso) atinge os 9,2 milhões de euros para uma área florestal afectada de 4600 hectares de floresta”, salientou o engenheiro florestal.

Luís Damas chegou a estes valores calculando vários factores, nomeadamente, o valor da madeira, a produtividade média de cada espécie florestal, em causa pinheiro bravo e eucalipto e algum sobreiro e pinheiro manso, e a sua idade.

Com este cenário florestal, o presidente da Associação de Agricultores sublinha que “vai haver material lenhoso a entrar no mercado com desvalorizações elevadas e muito desse material vai ficar no terreno sem aproveitamento. Este valor não pode ser recuperado. Temos que esperar que a natureza ou o homem reponham o que agora foi perdido e isso vai demorar mais 15 ou 20 anos. Se não se fizer nada, a natureza vai encarregar-se de o fazer a maneira dela, o que vai criar condições para termos o mesmo cenário (fogos de grande dimensão) daqui a dez quinze ou vinte anos”, alerta Luís Damas.

Quanto aos investimentos que poderão ser feitos na área de intervenção da Associação de Agricultores, o engenheiro florestal refere duas realidades distintas: “A norte do rio Tejo – Mação, Sardoal – e norte de Abrantes, propriedades do minifúndio com relevo acentuado onde o absentismo de gestão florestal é grande. Aqui, o investimento por parte dos proprietários vai ser diminuto”, descreve Luís Damas, considerando que “é difícil convencer alguém a investir para arder sistematicamente. Por isso temos algum investimento no eucalipto por se poder tirar rendimento entre os ciclos dos incêndios”, justifica.

“As outras espécies têm retorno económico a partir dos 30 anos o que vai de certeza apanhar um incêndio antes de se obter algum valor económico. Se não mudarmos este cenário dificilmente vai haver investimento”, reforça o engenheiro florestal.

“Se não mudarmos este cenário dificilmente vai haver investimento”, afirma o engenheiro florestal Luís Damas

Uma outra realidade é a do sul do Tejo onde, segundo Damas, “temos a média e grande propriedade onde os proprietários têm uma gestão florestal mais profissional, o que reduz o risco de incêndio, mas não elimina totalmente. Aqui o investimento e o futuro na floresta é mais facilitado”, conclui.

O estado em que ficou o concelho de Abrantes após os incêndios de agosto levou a que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), no seu briefing quinzenal, estipulasse algumas prioridades de atuação no âmbito da estabilização de emergência, nomeadamente a prevenção e controlo de erosão, a prevenção da contaminação, o assoreamento, a recuperação de linhas de água e a recuperação de infraestruturas.

Nesta reunião foi feita a análise do mapa de incêndios ocorridos no concelho de Abrantes, no mês de agosto, até ao dia 25.

Foi, ainda, definida uma estratégia de atuação a curto, médio e longo prazo no sentido de serem trabalhadas e equacionadas, em conjunto, medidas prioritárias, particularmente para intervenção em áreas ardidas no norte do concelho. Neste enquadramento, foram constituídos três grupos de trabalho.

Este dispositivo, que reúne quinzenalmente durante a fase Charlie de incêndios, é constituído pelas seguintes entidades: Câmara Municipal; Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários; Serviço Municipal de Proteção Civil; Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação – Sapadores Florestais; AFOCELCA; RAME; GNR; PSP; Gestiverde, entidade gestora da ZIF de Aldeia do Mato, Hélder Silvano (Perito em Meteorologia) e os presidentes da Juntas de Freguesia.

Gisela Oliveira

Jornalista profissional há mais de 30 anos, passou por vários jornais diários nacionais, nomeadamente pelo 'Diário de Lisboa', 'Diário de Notícias' e 'A Capital'. Apaixonada pela profissão desde a adolescência, abraçou o jornalismo nas suas diversas áreas, desde o Desporto às Artes e Espetáculos, passando pela Política e pelos temas Internacionais. O jornalismo de proximidade surge agora no seu percurso.

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