Foi apresentado ao início da tarde de sexta-feira, dia 20 de setembro, no arranque da sessão de Assembleia Municipal de Abrantes, mas fora da Ordem de Trabalhos (OT), o projeto de requalificação do antigo Mercado Diário/Mercado Municipal de Abrantes. Orçado em 6,5 milhões de euros com financiamento assegurado através dos Investimentos Territoriais Integrados (ITI) da CCDR – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, a apresentação e o projeto propriamente dito mereceram fortes críticas por parte das forças políticas da oposição.
O projeto em causa foi vencedor do concurso público internacional lançado pelo Município de Abrantes em parceria com a Ordem dos Arquitetos, e é da autoria dos arquitetos José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano (ASPA Espaço de Arquitetura), que estiveram presentes na sessão para fazer apresentação do projeto de requalificação da antiga praça da cidade.
De recordar que em causa está a criação de um espaço aberto (open space) que servirá a realização de eventos e iniciativas dirigidas ao público jovem, mas também para eventos expositivos, “colmatando a ausência em Abrantes de um espaço com essas condições”, frisa a autarquia, indicando ainda que o espaço poderá ser palco de eventos como “a Feira Nacional de Doçaria Tradicional ou o Encontro Ibérico de Azeite, feiras de artesanato e outras iniciativas para promoção das tradições da região ou eventos de cariz económico, além de que promove novas “zonas pedonais acessíveis em redor do edifício e um elevador exterior para o parque do Vale da Fontinha, facilitando a mobilidade no acesso ao edifício”.

O presidente de Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS), referiu-se ao antigo Mercado Diário como um “edifício muito simbólico e de grande referência para todos nós” e voltou a sublinhar estar a honrar um compromisso que assumiu de trazer à Assembleia Municipal de Abrantes o projeto antes do processo de aprovação, para que os deputados, presidentes de junta e vereadores, “tivessem a possibilidade de conhecer em mais pormenor este projeto” que considerou “estruturante para o concelho”.
O autarca referiu-se ao investimento de 6,3 milhões de euros, com financiamento garantido através do ITI, da CCDR Centro, que vai transformar a envolvente e não só o edifício em causa.
“Não estamos a falar apenas da requalificação do antigo mercado diário, mas também de toda a transformação da zona envolvente, uma nova centralidade desde o cruzamento do Vale da Fontinha, Largo do Chafariz e 1º de Maio. Está previsto no Plano de Urbanização de Abrantes, o nó do Mercado, com alteração da pavimentação, passando a ser de cubos, e isso aumenta os níveis de segurança, reduz a velocidade do tráfego quase que de forma natural”, notou.
O edil relevou ainda o facto de se “manter a traça do edifício, desde o início um aspecto que nunca abrimos mão. Outro aspecto muito determinante para nós é que vamos ter um elevador externo da ligação do Vale da Fontinha até ao 1º de Maio”.
Trata-se, segundo o autarca, de um “espaço polivalente que nos vai permitir realizar festas de todo o género, fundamentalmente na expetativa daquilo que são as festas dos nossos jovens, das nossas associações juvenis, mas também obviamente olhamos para este espaço para a Feira Nacional de Doçaria, para o Encontro Ibérico do Azeite que queremos retomar, e para outros eventos e atividades que hoje em dia acontecem mas que têm custos de contexto muito altos e constrangimentos enormes, nomeadamente andar a instalar tendas em largos, como no 1º de Maio, como todos nós sabemos”.
Estiveram presentes na sessão de apresentação Pedro Novo, presidente do Conselho Diretivo Regional da Secção de Lisboa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitetos, bem como a equipa projetista vencedora do concurso internacional. Pedro Novo deu conta da validação da proposta vencedora num “processo difícil” e que teve participação “massiva”, com 53 propostas.

Admitiu ainda assim, conforme relatório do concurso, que os cinco primeiros vencedores estão separados “apenas por algumas centésimas” crendo que qualquer desses projetos poderia ter sido vencedor.
Por seu turno, a dupla de projetistas, os arquitetos José Maria Cumbre e Nuno Sousa Caetano, apresentaram o projeto com pormenor técnico, e enalteceram o facto de o concurso público promovido por Abrantes para requalificar o mercado municipal resolver duas questões de uma vez só, algo mais relacionado com a requalificação e reaproveitamento do edifício em causa, e outra virada para a resolução de questões de urbanismo.
“Este programa parece-nos muito pertinente porque por um lado resolve um nó da cidade, articulando um conjunto de cotas, por outro lado traz um programa que pelo seu caráter de tal forma abrangente vai permitir que um conjunto de atividades possam decorrer nesse mesmo espaço”, referiu José Maria Cumbre, o orador da apresentação.
Falou no facto de se articularem três cotas distintas, nos diferentes níveis do espaço envolvente, mas que acabam por estar “muito interligadas”, seja o espaço da cidade, seja o espaço interior do mercado.
Quanto à parte mais alta, será designada por Praça Sul, envolvida pela Avenida 25 de Abril, pelo Edifício São João e pelo edifício do Mercado. “É proposta uma nova praça, que iremos designar de Praça Sul, aproveitando para configurar todo aquele terreiro”, explicou.
Quanto à cota média, ao mesmo nível em que a Rua do Chafariz encontra a Avenida 25 de Abril, “será ali desenhada a Praça Norte, e na cota mais baixa, será feito um acesso ao Vale da Fontinha, na Rua Barro Preto, que remata este parque e que vai permitir aquilo que me parece um dos pontos fundamentais, que é a ligação do parque de estacionamento à cidade”.
“Estes três espaços a cotas distintas, estão articulados com um conjunto estruturado de percursos pedonais, seja por via de rampas, seja por via de escadas, seja até pelo uso de um elevador”, disse, notando a articulação entre os três espaços, que terão acesso ao interior do multiusos e promover a ligação com o exterior.

“Houve um desejo muito grande no projeto para que esta combinação entre espaço público, seja ele de permanência (as praças), seja ele de passagem (os tais percursos que ligam as praças, e as três cotas por nós identificadas)… existe um desejo que estas duas dimensões e o programa estejam muito e em constante diálogo. Por exemplo, quase que se obriga as pessoas a circularem muito perto do edifício para fazer essas transições. Faz com que o próprio edifício seja ele também, não uma peça isolada, mas parte integrante da cidade”, frisou o arquiteto.
Os projetistas falam na existência de três pisos, sendo que no piso superior existirá uma sala multiusos com 510 metros quadrados de área livre, que será definida por um conjunto de pórticos que desenham um espaço com “flexibilidade”, ou seja, versátil ao ponto de acolher eventos distintos, seja um concerto com cortinas perimetrais que definem o espaço, a Feira Nacional de Doçaria ou uma exposição ou mercado temporários.
José Maria Cumbre destacou a importância e “necessidade real de haver espaços multifuncionais capazes de acolher programas distintos, com diversas valências e que estabelecem até contactos e relações distintas com a cidade”.
Por outro lado, deu conta do previsto para a fachada frontal, desenhada a partir da Praça Sul com enquadramento à esquerda do Edifício de São João, e da fachada lateral nascente da Avenida 25 de Abril
Falando no piso inferior ao piso zero, deu conta da existência de outra sala polivalente, mais intimista e mais pequena, com cerca de 320 metros quadrados. A ligação entre os dois pisos é feita através de escadas localizadas na fachada nascente.
Já o acesso à sala mais pequena é feito por um lobby (hall de entrada) onde se encontra uma cafetaria que dá acesso e tem ligação com a Praça Norte, desenhada a partir da nova geometria que a Avenida 25 de Abril revela atrás do edificado.
“É um espaço de um certo resguardo e que depois se abre para o Vale da Fontinha, através de um vão onde pode estar uma esplanada da cafetaria”, exemplificou.




O lobby com vista para a Praça Norte e para o Vale da Fontinha, estará o balcão que acolhe as bilheteiras, a receção de eventuais espetáculos que possam acontecer na sala polivalente a esta cota, bem como uma cafetaria com esplanada interior e exterior e alimentada por uma cozinha de generosas dimensões.
Apesar da tentativa de “coser as várias cotas com a cidade”, o projeto prevê também autonomia entre os diferentes pisos, ou seja, em cada espaço ou piso interior e exterior podem decorrer eventos distintos ou em separado.

“O edifício como está desenhado permite que seja usado o piso -1, que dá para a Praça Norte, para um evento mais pequeno, seja associado as escolas ou neste caso com exemplificámos, um torneio de bilhar. Mas permitem simultaneamente que possa ser usado para a Feira da Doçaria, podendo fazer uso da sala em baixo como existe uma cozinha de generosas dimensões, que a própria Feira possa ganhar uma escala maior e possam ser feitos eventos gastronómicos na sala de baixo”, notou.
Ao piso -1 o acesso faz-se pela Rua Barro Preto, no remate norte do parque de estacionamento, sendo que além de estacionamento público de 19 lugares, com um lugar para mobilidade reduzida e outro para cargas e descargas, haverá ainda acesso a um conjunto de garagens por baixo da Praça Norte, que servirão para aluguer.
“A ideia sempre foi que o conjunto de garagens de aluguer pudesse gerar receitas capazes de tornar o edifício auto-sustentável do ponto de vista económico”, justificou. O parque de estacionamento pode funcionar autonomamente do edifício, pois tem acessos externos, como também tem a possibilidade de estar ligado ao edifício.

No auditório da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, onde decorria a sessão da Assembleia, foi apresentada uma maquete de estudo que, segundo a equipa projetista, “evidencia as questões de relação com o exterior e da forma como se articulam todos os espaços e as três cotas”.
O estacionamento que é habitual fazer-se entre a fachada do antigo Mercado e o Edifício São João vai sofrer uma redução substancial, mantendo-se alguns lugares para serviços/clínicas existentes no local.”A praça sofre uma torção para continuar a preservar os lugares de estacionamento. Mas parecia-nos determinante, até para uma certa nobreza do edifício e para amplitude do programa a acolher, desenhar-se espaço público capaz de gerar vida neste nó determinante da cidade”.
Oposição não perdoa: fortes críticas lançadas à maioria socialista e ao projeto apresentado



Se, por um lado, o projeto de requalificação do antigo mercado tem sido defendida pelo executivo, na voz do presidente de Câmara Manuel Jorge Valamatos (PS), e foi muito elogiado pela bancada socialista na Assembleia Municipal, pela voz de Bruno Tomás (PS), presidente da UF Abrantes e Alferrarede, as forças políticas de oposição não pouparam nas críticas, com argumentação feroz e questionando a verdade dos factos pondo em causa a governação PS.
A oposição ao executivo de maioria socialista utilizou o período antes da ordem do dia para intervir sobre o tema, uma vez que não houve lugar a debate após a apresentação do projeto, fora dos trabalhos da sessão de Assembleia Municipal.
Bruno Tomás (PS) falou em “palavra dada, palavra honrada” por se cumprir com o compromisso de apresentar o projeto da requalificação do antigo mercado e se avançar para essa obra.

Falando na “valorização de uma entrada nobre da cidade, cruzamento da praça, toda a gente o conhece assim”, o presidente de junta disse que “esta valorização dá nova mobilidade rodoviária e pedonal e é uma mobilidade que é necessária para as cidades, que possam enfrentar os desafios do futuro. É o compromisso de uma Câmara Municipal na recuperação do seu edificado. É um edificado que está degradado e que vai ser requalificado”.
Admitindo que se irá promover uma “nova mobilidade pedonal ou rodoviária”, admitiu perceber a dificuldade de mobilidade atualmente quer pelas escadas adjacentes ao prédio do Edifício São João, quer pela subida que se faz pelo passeio contornando o antigo Mercado.
Relevou a questão da melhoria da mobilidade e da criação de um elevador externo que vai permitir aceder ao piso superior com maior facilidade. Entendendo que nem toda a gente vai gostar do projeto, destacou “a capacidade de decidir” do executivo municipal.
“Teve capacidade de decidir, foram ousados, não tiveram medo. Sabem bem para onde querem ir a este respeito, e por isso a bancada do PS dá-lhe os parabéns a si e à sua equipa, aos técnicos da CMA que têm tido um trabalho incrível para que este projeto possa ser uma realidade e parabéns mais uma vez, e para fechar, este edifício é tão bonito dentro e quando começar a ser utilizado pelos abrantinos vai ser muito valorizado. Porque agora o que se vai falar é do tijolo A ou do tijolo B. Quanto estiver a funcionar, vai ver, tem sucesso. As políticas mais complicadas são aquelas que não dão resultados logo no dia a seguir, é daqui a um par de anos”, concluiu.
A chuva de críticas não tardou, e o deputado João Fernandes (PSD) começou desde logo por “puxar as orelhas” à mesa de Assembleia Municipal pelo facto de a apresentação ter sido feita fora da ordem de trabalhos, questionando “porque motivo se optou por não fazer deste tema um dos assuntos da ordem do dia”, e criticando o facto de se “impedir o debate solene e salutar”.

Deixou claro que o projeto de requalificação em causa, segundo a bancada do PSD, “não preenche as necessidades do município”, e insistiu que deveria este tema merecer espaço para o seu debate.
“Isto não se faz, o que nos conforta é que a temática do antigo Mercado voltará a esta casa com a relevância que merece”, notou, “porque ela é uma matéria importante, que exige que sejamos mais rigorosos e que estejamos mais atentos a como as coisas são feitas”.
Porque é que este assunto não foi debatido com os líderes municipais nesta AM de maneira a ver qual a melhor forma de o apreciar?”, insistiu, assumindo “a indignação que neste momento o PSD tem” e dando conta da não pronúncia do grupo municipal sobre a apresentação uma vez que foi dito que não haveria lugar a debate.
João Fernandes aproveitou para deixar crítica à forma como foi apenas comunicada a alteração da data da sessão de Assembleia Municipal, contra o calendário pré-aprovado, e pelo facto de os grupos municipais não terem sido contactados para apurar conjuntamente qual a melhor data de alteração para todos os envolvidos. “Não consideramos uma forma correta de atuar no exercício desta AM, comunicando a alteração da data”, lamentou.
Sobre a inclusão da apresentação do projeto de requalificação do antigo mercado, António Mor, presidente da Assembleia, disse que optou, havendo já convocatória com data e hora, por incorporar a apresentação antes do início dos trabalhos.
“A minha posição vai no sentido construtivo, que é, o projeto foi apresentado, nem sei se já foi apreciado tecnicamente ou não pela Câmara e pelos serviços da CMA. Não fica fora de questão que este assunto, com o conhecimento deste projeto, possa merecer um tratamento específico na AM. Daí para um conhecimento do que era o projeto técnico e como nós fazemos noutras matérias, não questionamos o papel dos técnicos, questionamos isso sim aquilo que é o nosso papel, a intervenção política, a apreciação que ao caso couber”, argumentou, reconhecendo algum vazio, quer no regimento, quer na legislação, daí o colocar o ponto antes da ordem de trabalhos.
“Não houve aqui uma tentativa de atropelamento coisa nenhuma, antes pelo contrário, pretendi, ao incluir, que houvesse matéria para uma conveniente e adequada apreciação. Sujeito naturalmente a todas as análises, a todas as censuras, se for caso disso. Um melhor esclarecimento, um melhor conhecimento do projeto, para eventualmente as intervenções que ao caso couber puderem vir a acontecer com toda a substância”, concluiu António Mor.
Prosseguindo as intervenções relativas ao tema ‘antigo mercado’, o presidente de Junta de Freguesia de Tramagal, António José Carvalho (MIFT), apontou o dedo às políticas de urbanismo do município das últimas décadas, que considerou “desastrosa”.

“A política abrantina das últimas décadas em termos de urbanismo tem sido desastrosa. A explicação para que não seja utilizado o estacionamento dos 300 lugares do Vale da Fontinha é da inadequação do espaço à existência daquele estacionamento. Eu penso que o próprio Plano de Urbanização de Abrantes em vigor não previa o estacionamento no Vale da Fontinha, previa uma área habitacional… Estes erros, estas opções urbanas que se vão tomando ao longo do tempo em Abrantes e que vão produzido edifícios como o edifício do mercado que depois funciona mal, que vão produzindo açudes que funcionam mal, que vão produzindo cais em Rio de Moinhos que funcionam mal, ou miradouros em Tramagal que funcionam mal, ou estendendo a área urbana para um conjunto de arruamentos imenso que dificulta a gestão urbanística não funciona e revela aqui o andarmos sucessivamente em torno de opções que parecem que vão ser a lâmpada magica, a solução para tudo, e acabam por não ser. Há um centro náutico que ficou por construir”, aduziu.
“Este projeto, que eu não questiono a valia técnica, porque de facto não é fácil coser o imbróglio que está naquele local, do abandono do mercado antigo, da construção do Edifício São João, uma péssima opção também, e da construção do Vale da Fontinha… Como disse, um imbróglio urbanístico”, concluiu, já no limite de tempo naquele período.
Mais tarde, voltou para terminar o seu raciocínio noutro momento da sessão, e disse ainda que a Sociedade Artística Tramagalense está “carente de investimentos muito avultados que não se compaginam com as disponibilidades que até agora o Município tem posto ao dispor das obras que ali são necessárias, nomeadamente através do FINAbrantes Investimento”, tendo indicado que entrou água pelo telhado da sala de espetáculos da SAT, na vila de Tramagal.
“A sala corre o risco de fechar”, alertou, afirmando que tem existido “sucessivo abandono” do município à freguesia, o que “tem criado graves problemas”, nomeadamente em termos de urbanismo, falando em abatimento de calçada no Largo dos Combatentes “com perigo evidente, buracos, resultantes do mau funcionamento, até poderia dizer do colapso da rede de águas pluviais e de esgotos da vila de Tramagal”, algo que diz verificar-se noutros pontos referenciados várias vezes e que exigem intervenção urgente pelos Serviços Municipalizados de Abrantes.
Seguiu-se uma extensa intervenção por parte do deputado José Rafael Nascimento (ALTERNATIVAcom), defensor acérrimo do antigo Mercado Municipal “tão maltratado por esta maioria PS”.
Lembrando que “à exceção do PS de Abrantes, todas as forças políticas representadas nesta Assembleia Municipal, incluindo obviamente o movimento ALTERNATIVAcom, rejeitaram/rejeitam a demolição do berço histórico do Mercado Municipal de Abrantes, defendendo a reabilitação e requalificação do edifício que marcou várias gerações de abrantinos ao longo de 91 anos e reclamando o regresso do Mercado diário ao seu espaço original”.
Nascimento disse defender aquele edificado “em nome da História, do património, da memória e da identidade abrantina. Em suma daquilo que nos faz cidadãos desta terra maravilhosa e única com tantos pergaminhos e com tanto potencial diferenciador para usufruirmos, para desenvolvermos e para atrairmos gente de fora. Sabemos que o povo abrantino está connosco nesta causa, mais do que justa, e se dúvidas houver que haja a honestidade política e a coragem de o referendar, assegurando amplo esclarecimento, e rigorosa isenção e imparcialidade”.

Também fazendo referência a ações levadas a cabo pelos defensores do antigo Mercado Municipal, entre 2019 e 2021, nomeadamente as promovidas pelo grupo de cidadãos ‘Amigos do Mercado de Abrantes’, citou palavras de intervenção da CDU sobre o destino que foi sendo traçado para este património edificado e concordou com a posição do deputado João Fernandes da bancada do PSD sobre as questões processuais relativas ao funcionamento da Assembleia Municipal.
Voltando ao tema em apreço, disse entender que a apresentação “vai contra tudo o que é defendido [pelo movimento ALTERNATIVAcom] para o mercado municipal, para a dinamização da cidade e do concelho e para o futuro próspero e sustentável de Abrantes”.
“Foi um «erro», aparentemente intencional e de total responsabilidade da maioria PS deixar o mercado diário degradar-se ao ponto de ASAE o encerrar em 2010 sem apelo nem agravo. Foi um erro, obviamente intencional e da total responsabilidade da maioria PS inscrever no Plano de Urbanização de Abrantes a disposição de cumprimento obrigatório e cito “demolição em área cobertura de 3338 metros quadrados e substituição do edifício do mercado por edifício fronteira entre o Vale da Fontinha e a Avenida 25 de Abril”, e rejeitar todas as moções desta Assembleia Municipal tendentes a reverter esta possibilidade e a classificar o edifício histórico do Mercado como património municipal”, declarou.
“Foi um «erro» certamente intencional e da total responsabilidade da maioria PS construir-se aquele edifício multiusos em altura que o povo rejeita e apelida de bunker, mausoléu ou mamarracho, que não teve prémio de arquitetura nenhum e até foi criticado pelo júri para ali instalar o mercado diário derrubando parte da icónica muralha de Abrantes”, continuou.
“Foi um «erro» mais do que intencional e da total responsabilidade da maioria PS deixar o edifício histórico do mercado ao abandono e degradação durante todos estes anos, apesar de se prometer sem se cumprir, como é useiro e vezeiro, a sua manutenção e conservação”, afirmou.
“Pretende-se agora sacrificar e demolir o berço histórico do mercado, com as suas fachadas modernistas e preciosos painéis de azulejos, para ali instalar mais um edifício multiusos de localização e custo questionáveis e de benefício/utilidade mais do que duvidosos”, acrescentou José Rafael Nascimento,, tendo inclusive lançado suspeitas sobre o júri do concurso público internacional, indicando ter sido “controlado” pelo presidente de Câmara.
“E o que pensar da composição do júri do concurso público internacional de conceção para a elaboração do projeto de reconversão do antigo mercado municipal de Abrantes… Ufff… em multiusos, absolutamente controlado pelo sr. presidente da Câmara, que o constituiu, nomeou e a ele presidiu, uma possibilidade eventualmente legal, mas que em nosso entender foi tecnicamente insensato e eticamente reprovável. Outro «erro» intencional de total responsabilidade do Partido Socialista”, afirmou, deixando nota que a Assembleia Municipal “ao contrário do prometido, não foi tida nem achada, e ao que parece não tem qualquer capacidade de decisão”.

Nascimento indicou que “o verdadeiro e único proprietário daquele valioso edifício que ali está e se quer obliterar” é o povo abrantino e que falta em Abrantes “um genuíno e adequado pavilhão multiusos para a realização de grandes eventos económicos, desportivos, culturais e musicais, porque este multiusos não serve para os fins necessários e desejados, parece que servirá de garagem para estacionar uns carros”.
Deixou ainda considerações sobre a apresentação do projeto que, segundo o ALTERNATIVAcom, “constitui uma manifesta manobra de propaganda e tentativa de manipulação dos deputados municipais e da opinião pública”.
“Mostrando-lhes bonitas maquetes (por acaso nem era assim tão bonitas) com formas, cores e narrativas sedutoras em tom novo-riquista. Aquilo que o povo sabiamente designa por papas e bolos, que nada têm a ver com o que verdadeiramente interessa aos cidadãos e constitui a questão de fundo: porque razão se insiste em derrubar o berço histórico do mercado municipal de Abrantes, um precioso edifício sem problemas estruturais, com traça modernista do arquiteto António Varela e especialidades do Engenheiro-poeta Jorge de Sena, que há muito devia ter sido classificado como insistentemente solicitaram aqui ao longo de anos várias forças políticas, alguns deputados municipais e cidadãos peticionários? Um mistério”, afirmou.
“Mais importante do que governar para as próximas eleições é governar para as próximas gerações. As próximas gerações não nos perdoarão pelos erros que hoje cometemos, tal como nós também não esquecemos quem tomou decisões erradas ou mesmo catastróficas ou deixou de tomar em devido tempo as decisões certas ou mesmo imprescindíveis. Sobretudo quando elas são estruturantes da nossa vida e do nosso futuro”, terminou o deputado do ALTERNATIVAcom.
Já do lado do Bloco de Esquerda manteve-se a posição dos últimos anos, uma vez que o partido integrava a oposição no executivo municipal, antes das eleições autárquicas de 2021, e votou contra o projeto de requalificação do antigo mercado e da sua reconversão em multiusos através do ex-vereador Armindo Silveira.
Na sessão de Assembleia Municipal, o deputado José Silva (BE) mostrou concordância com argumentação usada pelo deputado do ALTERNATIVAcom, José Rafael Nascimento, lembrando que muitos dos argumentos foram utilizados nos últimos anos pelo BE.

“Não encontramos agora nenhuma razão para mudar de opinião”, disse, estando em crer que a requalificação acabará por conter a demolição do antigo mercado.
José Silva disse que os deputados do PS e o executivo municipal fazem parte de “um mundo futurista, virado para o futuro” e disse ter ficado com impressão de que o próprio mercado municipal poderia vir a funcionar dentro do novo edifício, tendo ficado com perceção da possibilidade de comprar e vender no novo multiusos.
Por outro lado lembrou a sugestão de criar um grupo de trabalho, na altura sobre as obras de requalificação na Ribeira de Rio de Moinhos, fora da Assembleia Municipal, que juntasse as pessoas que se opõem e as pessoas que são a favor, “onde as coisas se debatessem e se fizesse o melhor para todos”, mas assumiu ter percebido que tal não iria ser possível.
Mas, pegando nessa sugestão do passado, voltou a propor um grupo de trabalho/comissão para pensar o antigo Mercado Municipal.

Tantos milhões atirados para cima de todos nós. A CMA não informa os abrantinos qual será a atividade âncora a funcionar no edifício pois não sabe.
Por isso só refere iniciativas sazonais de alguns dias ao longo do ano. Será de admitir que os restantes 300 dias estarão às moscas?
O projeto de 6,5 milhões de euros deve ser objeto de debate público pois em Abrantes já temos vários elefantes brancos quando Abrantes precisa de tanta coisa. Espero que o bom senso prevaleça e que a CMA assuma comportamento democrático e permitia que os cidadãos opinem sobre investimento tão volumoso.