Morreu Vítor Vitória, dirigente comunista e homem de afetos. Foto: DR

Vitor Vitória, dirigente da CDU e que chegou a ser candidato à Câmara Municipal de Abrantes, morreu no sábado, aos 78 anos, vítima de doença prolongada. Vítor Vitória foi cremado no domingo, tendo o corpo sido velado na Capela de São José, em Rossio ao Sul do Tejo.  

Homem de causas e de afetos, Vítor Manuel Moreno Rodrigues Vitória, funcionário público e militar na Força Aérea pelo 25 de Abril, não deixava ninguém indiferente, sendo pautado por uma personalidade forte mas de fino trato. José Martinho Gaspar, professor e historiador, lembrou o homem e a amizade que os unia.

ADEUS, AMIGO VÍTOR VITÓRIA

“Acaba de partir Vítor Vitória. Tive o privilégio de ter como meu amigo este homem de convicções e militâncias, inclusive da amizade.

Há cerca de 25 anos, conheci Vítor Vitória após o seu regresso a Abrantes, então figura pública da política local, candidato à Câmara Municipal pela CDU, mas igualmente frequentador das dinâmicas culturais da cidade, como é dever daqueles que se propõem responsabilizar-se pela “coisa pública”. Guardo a bonita memória de uma sessão, talvez de 2000/2001, do Pensar Abrantes, projeto de que então eu era um dos responsáveis, creio que no Dia da Mulher, em que Vítor Vitória ofereceu um cravo a cada uma das presentes. Uma senhora de uma família de renome local reagiu menos bem à oferta. A resposta pronta daquele que também era um gentleman: “para mim, dar uma flor a uma mulher sempre foi um gesto bonito, em qualquer condição social”.

Com dois filhos já adultos, quis a vida que Vítor Vitória pusesse mais um rebento no mundo. A Mariana é da idade do meu Afonso e, para além de andarem juntos na escola, passaram pelos mesmos desportos, o atletismo e a natação. A Mariana Vitória foi a atleta a praticar natação com mais potencial que alguma vez passou pelo Náutico de Abrantes e isso suscitou tantas emoções e merecia um outro texto. Foi nessa meia dúzia de anos que conheci melhor Vítor Vitória, que com ele privei quase diariamente, que compreendi o seu percurso, de militar da Força Aérea afastado, no pós-25 de Abril, a funcionário administrativo e vendedor do Círculo de Leitores.

Inteligente, perspicaz, irónico, falou-me do seu mundo e dos seus extraordinários antepassados: o seu pai, prof. Manuel Vitória, que alguns veem como ‘meio louco’, mas que criou oportunidades para que muitos sem recursos pudessem estudar; o seu avô, primeiro presidente republicano da Câmara de Coruche, que desbaratou uma fortuna em nome de uma causa. Foram bons tempos, sr. Vitória, os dessa camaradagem de conversas, risos e petiscos nas imediações de tantas piscinas!

Um beijinho à Mariana, à Amélia e à Lígia e a minha solidariedade aos demais familiares”.

A família enlutada a equipa do jornal mediotejo.net endereça as mais sentidas condolências.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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