Cátia Delgado morreu na segunda-feira, 6 de janeiro, vítima de cancro de mama. Tinha 36 anos e era natural de Abrantes, cidade onde mantinha família e fortes laços de amizade. O velório decorre na terça-feira, dia 7, na Igreja da Misericórdia de Abrantes, a partir das 18h00. O funeral está marcado para quarta-feira, dia 8, às 09h00.
Cátia Delgado licenciou-se em Direito e trabalhou no Tribunal de Família de Lisboa, e depois de saber que estava doente abriu um escritório na Lourinhã, para estar perto do mar. A advogada recebeu o diagnóstico de cancro da mama metastático quando tinha 30 anos e, depois do choque inicial, decidiu dar voz às mulheres que, como ela, recebem uma notícia tão brutal, e lutar contra o tabu que ainda rodeia esta doença.
“No cancro da mama com metástases não há ânimo que se valha de lacinhos cor de rosa, porque não há finais felizes”, disse numa entrevista à revista Visão, em 2017, onde contou também como foi receber a notícia – e, depois, viver com ela.
Primeiro, as metástases apareceram-lhe no fígado, depois no cérebro – e ela nem percebeu logo do que se tratava, mas intuiu. “Olhamos para a cara das pessoas e sabemos. Quando entrei numa sala, com treze médicos de olhos fixos em mim, percebi logo que não podia ser coisa boa. Depois, vi lágrimas nos olhos de uma médica mais nova, e os médicos não choram, não é?”
Aos 30 anos deram-lhe uma esperança de vida de três meses, ela sobreviveu mais seis anos. Cátia não perdeu nenhuma guerra contra o cancro, como se tornou usual ouvir dizer nestas situações. Foi uma guerreira que honrou a vida e lhe deu sentido até ao fim.
Teve a coragem de fazer quimioterapia e radioterapia, de continuar a trabalhar e de nunca se lamentar – mesmo sabendo que não havia tratamento possível e que, na melhor das hipóteses, conseguia apenas conquistar mais algum tempo.
Mas cada dia de vida é precioso, e nunca o podemos esquecer – essa será, talvez, a lição mais importante que nos deixa.

Conheci a Cátia por breves momentos numa Conferencia no IPO cujo tema era o cancro, já lá vão alguns anos. A transcrição deste depoimento extraordinário e a notícia do seu falecimento deixou-me comovido. Paz á TUA Alma, Cátia!
Joaquim da Cruz Domingos
Associação de Doentes da Próstata.