Em Abrantes, Nuno Melo ficou a conhecer o trabalho desenvolvido pelo COAME – Centro de Operações de Apoio Militar de Emergência, que atua a nível nacional. Foto: mediotejo.net

A visita do governante ao Regimento de Apoio Militar de Emergência, em Abrantes, que decorreu na tarde de sexta-feira, iniciou-se no COAME – Centro de Operações de Apoio Militar de Emergência, onde o Tenente Coronel Marco Gomes começou por explicar que este se trata de um espaço destinado a dar resposta a situações de emergência que ocorram no território nacional.

Emergências relacionadas com incêndios florestais, decorrentes de um elevado número de desalojados, cheias ou inundações, atos terroristas, sismos ou erupções vulcânicas, são algumas das situações a que a Unidade de Apoio Militar de Emergência procura responder.

De acordo com Marco Gomes, o Comando, Controlo e Comunicações é responsável pela monitorização permanente da situação nacional e atualização da informação relativa às ocorrências e ao empenhamento de meios e recursos militares, bem como ao nível da georreferenciação dos meios empenhados.

No exterior, Nuno Melo teve a oportunidade de assistir a uma breve apresentação das diversas valências do Apoio Militar de Emergência e o papel que estas desempenham, nomeadamente o apoio ao combate de incêndios; segurança e vigilância; reabastecimento e serviços; apoio sanitário e intervenção psicológica, manutenção e transportes, engenharia militar, busca e salvamento terrestre e, ainda, defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica.

Para o governante com a pasta da defesa nacional, “as forças armadas precisam da economia e a economia tem nas forças armadas imensas oportunidades”. Referindo-se ao trabalho desenvolvido e apoio prestado pelo COAME – Centro de Operações de Apoio Militar de Emergência, a que teve oportunidade de assistir em Abrantes, Nuno Melo fala em “exemplos dessa aplicação prática”.

“Alta tecnologia ao serviço das Forças Armadas, o que releva do ponto de vista da capacitação das forças armadas e dos instrumentos que demos aos nossos militares, mas também potenciando negócios de vantagem para a economia, porque as Forças Armadas não têm que ser despesa, são, na verdade, potenciadoras de lucros. E essas experiências existem já, numa determinada escala no Exército, na Marinha e também na Força Aérea”, defendeu.

A sua visita ao RAME serviu também para “desfazer o mito” de que a tecnologia reside apenas na Marinha e na Força Aérea. “Em boa verdade, o Exército é hoje altamente tecnológico e altamente tecnológico também ao serviço das populações”, destaca.

Embora a maior parte do tempo das Forças Armadas “seja passada em paz”, Nuno Melo sublinha que os militares se encontram ativos, a desempenhar funções de apoio que teve a oportunidade de observar durante a visita.

“Os militares estão ativos a ajudar as pessoas, a servir as pessoas, seja na prevenção dos incêndios, seja em ações de busca ou salvamento, seja na emergência médica. Em tudo aquilo que são necessidades prementes das populações, as Forças Armadas dão o seu contributo”, referiu em Abrantes.

Consciente da importância do trabalho desenvolvido, Nuno Melo afirma que é tempo de o Governo “colocar as Forças Armadas no centro das suas prioridades e as populações também terem noção sua importância” e apoiar um ciclo de “investimento, de crescimento e de dignificação dos militares”.

Os militares, para o serem, aceitam restrições nas suas vidas, suportam aquilo que a generalidade da população não suporta, em situações extremas estão dispostos ao sacrifício supremo, que é o sacrifício da própria vida e por isso, o Estado tem a obrigação de compensar esta circunstância”, acrescenta.

ÁUDIO | Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, em declarações aos jornalistas

Para Nuno Melo, “os militares são a última fronteira da nossa independência”, pelo que é necessário “investir mais” e criar as condições “para que um jovem quando quer ingressar nas Forças Armadas para falar do recrutamento, consegue dar resposta a uma vontade, mas uma vez nas Forças Armadas, percebe que o seu sonho não é desfeito pelas suas circunstâncias”.

“Sem militares que se sintam respeitados, satisfeitos, dignificados, não temos carros de combate, não temos navios no mar, nem temos aviões a voar”. Nuno Melo defendeu que a sua prioridade “há de ser aquilo que tem a ver com a condição militar”, acrescentando que estes têm de ser remunerados e compensados por essa tal condição.

Nuno Melo reiterou ainda o objetivo de atingir os 2% do PIB na área da defesa nacional até 2029 e o de aumentar a capacitação no domínio dos equipamentos. “Hoje, quando assistimos a esta demonstração tecnológica, estamos precisamente a ver a forma como o tecido empresarial português pode ajudar também as Forças Armadas nessa capacitação”, considera.

Para o futuro, Nuno Melo destaca o “grande investimento” do Governo no sentido de “potenciar novas indústrias no perímetro militar, o que vale para o aeroespacial, para a ciber-segurança, como também vale para as munições, aeronáutica ou os novos fardamentos tecnológicos do exército”.

Sendo as Forças Armadas “depositárias de algum do mais significativo património histórico” de Portugal, Nuno Melo afirma que o objetivo passa pela sua recuperação, defendendo que este “não pode simplesmente ficar ao abandono”.

Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, esteve esta sexta-feira no COAME, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

“Vale também, por exemplo, para as questões relacionadas com o alojamento. Nós bem sabemos que um militar que hoje em dia tenha que viver no Porto ou em Lisboa, para falar de duas grandes cidades, tem que suportar custos que muitas vezes não são compatíveis com os seus próprios salários e suplementos”, afirma.

A solução passa por reconverter este património e “criar alojamentos que, a seu tempo, servirão as Forças Armadas e, portanto, são meios específicos de alojamento em meio militar”, salienta Nuno Melo.

Para o ministro com a pasta da Defesa Nacional, conseguir tal objetivo é “uma tarefa gigantesca mas, pelo menos, este é o caminho”. Quanto às linhas de atuação para o Governo, no que à defesa diz respeito, Nuno Melo afirma ter as prioridades já definidas.

“A ordem de prioridades é esta: primeiro as pessoas, equipamentos, indústria, e compromissos com a NATO. Tudo conjugado, mas primeiro as pessoas. Já agora, no que tem que ver com os militares, os militares do presente, os militares do passado e refiro-me aos antigos combatentes”, conclui.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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1 Comment

  1. Por uma questão de mera curiosidade gostava de saber quantos Militares tem o RAME desde o Comandante até ao soldado recruta. Se for possivel partilharem a informação, agradeço.

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