O ministro da Educação, João Costa, espera arranque do ano letivo tranquilo mas "sem ilusões". Foto arquivo: mediotejo.net

Na Secundária Dr. Manuel Fernandes, segundo o diretor Alcino Hermínio, há professores contratados “há oito anos”, embora, de acordo com João Costa, existam quadros do ensino artístico de música e dança “desde há quatro anos. Vamos abrindo as vagas que são possíveis”, disse, assegurando que o reforço das estabilidade dos professores “é um instrumento a trabalhar” nesta legislatura.

João Costa abordou esses temas na visita que efetuou à Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, na cidade de Abrantes, na qual esteve com representantes dos professores, dos encarregados de educação e dos alunos do Ensino Artístico Especializado (Música e Dança, em regime integrado), da Educação Artística (1.º CEB), e do Ensino Profissional (Técnico de Manutenção Industrial de Metalurgia e Metalomecânica e Intérprete/Ator/Atriz).

O ministro da Educação, João Costa, ouviu piano na Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, onde afirmou estar “empenhado” em fazer crescer as componentes artísticas. Créditos: mediotejo.net

Da Escola Dr. Manuel Fernandes o ministro disse levar “uma grande riqueza do trabalho que aqui se faz, já há vários anos, no ensino artístico, uma escola que elegeu a Arte como trave mestra para o desenvolvimento do currículo e percebe que a formação total dos alunos não pode desprezar a sensibilidade estética, a fruição artística e até esta componente formativa”, afirmou aos jornalistas.

Na conversa que o ministro da Educação estabeleceu com os alunos, professores e encarregados de educação, João Costa escutou o que tinham para dizer sobre o ensino artístico – a plateia reunida na biblioteca da escola foi unânime na importância da Arte, desde estimular a concentração, trazer mais responsabilidade e disciplina aos alunos, e até como forma de libertar as emoções, de bem estar e de ganhar sentido estético – e levou para Lisboa alguns pedidos. Escutou igualmente os professores do ensino profissional que pediram “evolução” e “inovação” no sentido de “entusiasmar” os alunos.

Entre outros pedidos, o recuperação do edifício da ex-residência do Colégio La Salle, como espaço privilegiado para o ensino das Artes, quer da música, como sala de aula e para os alunos praticarem sem incomodar os restantes, como auditório para a realização de mais espetáculos, no qual esperam ver um piano de cauda, instrumento que falta na escola, indicação essa que o ministro levou igualmente para a capital.

Quer da dança – para o próximo ano letivo serão cinco turmas naquela escola -, cujos alunos necessitam de um estúdio, camarins e equipamentos de som. Ao teatro faltam essencialmente figurinos e uma política de continuidade. “O teatro é a única expressão artística que não tem recrutamento de professores”, deu conta a professora Carla, manifestando “esperança” com a abertura do Curso Básico de Teatro.

O ministro da Educação, João Costa, visita a Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, na qual esteve com representantes dos professores, dos encarregados de educação e dos alunos do Ensino Artístico Especializado (Música e Dança, em regime integrado), da Educação Artística (1.º CEB), e do Ensino Profissional (Técnico de Manutenção Industrial de Metalurgia e Metalomecânica e Intérprete/Ator/Atriz). Créditos: mediotejo.net

Já a presidente da Associação de Pais da Escola Dr. Manuel Fernandes, Susana Martins, considerou que “o ensino artístico é muito importante para a cidade e somos reconhecidos. Os pais reconhecem a importância da música e da dança. É uma grande mais valia para a sociedade, faz-nos crescer em termos culturais mas chegou o momento de dignificar estes cursos”.

Tal também passa pela recuperação da residência “com quartos que possibilitem intercâmbios na escola” e, “muito importante” para os pais, uma discriminação positiva no que toca a impostos, nomeadamente IRS e IVA “na compra de instrumentos, equipamentos desportivos” e ainda, defendeu, “um seguro escolar efetivo para lesões dos alunos, quer da dança quer do desporto”.

Para João Costa, “foi muito bom ouvir os alunos darem o seu próprio testemunho, ouvir o pais a serem o reflexo daquilo que a Arte traz para os seus filhos. Levei também alguns pedidos como compete a qualquer instituição, relativamente à necessidade de mais espaço, de resolução de alguns problemas da comunidade”.

Esta sensibilização dos eleitos para a necessidade da Escola recuperar o edifício que no passado funcionou como residência do colégio La Salle tem anos, mas ainda não chegou a bom porto.

“Um processo que continuamos, tem sido comprido, um processo que tem estado em análise. Conheço-o bem, sei todas as nuances que tem, continuamos a acompanhá-lo”, garantiu o ministro.

O ministro da Educação, João Costa, conversou com vários alunos do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes, entre eles o Rodrigo de Tramagal. Créditos: mediotejo.net

Referiu o Plano Nacional das Artes, tendo sido apresentado como uma estratégia até 2024, para tornar a Arte mais acessível aos cidadãos, sobretudo, às crianças e jovens, através da escola. Foi previsto que o Plano Nacional das Artes passasse a articular a oferta cultural para a comunidade educativa, reforçando o envolvimento das escolas nas atividades culturais, em parceria com entidades públicas e privadas.

“Alargámos a rede de ensino artístico, temos criado iniciativas com o Plano Nacional das Artes que convida as escolas a desenvolverem os seus projetos culturais, a levar cada vez mais artistas residentes para as escolas. O nosso programa de Educação Estética e Artística também tem criado residências artísticas por várias escolas e agrupamentos do País, uns mais dirigidos para o primeiro ciclo e outros mais dirigidos para os mais velhos. Reforçamos recentemente o Plano Nacional de Cinema, para também termos essa forma de Arte, esta fruição nas escolas. Portanto, é um trabalho onde temos investido bastante nesta perceção plena que não há Educação sem Arte e sem Cultura”, referiu o ministro ao nosso jornal.

O ministro da Educação já havia anunciado no final de maio que a revisão das habilitações para a docência vai avançar, para “acabar com a casa às costas” dos professores, para fixar os docentes “o mais cedo possível”.

E esta segunda-feira, depois de um encarregado de educação ter “pedido” maior estabilidade para os professores do ensino artístico, ou seja, uma carreia profissional mais estável como incentivo à escolha de ser professor, João Costa lembrou que “há poucos anos começamos a vincular professores de música e dança. Todos os anos temos aberto vagas, portanto também é um caminho que se está a construir”.

O ministro da Educação, João Costa, visita a Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, na qual esteve com representantes dos professores, dos encarregados de educação e dos alunos do Ensino Artístico Especializado (Música e Dança, em regime integrado), da Educação Artística (1.º CEB), e do Ensino Profissional (Técnico de Manutenção Industrial de Metalurgia e Metalomecânica e Intérprete/Ator/Atriz). Créditos: mediotejo.net

Questionado sobre qual a grande ambição para esta legislatura, João Costa disse ao mediotejo.net que Portugal “tem vindo a melhorar bastante os indicadores do sistema educativo português com uma redução histórica do abandono escolar precoce”, contudo, reconheceu o ministro, “as desigualdades continuam muito a marcar o sucesso educativo” e por isso o programa do governo inscreve a maior parte das suas linhas de ação no capitulo do combate às desigualdades.

“A maior ambição é continuarmos este caminho que tem vindo a ser feito que se reforça no pós pandemia com o nosso Plano de Recuperação das Aprendizagens para garantir que os alunos não ficam para trás em particular os mais vulneráveis. Portanto, tudo o que estamos a fazer em termos de inovação pedagógica, modernização das escolas com os instrumentos do Plano de Recuperação e Resiliência têm este objetivo pela frente e obviamente que dotar as escolas dos profissionais necessário”.

Leonor e Madalena, duas alunas do secundário, do regime integrado, tocam piano e violoncelo, e explicam ao ministro João Costa o que falta na sua escola, apontando para a residência como espaço privilegiado para o ensino de música. Créditos: mediotejo.net

E se o lançamento do próximo ano letivo “não tira o sono” ao ministro da Educação, que indicou estarem em curso medidas, “de curto prazo”, para combater a falta de professores nas escolas, João Costa sabe que, nos últimos anos, a profissão de professor deixou de ser “atrativa” para os jovens, porque “durante muito tempo” surgiram “notícias atrás de notícias” de docentes desempregados, argumenta. Apesar disso, não perdeu a oportunidade e durante uma conversa com um aluno do Agrupamento de Escolas Nº2 de Abrantes, tentar persuadi-lo a pensar num futuro profissional como professor.

Para a profissão ser atrativa “falta dar condições de maior estabilidade, isso está inscrito no nosso programa de governo, fixar professores em lugares de maior permanência do que têm tido até aqui. Estamos a trabalhar com as instituições de ensino superior haver mais formação inicial de professores. E falta também aqueles, como eu, que somos professores dar um bom testemunho. Não trocava a minha profissão por outra porque trabalhar com os mais novos, ensinar, conhecer jovens durante a vida toda é muito estimulante”, afirmou.

ÁUDIO | JOÃO COSTA, MINISTRO DA EDUCAÇÃO:

Ministro da Educação, João Costa

Com o ano letivo a terminar, havendo escolas e alunos com carência de professores de português e de matemática, o ministro da Educação afirmou que durante o atual ano letivo “não houve casos gritantes de alunos sem aulas” mas sim ”problemas de substituição de professores em contexto de baixa médica”. Nas escolas, “para além do apoio que o Ministério da Educação tem feito no sentido de agilizar as substituições e completamento de horários que foi feito neste terceiro período, esse completamento também se destina a que os alunos possam ter aulas de reforço e de apoio ao longo deste terceiro período para compensar essas faltas que existiram”.

Para o próximo ano letivo, o Ministério da Educação garante “uma análise do que foi este ano, os padrões de baixas médicas, quais foram os contextos onde foi mais difícil substituir professores ao longo do ano para termos uma estabilidade maior, logo no arranque do ano letivo. É esse trabalho que estamos a fazer neste momento”, conclui João Costa em declarações aos jornalistas.

Presentes na visita estiveram ainda outra entidades, designadamente o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, a vereadora com o pelouro da Educação, Celeste Simão, e a futura diretora do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes , Isabel Alves.

No final o ministro da Educação levou para casa duas camisolas do Ensino Artístico Especializado, de dança e de música, da Escola Dr. Manuel Fernandes.

O ministro da Educação, João Costa, visita a Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, na qual esteve com representantes dos professores, dos encarregados de educação e dos alunos do Ensino Artístico Especializado (Música e Dança, em regime integrado), da Educação Artística (1.º CEB), e do Ensino Profissional (Técnico de Manutenção Industrial de Metalurgia e Metalomecânica e Intérprete/Ator/Atriz). Créditos: mediotejo.net

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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