No âmbito da Conferência Distrital XXXII de Rotaract e XXII Interact, que decorreu entre 28 e 30 de abril na cidade de Abrantes, os jovens rotários reuniram-se num jantar de Gala, onde estiveram em análise as atividades desenvolvidas durante o ano rotário.
Em Portugal, o movimento rotário, geograficamente, encontra-se dividido em dois distritos. Os clubes de Abrantes pertencem ao Distrito 1960 que abrange o sul, centro e ilhas.
De todo o Distrito 1960 chegaram jovens vindos de diversas cidades portuguesas, em que se incluem as ilhas. Na sessão que cumpriu o habitual protocolo dos clubes rotários, marcaram também presença responsáveis, presidentes e o governador do Distrito 60 do Rotary Club.
Ao longo do jantar, brindaram ao companheirismo e ao espírito de entreajuda, onde o lema que os une esteve em permanente destaque. Um dos momentos emotivos da noite surgiu com a intervenção de uma das bolseiras da Fundação Rotária.
Joana Costa, aluna do 5º ano do curso Medicina, começou por referir que foi uma das bolseiras do clube, enquanto ainda frequentava o segundo ano do curso, momento que afirma ter mudado a sua vida “na altura certa”.
“Aos 8 anos disse pela primeira vez que queria ser médica. Esse sonho viveu comigo desde então, e nunca houve mais nada que eu quisesse com uma força comparável. Mas quando somos crianças achamos que tudo é possível e todas as oportunidades estão à distância de um passinho. Infelizmente, a vida tem sempre formas de nos ensinar com o tempo que não funciona assim”, afirmou a jovem.

Com o tempo, surgiu o medo de não conseguir seguir o sonho por motivos financeiros, mas não baixou os braços e hoje afirma que tem feito o curso regido por duas palavras: “excelência e resiliência”.
“Por um lado, a lutar por ter sempre as melhores notas para merecer esta bolsa, por outro a lutar, para me manter sempre como trabalhadora estudante para ter a minha independência”, acrescentou Joana.
No final do seu discurso, a jovem deixou um emotivo agradecimento ao Rotary Club e em especial à Câmara Municipal de Abrantes, duas entidades que lhe permitiram “a concretização de um sonho”. “São precisos corações enormes para querermos dedicar a nossa vida a ajudar o outro, e não tenho dúvidas que hoje, aqui, só existem enormes corações a bater”, concluiu Joana Costa.
Também a vereadora da Câmara Municipal, Celeste Simão se juntou às dezenas de “companheiros” e participou da cerimónia. Em representação da autarquia abrantina e dirigindo-se aos jovens que a ouviam atentamente, começou por agradecer o convite dirigido à Câmara Municipal de Abrantes e recordou a história de Joana, que deixou a todos uma forte mensagem: “nós temos de lutar muito pelos nossos sonhos, nunca desistir perante as dificuldades que nós temos”, sublinhou.

A todos os jovens que vieram das mais diversas localidades do distrito, desde Tavira a Ponta Delgada, passando ainda por cidades como Castelo Branco, a vereadora da CMA deixou um convite: “voltem a Abrantes, estaremos sempre de braços abertos para vos receber”.
Abrantes tem dois clubes de jovens rotários, o Interact (para jovens dos 12 aos 17 anos) e o Rotaract (a partir dos 18 anos). Ambos os clubes abrantinos são constituídos por jovens que integram o movimento Rotary International, cujo lema é “Dar de si antes de pensar em si”.
Para além de ser uma organização de cariz solidário que atua em prol da comunidade em que está inserido, o movimento proporciona também a aprendizagens de competências comportamentais, como a liderança, trabalho em equipa, falar em público, entre outros, de modo a formar novos líderes.
Todas as semanas os clubes reúnem-se para organizar iniciativas em prol da comunidade, nomeadamente a organização de palestras, festivais e ações junto da comunidade.

O Presidente do Rotary Club de Abrantes, José Luís Silva, recordou um trabalho que se iniciou há mais de 40 anos e tem desempenhado um importante papel junto das camadas jovens.
“O Rotary Club de Abrantes tem mais de 40 anos e desde sempre tem estado junto da juventude. Começou nas bolsas de estudo há muitos anos e temos vindo a apostar, a tentar aproximar dos jovens”, referiu o presidente.
“A determinada altura nós conseguimos perceber como é que chegamos aos jovens e isso está aqui hoje demonstrado. Conseguimos dar o passo e passar das bolsas de estudo para o curso de liderança, deste para o Interact e mais tarde para o Rotaract. Tudo isto, de facto, é o trabalho de fundo do Rotary Club de Abrantes, é trabalhar com a juventude” sublinhou José Luís Silva.
Recordando a intervenção de Joana Costa, o presidente do clube abrantino vincou ainda um discurso “importantíssimo”, que representa o reconhecimento e aquilo “que nos alimenta”. “Quando nós (…) sentimos este reconhecimento, ficamos com mais gasolina para mais 10 anos”, concluiu o presidente do clube abrantino.
O Rotaract Clube de Abrantes integra o movimento rotário a nível global, por via do Rotary International, sendo composto por jovens líderes a partir dos 18 anos e que tem como principal objetivo encontrar soluções para alguns dos problemas atuais do planeta, tendo como “bandeiras”, essencialmente, a causa social, ambiental, área da saúde e da paz.

A presidente do clube abrantino, Joana Ferreira, interviu também na cerimónia e destacou um sentimento de felicidade. “Estamos muito felizes, extremamente contentes e gratos, por estarem todos aqui connosco hoje. É uma honra poder receber este evento cá em Abrantes e poder receber pessoas de todo o nosso distrito”, afirmou a jovem.
Em declarações ao nosso jornal, o Governador do Distrito 1960, Vítor Cordeiro, lembrou uma viagem que se iniciou há 28 anos, em Macau, momento em que ingressou no movimento rotário.
“O Rotary é uma organização global, estamos em 220 países e territórios, somo 1 milhão e quatrocentos mil. Aqui em Portugal, neste distrito, somos mil e quinhentos”, começou por explicar.

A nível de trabalho e de ação no terreno, o movimento rotário procura “prestar serviços humanitários e fazer a diferença nas comunidades” em que se insere, auxiliando “a desenvolver as pessoas, a transformar as pessoas e comunidades. É esse o nosso trabalho”, afirma Vítor Cordeiro.
Após a pandemia e com as transformações sociais e económicas que se têm feito sentir, o Governador aponta algumas dificuldades que se prendem com o crescimento do movimento. “Temos tido algumas dificuldades no crescimento (…), mas é um caminho que estamos a fazer. Estamos a procurar crescer para podermos servir mais, nós não crescemos só para sermos, mas para podermos ajudar mais as comunidades onde estamos e portanto é esse o nosso caminho, o nosso propósito”, sublinha o responsável.
O jantar que decorreu em Alferrarede simbolizou “o balanço do ano rotário” dos clubes jovens do Rotary. Para Vítor Cordeiro revela-se importante juntar “não só os jovens mas também toda a família rotária (…) para demonstrarmos o nosso apoio à juventude e é muito importante esta comunicação e esta partilha de experiências e, sobretudo, trabalharmos em conjunto”.
“Os mais velhos podem passar algumas experiências aos mais novos para que consigamos todos fazer um trabalho ainda melhor e é isso que nós também fazemos aqui nestes encontros”, concluiu Vítor Cordeiro.
Carlota Moreira tem 19 anos e é representante distrital do Interact. “Tenho o privilégio de representar 12 clubes. Estou muito grata por terminar o meu ano (…) em Abrantes. Apesar de só terminar em julho, a conferência é o término final, em que os próximos representantes começam a preparar o seu ano”, revela a jovem.

Iniciada no movimento há 10 anos, a jovem de Castelo Branco conta que entrou com o propósito de ajudar pessoas, mas que no clube descobriu “uma segunda família”. “No Interact, para além de nós fazermos a diferença nos outros, nós fazemos a diferença em nós mesmos e eu acho que isso é a maior conquista e o maior reconhecimento que nós temos enquanto pessoas”, acrescenta.
Em análise dos três dias que ocuparam os jovens rotários na cidade de Abrantes, a representante conta que as atividades correram bem, em que o enfoque foi mantido no “companheirismo”.
“As conferências são um momento em que toda a gente gosta de estar, no entanto é são sempre momentos em que há muitas coisas para fazer e não aproveitamos nem a cidade nem o companheirismo (…). Tentámos fazer uma conferência leve, em que todos nos sentíssemos bem e acho que isso foi muito bem conseguido”, destaca a jovem.
Também o Rotaract conta com um representante distrital, papel desempenhado por Rui Gil. O jovem de 24 anos, arqueólogo de profissão, conta que o convite para o clube surgiu através de uma professora, uma vez que já realizava projetos de cariz social, a nível individual.
“Acabei por perceber que era uma forma de aumentar a capacidade e o alcance dos meus projetos. Por isso, é claro que eu aceitei o desafio, mas tinha 16 anos, então não podia entrar no Rotaract, que é a partir dos 18 anos”, explica Rui.

Mas nem assim o jovem baixou os braços e abandonou o movimento. Ao mediotejo.net conta que começou a falar com os jovens mais velhos, que na altura o ensinaram a “fazer projetos, planeamento, gestão e todas estas ferramentas que aprendemos neste ambiente saudável de uma família, acaba por nos fazer crescer mais como pessoas, ao mesmo tempo que as capacidades profissionais de cada um beneficiam todos”, sublinha.
Com vista a beneficiar “quem mais mereces, a comunidade”, Rui Gil desempenhou o cargo de representante digital durante este ano rotário, o que afirma ter sido “um voto de confiança”.
“Foi um voto de confiança, acima de tudo e espero alcançar as expectativas dos rotaractistas. É importante sentirmo-nos felizes no que estamos a fazer e gostarmos de estar com as pessoas com quem estamos. Se isso não estiver concretizado, as coisas acontecem de forma mais difícil ou de forma mais lenta”, concluiu o jovem.
A Conferência Distrital XXXII de Rotaract e XXII Interact, que decorreu entre 28 e 30 de abril na cidade de Abrantes, reuniu dezenas de jovens de todo o Distrito 1960 num momento de “companheirismo” e de convívio, em que o lema “Dar de si antes de pensar em si” foi o mote para colocar os clubes a planear os projetos futuros.
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