Jorge Ferreira Dias num dia em foi retirado da reunião de Câmara de Abrantes por agentes da PSP, a exemplo do que sucedeu na sexta-feira na Assembleia Municipal. Foto arquivo: mediotejo.net

O ex-empresário da construção civil, Jorge Ferreira Dias, marcou presença na sexta-feira, 11 de dezembro, na sessão de Assembleia Municipal de Abrantes, sessão que decorreu no auditório da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu sem presença de público devido à pandemia. O cidadão queria intervir e teve de ser retirado da sala pela Policia de Segurança Pública. Aguardou numa sala de espera, e não na rua como inicialmente referido pelo nosso jornal, cerca de 5 horas, e acabaria no final por ter direito a usar da palavra, apesar de tal não constar do regulamento.

O abrantino, desconhecendo que os cidadãos não poderiam assistir, ou intervir, de forma presencial na sessão, entrou no auditório e insistiu em intervir, colocando-se junto ao púlpito, recusando abandonar o local durante cerca de 40 minutos tendo os eleitos da Assembleia Municipal decidido chamar a PSP.

Chegada a polícia, a tarefa de demover Jorge Ferreira Dias de realizar a sua intervenção numa reunião pública demorou algum tempo, tendo feito atrasar o início da sessão durante mais de 40 minutos.

Devido à covid-19 as sessões de Assembleia Municipal de Abrantes bem como as reuniões de Câmara decorrem sem a presença de público, podendo os munícipes assistir através da transmissão online e podendo enviar questões que gostariam de ver respondidas ou declarações escritas.

O cidadão abrantino Jorge Ferreira Dias na Assembleia Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Contudo, a convocatória da Assembleia Municipal de Abrantes omitiu esse facto o que levou o deputado eleito pelo Bloco de Esquerda a solicitar ao presidente da Assembleia Municipal de Abrantes essa informação numa próxima convocatória. Tendo em conta a situação de pandemia, deverá ser comunicado aos cidadãos que não podem assistir de forma presencial, disse Pedro Grave, situação que foi reconhecida por António Gomes Mor.

Apesar disso, a Assembleia Municipal decidiu permitir que Jorge Ferreira Dias interviesse no final da sessão, tendo o homem esperado cinco horas do lado de fora do auditório até que chegasse o momento de poder falar.

Esta não é a primeira vez que a PSP é chamada para retirar Jorge Ferreira Dias de sessões de Assembleia Municipal ou se reuniões de Câmara. À semelhança de outras ocasiões, onde até provocou distúrbios e ameaçou o executivo municipal, o ex-empresário acusou, mais uma vez, a Câmara pela falência das empresas das quais era proprietário.

Novamente Jorge Ferreira Dias diz que “há 20 anos é perseguido pela Câmara Municipal de Abrantes”, fala em “vigarice” e mostra documentos.

Refere o caso Mercar, do acordo realizado entre a Câmara e a empresa de venda de automóveis, afirma que “enganaram o juiz de Santarém” e tenta explicar, nos 5 minutos concedidos, a razão pela qual o Tribunal de Leiria absolveu a Câmara de Abrantes no caso que a opôs à empresa “Construções Jorge Ferreira Dias” isentando-a do pagamento de uma indemnização de 6 milhões de euros pedida por Jorge Ferreira Dias.

O ex-empresário da construção civil exige respostas sobre a documentação deixada na Assembleia Municipal para ser analisada e voltou a fazer ameaças.

O mediotejo.net já contou a história de Jorge Ferreira Dias que o leitor poderá ler AQUI.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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