Jorge Ferreira Dias num dia em foi retirado da reunião de Câmara de Abrantes por agentes da PSP, a exemplo do que sucedeu na sexta-feira na Assembleia Municipal. Foto arquivo: mediotejo.net

O ex-empresário da Construção Civil, Jorge Ferreira Dias, exaltou-se esta terça-feira, 3 de março, na reunião de executivo camarário de Abrantes. Ferreira Dias pediu uma intervenção onde expôs três casos antigos que o opõem à Câmara Municipal mas a exposição não terminou de forma pacífica. Acabou por ser retirado pela Polícia de Segurança Pública, após levantar a voz, entrar em discussão com o presidente, e dar murros na mesa de reuniões que ameaçou “levantar” no ar. O presidente Manuel Jorge Valamatos lamentou uma situação que “não pode acontecer” e garantiu tomar medidas “junto das autoridades”, lembrando que o tribunal já se pronunciou sobre o caso, isentando a Câmara Municipal de culpa e negando o direito a uma indemnização de 6 milhões de euros a Jorge Ferreira Dias.

A cena não é propriamente inédita, Jorge Ferreira Dias inclusivamente respondeu em tribunal por ameaças à anterior presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, e o atual presidente confirma que também este executivo já sofreu outras ameaças e lamenta o sucedido considerando que “esta situação não pode acontecer”.

Questionado se a Câmara Municipal apresentará queixa criminal contra Jorge Ferreira Dias, Manuel Jorge Valamatos, que disse desconhecer o objetivo do ex-empresário, esclareceu que o executivo “tentará perceber, junto das autoridades, o que devemos concretizar, porque na verdade não é a primeira vez. São múltiplas as vezes que somos ameaçados e parece-nos perfeitamente injusto. Não faz sentido vivermos sob o efeito de ameaças e vamos tomar as nossas providências”, afirmou.

Jorge Ferreira Dias na reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Recorde-se que em novembro de 2019, a Câmara Municipal de Abrantes foi absolvida no caso que a opôs à empresa “Construções Jorge Ferreira Dias” tendo sido notificada da sua absolvição no processo que correu trâmites no Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria.

O Tribunal considerou válidos os fundamentos da Câmara Municipal de Abrantes, indicando na sua decisão “julgar totalmente improcedente a ação, por inexistência de facto ilícito e culposo, e, nessa medida, absolver o réu do pedido… “, que no caso eram 6 milhões de euros de indemnização.

Esta manhã, em reunião de Câmara Jorge Ferreira Dias, munido de documentação que entregou ao executivo, pediu uma intervenção onde expôs, durante 20 minutos, três processos antigos, com alegadas irregularidades, e que o opõem à Câmara Municipal, ou seja, o loteamento da Ferraria, o terreno da ETAR dos Carochos e a parcela de terreno que envolve a Mercar, na Encosta da Barata.

Ultrapassando o tempo de intervenção definido para cada munícipe em reunião ordinária de Câmara, o ex-empresário ia referindo que “o presidente diz-se de coração aberto, a Câmara Municipal é a casa da democracia” e pedia para que, também os vereadores da oposição, analisassem a documentação “com atenção”.

Manuel Jorge Valamatos concordou, ao mesmo tempo que alertava para o tempo da intervenção, respondeu: “É verdade! Aqui é a casa da democracia e é verdade que o senhor tem de me respeitar a mim e a esta casa”.

Após esta afirmação do presidente, Jorge Ferreira Dias exalta-se e responde em voz alta: “Eu tenho de respeitar mas os senhores também têm de me respeitar. Levaram-me para insolvência e estou a passar fome neste momento. Isto é a casa da calhordice, da vigarice, seus malandros”, afirmou, dando murros na mesa.

Jorge Ferreira Dias na reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Nesse momento o presidente decidiu interromper a reunião e pedir a intervenção das forças de segurança que acabaram por retirar, com tranquilidade, o ex-empresário do edifício dos Paços do Concelho.

Quando o executivo retomou os trabalhos, o vereador João Gomes referiu que “nas duas reuniões com Jorge Ferreira Dias foi-lhe explicado todo o processo, que disse ter sido recusado pela Câmara esclarecer. Foram proferidas palavras que não são verdadeiras e é isso que não podemos aceitar, que ponham em causa a instituição quando não é verdade. Não foi negada nenhuma informação sobre este processo”, afirmou.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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2 Comentários

  1. Cabe-me perguntar se na realidade o Jorge Ferreira Dias se encontra na miséria que se diz e, sendo assim, o que ele fez de errado para cair nessa situação? Os organismos escudarem-se em leis que nem sempre estão de acordo com as verdadeiras realidades e absterem-se de olhar para as pessoas como seres humanos…. Algo não está bem… É difícil acreditar que Jorge seja apenas um paranóico, se na realidade já teve actividade de destaque da qual se vê privado por insolvência…

  2. E o povo de Abrantes o que faz? Tantos que se pronunciam nas redes sociais e que acusam os governantes de ter levado à miséria um homem de bem.
    Levantem-se contra as injustiças.

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