Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Anunciada pela então presidente Maria do Céu Albuquerque como já instalada no Parque Tecnológico do Vale do Tejo, em maio de 2018, a empresa Tectania – Tecnologia Automóvel, Lda. tarda em arrancar com a laboração em Abrantes. Deveria ter criado, em 2018, oito postos de trabalho, mas tal não aconteceu e até hoje nenhum posto de trabalho foi criado. Em maio de 2019 a empresa requereu a prorrogação por um ano do prazo de assinatura do contrato de compra e venda e para submeter o projeto das instalações a controlo urbanístico, ou seja, 15 de maio de 2020. Em novembro do ano passado, o presidente da Câmara explicava que segundo o Gabinete de Desenvolvimento Económico da Câmara Municipal de Abrantes, os empresários da Tectania estavam em negociações com capital chinês. Esta terça-feira, o vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos, quis saber o ponto da situação do investimento estrangeiro. Manuel Jorge Valamatos (PS) justificou o atraso com a situação económica no Brasil, dizendo que a responsabilidade da Câmara prende-se com a criação de condições para o investimento e falou em novidades para o concelho.

Em 2019, a empresa Tectania – Tecnologia Automóvel, Lda. requereu a prorrogação por um ano do prazo de assinatura do contrato de compra e venda e para submeter o projeto das instalações a controlo urbanístico, ou seja, 15 de maio de 2020. O pedido foi aprovado por unanimidade em reunião de executivo de Abrantes, tendo na terça-feira, dia 3 de março, o vereador eleito pelo Partido Social Democrata, Rui Santos, questionado o presidente da Câmara Municipal sobre a situação atual da prometida instalação da empresa.

“Era um investimento bom para o concelho! É verdade que a autarquia não pode obrigar ninguém a investir, mas também não pode prometer aos seus munícipes que vão ser criados X postos de trabalho e passados dois anos isto em nada vai dar”, disse o vereador do PSD.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes lembrou “um conjunto de expectativas que são criadas em torno de determinadas ações empresariais”, e que “umas correm bem e outras correm mal”.

Contudo, Manuel Jorge Valamatos garantiu procedimentos “adequados” em todos os processos, sendo certo que está fora das competências da Câmara “obrigar uma empresa a instalar-se perante determinado cenário. O que nos foi dito é que por via da desvalorização do dinheiro e por via da situação económica no Brasil estavam [os empresários] à procura de outras estratégias de investimento”, notou, assegurando da parte dos investidores “imensa vontade de avançar”.

À margem da reunião, o presidente disse ao mediotejo.net que o executivo “acompanha do ponto de vista processual aquilo que são as vontades dos diferentes investimentos e a todo o tempo temos empresas a querer instalar-se em Abrantes. Procuramos criar as melhores condições para que esses investimentos possam acontecer, é isso que temos feito e vamos continuar a fazer”.

Em dezembro de 2019, o Governo lançou um ultimato de 30 dias para as empresas com projetos parados nos fundos europeus regularizarem a situação. O secretário de Estado do Planeamento, José Mendes, disse que se a regularização falhar as empresas vão ter de devolver o dinheiro. Situação enquadrável no caso da Tectania, cujo o projeto de investimento encontra-se alicerçado em duas candidaturas, ao sistema de incentivos no valor total de 15.478.764,98 euros, aprovadas pelo Portugal 2020, no sentido de apostar na fabricação e comercialização de um automóvel representativo de uma marca portuguesa.

Manuel Jorge Valamatos admite que a Tectania apresenta “algumas dificuldades, é verdade. Demonstra algumas dificuldades em operacionalizar o seu investimento mas deixando sempre a esperança de que possa acontecer”, afirmou.

No entanto, no caso de aparecer outro investidor interessado naquele lote de terreno, o projeto da Tectania e a sua implementação no concelho de Abrantes pode cair por terra em definitivo. “Os procedimentos têm os seus timings e vamos agir sempre em conformidade com isso mesmo”, disse o autarca abrantino.

O terreno pertence ao Município e a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, em maio de 2018, a alienação da parcela de terreno no Parque Industrial de Abrantes, com a área de 89.270 m2, pelo valor de 133.905,00 euros.

Na ocasião foi igualmente aprovado por unanimidade o reconhecimento do projeto enquanto projeto empresarial de interesse municipal e, consequentemente, a concessão de apoios de natureza fiscal e tributária no valor estimado de 523.912,93 euros, apoio “que vai permitir capitalizar este investimento e criar condições para a criação de postos de trabalho até 2025”, o que a então presidente Maria do Céu Albuquerque classificou de “muito importante” para o município, podendo potenciar o estabelecimento ou crescimento de outras empresas a montante e a jusante.

Na terça-feira, 3 de março, e sem levantar muito o véu, Manuel Jorge Valamatos falou num novo investimento para o concelho. Disse ter sido procurado por um empresário “com muita vontade de apostar em Abrantes”, mas sem adiantar mais detalhes. “Diria que o segredo é a alma do negócio”, observou.

Quanto às empresas já instaladas em Abrantes o objetivo passa por dar “as melhores respostas para a sua valorização tendo em conta o seu desenvolvimento”. Deu conta de ter visitado recentemente empresas do concelho “que querem crescer e valorizar-se. Algumas não anunciamos e que estão a criar novos postos de trabalho. São os investimentos a funcionar, a economia! Temos de valorizar muito aqueles que já cá estão”, defendeu o autarca.

Manuel Jorge Valamatos fala em vários investimentos. “São muitas as situações que felizmente vamos tendo contactos. Existe um conjunto de intervenções, de investimentos a acontecer em Abrantes, são visíveis, de empresas que se estão a instalar e outras que estão a desenvolver procedimentos de crescimento e é isso que estamos a acompanhar todos os dias”.

O presidente acredita que o plano de coesão territorial anunciado recentemente pelo Governo pode ser vantajoso para o concelho de Abrantes e até para a região. “Claro que sim! As medidas anunciadas não são à medida do que gostaríamos mas são avanços que estão a ser dados e acreditamos que no futuro procurará reforçar essas mesmas iniciativas”.

Em maio de 2018, a CMA aprovou uma candidatura da empresa Tectania para aquisição a preço simbólico de terreno no Parque Industrial de Abrantes e a concessão de apoios de natureza fiscal e para instalação de uma empresa exportadora da indústria automóvel, motorizadas e motociclos, no âmbito do quadro de incentivos fiscais da CMA a projetos empresariais que contribuam para o desenvolvimento económico e para a criação de emprego no concelho, o Abrantes INVEST.

A empresa Tectania, que se dedica à investigação, conceção e fabrico de veículos automóveis e motociclos para o segmento Off-Road, instalada no Parque Tecnológico Vale do Tejo, em Abrantes, deveria ter criado até final de 2018 oito postos de trabalho, segundo o anunciado pela CMA. Acrescentava esse anúncio que a empresa de investidores brasileiros esperava quintuplicar o número em 2019, atingindo os 296 trabalhadores em 2025.

Foi anunciado como um investimento de 44 milhões de euros pela empresa. O município de Abrantes apoia com mais de meio milhão de euros em isenção de natureza fiscal e tributária.

Os investidores, José Fernando Faraco (70%) e Giovani Balduíno (30%), escolheram o nosso País devido “à instabilidade política e económica vivida no Brasil reforçada com a oportunidade que Portugal representa enquanto plataforma de atuação para o mercado europeu, contando um leque alargado e diversificado de agentes e possíveis fornecedores para um dos principais projetos que balizarão o desenvolvimento da empresa – propulsão elétrica, constituíram-se com precursores deste projeto”, disse na época a antiga presidente da Câmara.

Nessa ocasião foi anunciado que a empresa Tectania produzirá a nova versão do Modelo Stark 4×4 da brasileira Tac Motors SA. e todos (cinco) os modelos de motociclos desenvolvidos pela empresa portuguesa AJP Motos, sediada em Penafiel. A previsão anual de vendas para 2021 era de 3000 carros e 3100 motociclos.

No dia 5 de maio de 2017 ocorreu a comunicação informal que Abrantes havia sido a cidade escolhida e em julho do ano passado foi apresentada a candidatura formal à aquisição do lote de terreno na Zona Sul do Parque Industrial. Em abril de 2018 era apresentada a candidatura formal a projeto de interesse municipal.

A submissão do projeto a licenciamento estava prevista acontecer em junho de 2018 com a conclusão da construção com data previsível para março de 2020.

A Tectania propunha-se ter capacidade plena de laboração de motociclos e do primeiro modelo em dezembro de 2021, e capacidade plena de laboração de motociclos mais dois novos modelos em outubro de 2025. A previsão de volume de negócios para 2021 era de 83,7 milhões de euros.

Paula Mourato

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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