O diretor-delegado dos Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) disse que estes contadores “inteligentes” recorrem ao sistema de telemetria e “permitem a leitura automática dos consumos de água, identificando fugas e permitindo controlar o consumo dos mesmos”, num concelho que teve em 2022 um volume de captação de quatro milhões de metros cúbicos de água para distribuição, e registou uma “perda real de 23%”, valor que “inclui consumos autorizados não faturados, como seja para os bombeiros”, em caso de incêndios.
“Com a telemetria podemos monitorizar o uso de água em tempo real, permitindo uma deteção mais rápida de qualquer consumo involuntário (rotura) ou alguma torneira aberta em continuo, e a eliminação da faturação por estimativa, uma vez que as leituras do contador são realizadas em tempo real, por via informática e à distância”, indicou Ricardo Aparício, relativamente às vantagens do sistema.
Por outro lado, acrescentou, “deixa de ser necessário o cliente enviar as leituras do contador, nem o técnico necessita de se deslocar ao local do contador a efetuar a contagem”.

ÁUDIO | RICARDO APARÍCIO, DIRETOR-DELEGADO DOS SMA:
O projeto-piloto da instalação de contadores inteligentes no concelho de Abrantes foi iniciado na Esteveira, na zona sul do concelho, em 2019, num total de 23 contadores domésticos, tendo a Câmara Municipal indicado que o mesmo “decorreu sem falhas e foi totalmente ao encontro às expectativas do município”, razão pela qual se decidiu avançar para a segunda fase de implementação num investimento assegurado a 100% pelo orçamento dos SMA.
“Na primeira fase do projeto-piloto foram avisados consumidores que possuíam uma fuga de águas nas suas casas, avisos que permitiram a análise, identificação e reparação da fuga, evitando-se desperdícios de água e aumento de faturação”, disse, por sua vez, o presidente do município.
“Através dos contadores inteligentes conseguimos ter um serviço mais transparente e com maior comodidade para as nossas pessoas e empresas, já que deixa de ser necessário a utilização de estimativas de consumo e de contagem, e, ao mesmo tempo, conseguiremos reduzir custos operacionais enquanto nos tornamos mais eficientes na gestão dos nossos recursos hídricos”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.
Este projeto-piloto será agora alargado às localidades de Barrada, Água Travessa, Foz, Brunheirinho, Vale de Horta e Vale de Cortiças, no sul do concelho, num prazo de 60 dias, ficando em funcionamento 840 contadores inteligentes, dos quais “595 dispositivos instalados nas localidades” afetas ao projeto e “245 em grandes clientes por todo o concelho, como hospitais e escolas, em contadores internos e em bocas de incêndio”.
Ricardo Aparício disse ainda que o objetivo é o “alargamento a todos os contadores do concelho para controlar perdas na rede total e de forma automática”, numa operação que deverá abranger 22 mil dispositivos, num território com 780 quilómetros de rede, num investimento global previsto de 2.5 milhões de euros (ME), a executar a médio/longo prazo.
“Nesta fase o investimento foi todo efetuado com fundos próprios, sendo que temos a expectativa que existam financiamentos para este tipo de estruturas, aos quais com toda a certeza iremos concorrer. Se existir oportunidade de financiamento externos, de certeza que o processo será muito mais célere”, indicou o gestor relativamente a um projeto que integra um conjunto de medidas para “combater o desperdício de água, controlar os consumos e mitigar os efeitos da escassez hídrica”.

Ricardo Aparício indicou que a Câmara Municipal e os SMA “têm vindo ao longo dos últimos anos a tomar um conjunto de diligências, que são reforçadas ano após ano e em sede de orçamento, para combater o desperdício de água”, dando como exemplos a “instalação e continua ampliação da rede de telegestão, a substituição de condutos e de ramais mais antigos e com maior percentagem de fugas”, e em “sistemas de abastecimento de carros de bombeiros para combate a incêndios de origens de água não tratada”, a par de “medidas, também elas estratégicas, ao nível da rega e da gestão dos espaços verdes”.
Tendo afirmado estar “consciente” que “esta problemática é uma luta da sociedade e não apenas dos SMA”, o gestor destacou ainda o “investimento em campanhas de sensibilização relacionadas com as questões da poupança e do uso racional da água”, junto da população.
c/LUSA

Imagine-se o que é já possível fazer com os dados tratados e cruzados recolhidos em contínuo e em tempo real com os chamados contadores inteligentes da energia eléctrica, do gás e da água, que radiografam o perfil da vida de cada família em casa, e com as preferências televisivas colhidas através das boxes de TV, com o localizador dos telefones, com os dados das e-facturas do Fisco e com as câmaras de vigilância privada com o visionamento nos smartphones via Internet que permitem aos operadores longínquos, como na China, terem acesso às imagens e ao áudio das câmaras!
A radiografia da nossa vida real já está a ultrapassar a ficção!
É infinito o leque de danos que podem ser causados por quem tenha acesso a estes dados, o que não será com certeza difícil a qualquer mal-intencionado a exemplo do que acontece com os dados confidenciais da Justiça e outros que são continuadamente tornados públicos.
E a tão rigorosa e punticulosa CNPD – Comissão Nacional de Protecção de Dados faz ensurdecedor silêncio!?!?