A Nersant vai reconverter o seu núcleo no Parque de Ciência e Tecnologia, em Alferrarede, numa incubadora de empresas de base não tecnológica. Foto: CMA

A proposta da Nersant – Associação Empresarial da Região de Santarém, em articulação com o Tagusvalley e com o município de Abrantes, visa instalar uma incubadora de empresas de base tradicional, com a criação de uma infraestrutura de acolhimento empresarial de nova geração – o “Open Point Nersant” – no Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes, oferecendo vantagens como o acesso a recursos compartilhados, rede de contactos empresariais e apoio logístico.

De acordo com o presidente da Câmara de Abrantes, o Tagusvalley e o Gabinete de Desenvolvimento Económico “sempre foram respondendo a todas as empresas que nos procuram e consultam”, embora estejam “verdadeiramente focados nas empresas de base tecnológica”.

“É impossível com a estrutura que temos. Mesmo assim, nem a todas as empresas de base tecnológica nós conseguimos responder (…) por diferentes razões”, acrescenta Manuel Jorge Valamatos. A necessidade de uma incubadora para apoiar as empresas ditas tradicionais foi “sempre uma preocupação”, apontada diversas vezes pelo vereador social-democrata, Vítor Moura.

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“Quando o senhor vereador Vítor Moura falou aqui várias vezes nesta questão das incubadoras para as empresas de base não tecnológica (…), já eu e o Parque de Ciência e Tecnologia vínhamos fazendo esta conversa com a Nersant. Não o tinha apresentado porque achei que não era o momento”, afirmou o autarca.

A “Open Point Nersant” encontra-se agora na fase de candidatura, indicou Manuel Jorge Valamatos, tendo sublinhado que esta é uma ideia que tem vindo “a ser trabalhada há algum tempo” e que se tornou pública com a tomada de posse do Conselho Estratégico Empresarial de Abrantes.

“O Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes oferece todas as vantagens, com acesso a recursos compartilhados, rede de contactos empresariais e apoio logístico. Esta infraestrutura Open Point Nersant, com a qual andamos a trabalhar, é uma infraestrutura de acolhimento empresarial de nova geração que tem um ecossistema empresarial, capacidade de acelerar o desenvolvimento e o sucesso da startup, proporcionando acesso a recursos, networkung e conexões com outras empresas, investidores, mentores e clientes potenciais”, apresentou Manuel Jorge Valamatos.

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O “Open Point Nersant” procura, assim, um impacto “positivo na comunidade” e potenciar a “visibilidade a potenciais parceiros regionais e nacionais”. A estrutura irá ocupar o espaço que é da Nersant e que, segundo o edil, se encontra “devoluto, velho e necessita de um impulso e de novas condições”.

“Vai ter várias divisões, consegue aqui incorporar vários projetos, não são definitivos, como as incubadoras funcionam, mas dará resposta a um conjunto de empresas que não têm essa visão de base tecnológica, que possam aqui incorporar aquilo que também se pretende como resposta física e dando resposta às preocupações que o vereador Vítor Moura foi aqui, muito bem, manifestando”, explicou o autarca.

Vítor Moura (PSD), no uso da palavra, começou por lembrar que o tema já havia sido levado a diversas reuniões do executivo, tendo até apresentado “uma proposta formal e que os senhores reprovaram (…) Em vez de me agradecerem, porque Abrantes devia ter há muitos anos esta incubadora e não a tem, mas era muito mais interessante reprovar a ideia vinda da oposição”, afirmou.

“Quando estamos a falar de uma incubadora de empresas de base tradicional, apoiar é dar-lhe o espaço para se instalar. (…) Este edifício terá uma área útil de cerca de 350 m2 (…). Ora bem, 350 m2 num concelho como a dimensão que Abrantes tem, chamar a isto uma incubadora de empresas de base não tecnológica…”, considerou Vítor Moura.

“Se for para o apoio técnico-administrativo, para o gabinete que irá receber as pessoas, tratar do processo da sua candidatura, a incubadora é um bom espaço e bem localizado. Um edifício belíssimo, com uma arquitetura ainda bastante interessante, contemporâneo (…). No fim de contas, um belo espaço para uma incubadora de base não tecnológica, um espaço onde realmente pessoas sentadas a uma secretária podem trabalhar confortavelmente, foi a ideia com que fiquei”, acrescentou.

Para o vereador social-democrata, “chamar àquilo uma incubadora de empresas de base tradicional, é não saber o que isso é. Quando falamos de empresas de base tradicional, estamos na maioria dos casos a falar de empresas do setor secundário, que pegam em matérias primas e transformam em produtos acabados. Desculpem-me lá… não brinquemos com estas coisas”.

“Aquilo pode ser o início de uma instalação que há-de tratar da incubadora, agora incubar ali… ou não temos esperança nenhuma que empresas aqui se aproximem para se instalar, ou estamos a contar que aparecem uma ou duas e muito pequeninas”, acrescenta.

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“Se uma empresa é para crescer dentro daquilo durante quatro anos, se o regulamento for semelhante às de base tecnológica, bem, é porque o crescimento é para não saírem mesmo da incubadora. (…) Digam-me lá que empresa de base tradicional, a transformar o quê, é que tem espaço para se instalar ali. Quando vier a segunda e a terceira para onde é que vão? Quem conhece aquele edifício percebe que estamos a brincar com isto”, concluiu Vítor Moura.

Em resposta à intervenção do vereador do PSD, Manuel Jorge Valamatos disse que é necessário “diferenciar conceitos”, sublinhando que “uma coisa são espaços de implantação de empresas, zonas industriais, terrenos que andamos a tentar consolidar para a instalação de grandes empresas”.

“Nós estamos a falar numa estrutura de incubação que, como é óbvio, são espaços mais restritos, espaços de início de projetos e eu julgo que há um conjunto de empresas de base não tecnológica que se podem encaixar e recorrer àquela infraestrutura. Vamos ver o sucesso destas instalações e queremos crer que isso pode realmente acontecer”, concluiu o autarca.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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