O novo equipamento museológico, que resultou de uma empreitada de restauro, reabilitação e ampliação do Edifício Carneiro, junto ao castelo da cidade e que já foi escola e espaço de cultura, implicou um investimento na ordem de 2.5 milhões de euros (ME), e vem “concluir o projecto de criação de uma rede de museus em Abrantes”, deu hoje conta o presidente do município, em declarações à Lusa.
“É um edifício requalificado, um edifício histórico que teve ao longo da sua vida várias atividades, e que agora fica com uma interseção ao Jardim do Castelo, sendo o MAC uma peça que fecha este conjunto de espaços de museus de Abrantes”, declarou Manuel Jorge Valamatos, tendo apontado a uma rede que integra também o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), o Museu Metalúrgica do Arte Ferreira, e o Panteão dos Almeida.
Tendo feito notar que a inauguração do MAC vai permitir “libertar” a galeria municipal para trabalhos do artistas locais e regionais, num espaço que esteve nos últimos anos a funcionar como “laboratório” para o novo museu, o autarca destacou que Abrantes, a partir de sábado, “fica com um conjunto muito atrativo de estruturas culturais ao serviço da região e do país”.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
As obras representativas das várias fases da atividade artística do escultor Charters de Almeida ficarão expostas no interior e no exterior do edifício, e onde, para além dos espaços expositivos interiores, com 17 salas, algumas das quais para acolhimento de exposições de caráter permanente e temporário, foi instalado um auditório polivalente, com 63 lugares.
A obra está integrada nas intervenções de regeneração urbana – recuperação de património municipal – mas também integra a “estratégia de oferta de produtos turísticos que atraiam mais pessoas para o território do concelho” de Abrantes, “diferenciando-se pela aposta na vertente cultural, lúdica e educativa”, afirmou Valamatos.
Questionado sobre os atrasos na conclusão da execução do projecto, cuja empreitada foi aprovada em maio de 2017 pelo município, o presidente da Câmara admitiu um “processo longo”, tendo apontado a “pandemia, guerra, inflação e dificuldades de recrutamento de mão-de-obra especializada” como factores que levaram a “alterações do calendário” das obras.

O MAC inclui peças da primeira fase do trabalho do escultor (até 1973), que se convencionou chamar “dos bronzes” pela predominância dessa matéria, um conjunto de trabalhos denominados “Relógios de sol”, trabalhados em blocos de mármore polido, com várias componentes de metal, e ainda um conjunto de trabalhos (entre quadros com imagens e pinturas) com desenhos e projetos das “Cidades Imaginárias”, que correspondem a intervenções no espaço público utilizando materiais como o aço, o mármore, o granito e o betão armado.
Também a zona exterior envolvente do logradouro do antigo Edifício Carneiro foi tratada com a finalidade de ser a porta de entrada para um percurso de exposição ao ar livre até à entrada do Jardim do Castelo, confluindo com o espaço da forlateza e área em redor.
O escultor Charters de Almeida doou ao município de Abrantes uma parte significativa da sua coleção, resultado de mais de meio século de atividade artística, e de que se destacam as obras em grande escala, conhecidas por “Cidades Imaginárias”, que chegam a atingir os 40 metros de altura.

Nascido em Lisboa em 1935, Charters de Almeida tem obras em Portugal, Estados Unidos, Canadá e Itália, entre outros países.
Estudou escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde se formou. Várias vezes premiado em concursos públicos nacionais e internacionais, está representado em museus, fundações e coleções particulares em Portugal e noutros países da Europa e do mundo.

A empreitada foi adjudicada à empresa Tecnorém – Engenharia e Construções, S.A., pelo valor inicial de cerca de 2 ME, que evoluiu para 2.5 ME, sendo o prazo inicial previsto para a execução da obra de 720 dias.
A intervenção é financiada em cerca de 85% por fundos comunitários do Portugal 2020, resultado de uma candidatura aprovada no âmbito do PEDUA – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano de Abrantes.
c/LUSA
