Abrantes implementou em 2018 um projeto de programação digital e robótica nas escolas do concelho. Foto: arquivo/mediotejo.net

A Câmara de Abrantes destacou os resultados e mais valias do T_CODE, um projeto ao nível das competências digitais que ensina programação e robótica a centenas de alunos a partir dos oito anos, estimulando a literacia digital, a criatividade e o trabalho em equipa. No total, são mais de 700 os alunos de Abrantes que estão a aprender programação e robótica, num projeto de competências digitais que a Câmara diz ser uma aposta no futuro e que já lhes dá boas notas a Matemática e Português.

Inserido no programa das Jornadas da Educação de Abrantes, a Escola Básica de Bemposta, no concelho de Abrantes, acolheu na quinta-feira, 7 de abril, a apresentação em contexto real de sala de aula do projeto T_CODE onde os alunos do 4º ano mostraram o trabalho desenvolvido ao nível dos saberes digitais, nomeadamente em automação e programação feita em computador.

Manuel Jorge Valamatos, presidente do município, destacou “a forma” como o projeto T_CODE “mobiliza as crianças”, e “a atenção e o cuidado com que observam e interpretam todas estas questões da programação e as relacionam com o seu dia a dia e com os conteúdos do projeto educativo” das escolas.

“É um projeto extraordinário, adaptado aos dias de hoje, a escola vai mudando, as crianças precisam também de estar mais motivadas para a aprendizagem e obviamente que o mundo digital é o mundo deles”, disse o presidente da Câmara de Abrantes na Escola Básica de Bemposta, onde o projeto foi apresentado no âmbito das Jornadas de Educação.

T_CODE na Escola Básica de Bemposta. Abrantes implementou um projeto de programação digital e robótica nas escolas do concelho. Foto: mediotejo.net

O projeto nasceu em 2018 em fase piloto, no âmbito do projeto educativo preconizado pelo município e integrado nas “medidas de intervenção precoce, redução do abandono escolar e promoção do sucesso educativo”, tendo iniciado com a “aquisição de equipamento na área das Tecnologias de Informação e Comunicação, devidamente enquadrado em objetivos pedagógicos e educacionais”, um processo que foi sendo consolidado ao longo do tempo.

Dirigido por quatro técnicos do Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, o projeto T_CODE envolve hoje todas as turmas dos 3º e 4º anos do concelho de Abrantes (27 turmas), num universo de mais de 430 alunos e cerca de 30 professores e, neste ano letivo, foi alargado a 14 turmas do 5º ano (cerca de 250 alunos e 11 professores) e a três turmas do 10º ano (60 alunos e uma professora).

“O futuro passa pelo mundo digital e, naturalmente, a programação é uma disciplina dos dias de hoje, (…) e educar desta forma traz seguramente muito mais motivação aos nossos alunos e nós observamos com muita atenção a forma empenhada, dedicada, curiosa, com que os nossos alunos se envolvem com estas matérias e como relacionam estes assuntos com as outras matérias do projeto escolar que é definido nos conselhos científicos das nossas escolas”, enfatizou o autarca.

Neste ano letivo, além da programação, o T_CODE abrange um programa mais alargado de robótica o que é uma novidade em relação ao ano anterior, com ligação também do digital às artes plásticas com a realização de trabalhos que implicam a fabricação de recursos, como é o caso das tochas do Minecraft, sendo apoiados por monitores e professores.

Homero Cardoso, coordenador do projeto T_CODE. Foto: mediotejo.net

Homero Cardoso, coordenador do projeto, disse, por sua vez, que a abordagem “T_CODE + Tecnologia + Educação + Cidadania” assenta num projeto que “ensina programação aos alunos em ambiente descontraído e de diversão, desenvolvendo nas crianças um conjunto de competências úteis para a vida escolar e profissional como a criatividade, resolução de problemas, colaboração e partilha e, por outro lado, desenvolve o desejo e a capacidade de produzir conteúdos digitais”.

Nesse sentido, frisou, “é um programa de apropriação” da tecnologia.

“A lógica é que os alunos sejam capazes, através do programa, de conseguir criar conteúdos e conseguir apropriar-se da forma como a tecnologia pode ser usada para criar esses conteúdos, que é uma posição muito diferente daquela a que eles estão habituados, que é a de consumir alguma coisa que nos é apresentado ou que encontramos. A lógica do T-code é mais essa, é criar as condições para que eles consigam hoje e amanhã ter a experiência de criar alguma coisa, que é deles e que foi feita por eles, usando um recurso que é a tecnologia”, afirmou.

O projeto tem estado a crescer em Abrantes mas a expandir-se também para outros municípios, abrangendo já um total de 1.200 alunos do 1º ciclo em quatro concelhos.

“Nós já estamos em Torres Novas, em AECS, onde fazemos o 3º e 4º ano. Começámos este ano em Ferreira do Zêzere, também com o 3º e 4º ano, e Sardoal começou há cerca de um mês, e, portanto, já estamos, só em alunos do 1º ciclo, muito perto dos 1200. E depois ainda temos mais alunos do 5º ano em Abrantes, e tivemos também alunos do 10º ano de técnico-profissional em Abrantes, mas aí num projeto diferente, em que nós temos uma duração mais curta e em que estamos a ligar as TIC à cidadania”, disse Homero Cardoso. 

Para a Câmara de Abrantes, “as competências adquiridas pelos alunos envolvidos neste projeto, nomeadamente a capacidade de pensamento crítico, têm-se relevado positivamente no desempenho em disciplinas como a matemática e o português”, mais valias que foram também realçadas pelo professor António Tomás, da Escola Básica de Bemposta, dando conta que esta “é uma formação de alto nível” para as crianças.

“No ano passado começaram a entender a lógica da programação, começaram a fazer pequenas rotinas de programação com o software Scratch, que é um software criado especialmente para crianças, e este ano deram mais este passo, que para elas foi um passo de gigante, porque passaram a aplicar essas pequenas rotinas de programação robótica”, com a criação de pequenos robôs.

“São robôs muito simples, têm apenas dois motores e dois sensores, mas conseguiram entender perfeitamente o que é que um sensor e um motor, e uma linha preta escrita no chão pode fazer. Eles seguiram desde o início este projeto e compreenderam logo todos os passos. Depois o trabalho da escola foi o mais simples, foi aproveitar esta aprendizagem específica e aplicá-la à atividade normal da escola (…) e, com isso, acabamos também por envolver não só os mais velhos, os do 4º ano, como até um pequeno grupo de primeiro ano que acabou por se envolver por arrasto e que tem também participado muito ativamente”, destacou.

O professor, que destacou a “excelente” recetividade dos alunos ao projeto, deu ainda conta da importância do domínio destas ferramentas para o futuro dos jovens estudantes.

“Estas crianças vão trabalhar seguramente em empregos que nós não imaginamos mas que onde este tipo de conhecimento, este tipo de tecnologias, vão estar presentes, portanto estas referências valem ouro”, concluiu.

Abrantes implementou em 2018 um projeto de programação digital nas escolas do concelho que tem vindo a crescer e a consolidar-se. Foto: CMA

Financiado exclusivamente pelo orçamento da Câmara Municipal de Abrantes, o projeto T_CODE é resultado de uma parceria entre o Município, Agrupamentos de Escolas de Abrantes, Tagusvalley e Fundação Raspberry Pi, sediada na Grã-Bretanha.

*c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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